terça-feira, 22 de junho de 2010

A velha questão da mobilidade urbana


Sobre o velho problema da mobilidade urbana, vale a pena perder um tempinho ler estes dois artigos que saíram no suplemento Cidades do Público no passado Domingo: "Bicicletas - O negócio vai de vento em popa, mas pedalar só ao fim-de-semana" e "Só com a regionalização se resolve o problema do transporte público - Entrevista Mário Alves". Ambos sublinham uma ideia que parece cada vez mais inultrapassável: as cidades não rimam com automóveis e apenas apostando na criação de obstáculos à circulação dos mesmos se conseguirá impulsionar outros meios de transporte.

5 comentários:

  1. É realmente uma ideia genial:
    "as cidades não rimam com automóveis".
    Solução. manda-se os carros todos para o campo.
    O problema é que depois é o campo que fica cheio de problemas.
    Ou então fazemos de outra maneira: quem não gosta de viver nas cidades vai viver para o campo.
    Assim ficamos todos felizes.

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  2. Bem... Que série de deduções geniais.

    Agora um pouco mais a sério, os carros não têm de ir para o campo, nem os que deles gostam. Mas há que compreender que a mobilidade urbana tem de depender cada vez menos do automóvel. E só criando abstáculos a este se consegue induzir tal compreensão.

    De outro modo, continuar o forte investimento na circulação automóvel no espaço urbano equivale a querer apagar o fogo com gasolina (como sublinha Mário Alves no artigo).

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  3. Caro João,

    conheço bem o Mário Alves e as teses, quanto a mim fundamentalistas, que por aí circulam.

    Penso que conhece a famosa história das projecções feitas no início do século XX, em Nova York, que previam uma camada enorme de excrementos de cavalo nas ruas se continuasse a aumentar ao mesmo ritmo o número de veículos em circulação. Depois, como se sabe, os cavalos foram substituídos.

    É óbvio que todos queremos comodidade e bons ares mas, pelo menos durante mais algum tempo, tem que haver uma diferença entre o centro de uma cidade e uma herdade no Alentejo.
    Não se pode querer endireitar à força, e já, o que nasceu torto (urbanismo, política de emprego, nível de rendimentos, etc). Isso só pode ser feito com sacrifício de quem não tem culpa da situação existente.

    Essencialmente repugna-me a tendência para a culpabilização dos cidadãos que os teóricos (nada desinteressados) da "guerra civil nas estradas" irresponsavelmente têm conduzido.

    É preciso muito cuidado para não cairmos no equívoco de promover ideias teóricamente positivas por meio de fanatismos. Essa é a base de qualquer totalitarismo.

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  4. O Fernando tem uma capacidade impressionante para me encostar às veias do extremismo. :) Acredite que não o sou, muito menos neste típico de temática.

    Nas questões ambientais até julgo ser bastante positivo, sendo pouco adepto das teses da catástrofe inevitável e sendo sim a favor de uma progressiva mudança das mentalidades, dos hábitos, e crente que o progresso tencológico
    também dará a sua precisosa ajuda para não destruirmos a mãe Terra.

    No caso das cidades, nem é tanto a questão ambiental que me preocupa, mas sim a qualidade de vida de quem lá vive e trabalha. Cidades como Lisboa que, no modelo actual, continuam a ser atravessadas por autênticas auto-estradas com milhares e milhares de carros a circularem diariamente.

    Repare que contra mim falo, porque vivo no centro de Lx e utilizo diariamente o carro para me deslocar para a periferia. Faço-o por comodidade, beneficiando das tais autoestradas. Mas se calhar por isso mesmo tenho cada vez mais a noção de que só diminuindo essa tal comodidade se consegue alterar os comportamentos. De outro modo, tudo convida a que tenhamos mais e mais carros a monopolizar o espaço público e continuemos a viver nesta espécie de falsa comodidade.

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  5. F. Penim Redondo, o movimento nas cidades europeias é, invariavelmente, de introdução de restrições a circulacao automovel articulada com outras medidas. o Mario Alves fala nisso, ate de uma forma bastante ponderada. É até, se outras razoes nao houvesse, questao de bom senso. O que é que não percebeu?
    alvaro

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