quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Humilhado

Nunca um Presidente da República foi tão ridicularizado. Se ainda não na opinião pública, sem dúvida na opinião publicada. Tirando o director do Público e o CDS, ninguém levou a sério a sua comunicação. Cavaco vive, de longe, os seus piores dias. Independentemente de ser muitíssimo pouco provável que tal aconteça, este é daqueles momentos em que uma demissão não surpreenderia assim tanto.

Lamentável e Muito Grave

A declaração de ontem de Cavaco Silva foi lamentável (ver na integra aqui). Certamente ficará para a história por essa mesma razão. Ao mesmo tempo que se diz ofendido pelos ataques de que foi alvo, a Presidência lança poderosas acusações contra o partido do Governo.
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Esqueceu-se de esclarecer ou justificar porque não falou antes ou como é que alguém que trabalha consigo há décadas usou sem pestanejar o nome da Presidência da República em vão.

E sintomático da atrapalhação presidencial foi a forma como, de inexplicável, volta a lançar suspeita sobre a segurança dos computadores da Presidência. Como se tal estivesse minimamente relacionado com o caso. Enfim…

Não terá sido certamente a primeira vez que a Presidência e o Governo conspiram um contra o outro. Mas desta vez a Presidência foi apanhada em flagrante a tentar apunhalar o Governo. Atrapalhou-se e geriu pessimamente os timings de justificação do seu acto.
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Como se tal não bastasse, age agora de forma infantil negando que tinha um punhal, dizendo-se ofendida e apontando o dedo aos outros, os malandros que pressentiu que a estavam a atacar… É triste. E é sobretudo muito grave.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Santana is back

E eis que teremos nas próximas duas semanas Santana Lopes de volta às grandes luzes da ribalta. É verdade que a sua imagem está desgastada e que o menino-guerreiro nutre agora pouquíssimas simpatias entre os opinion makers. Mas só os mais optimistas poderão achar que Santana não tem hipóteses nesta batalha contra António Costa. A ver vamos.

O PSD continua igual a si mesmo

No próprio domingo à noite já se viam destacados militantes laranja a exigir na comunicação social a cabeça da actual direcção do partido. A pluralidade é mais do que saudável no seio de qualquer força política. Mas estes gestos, mais do que habituais no seio do PSD, estão longe de poder ser confundidos com tal virtude.

O PSD é um partido muito… Faltam-me as palavras… Muito exótico. Chamemos-lhe exótico, pronto.
(Imagem: Monster a day)

O que espero da esquerda

Num cenário de maioria relativa, onde as coligações não deverão surgir e onde tudo dependerá de entendimentos e acordos pontuais, espero que a maioria da esquerda na Assembleia se faça sentir. Tal implicará naturalmente responsabilidades para todos os visados.

Implicará que Bloco e PCP se empenhem em encontrar os referidos entendimentos com o PS. Que façam do actual cenário uma boa oportunidade para constituir maiorias à esquerda em torno de assuntos centrais para o país (da educação à saúde, da segurança social à economia e finanças, passando naturalmente pelas questões ditas fracturantes).

Mas implicará naturalmente que o PS não hesite em demonstrar com quem prefere entender-se, não hesite em demonstrar a que lado do espectro partidário pertence. E que não aproveite a primeira oportunidade para se lançar para os braços da direita (direita essa com quem historicamente sempre arranjou forma de se entender nestas ocasiões, nomeadamente com o CDS).

Espero, no fundo, que a esquerda esteja à altura como um todo. O presente cenário é uma boa oportunidade para se demonstrar que a política merece estar acima de qualquer clubismo. Bem sei que o que peço é praticamente impossível, não é? Também sou levado a acreditar que sim. Mas há alturas que o mínimo que se pode fazer é ser-se muito exigente.
(Imagem: Quebrar sem Partir)Link

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Proporcionalidades Tramadas

O natural efeito dos círculos eleitorais na conversão de votos em mandatos leva a situações curiosas. Vejamos o seguinte exemplo: o CDS com mais 0,61%, do que o Bloco a nível nacional obteve mais 5 mandatos. E o PCP com menos 1,97%, obteve menos 1 deputado. É tramado. :)

Portas no seu melhor

Há coisas que murmuramos bem baixinho com medo que sejam de facto verdadeiras. Ao longo desta campanha eleitoral, confidenciei diversas vezes a quem estava próximo que o CDS estava a conseguir uma campanha praticamente perfeita. Paulo Portas estava imparável. As falhas, do ponto de vista mediático, quase não existiram. Os resultados estão à vista.
(Imagem: Wikipedia)

Breves notas sobre os Resultados Eleitorais


Uma primeira conclusão salta à vista: os dois partidos do centro foram seriamente penalizados. Julgo não existirem dúvidas a este respeito. Ver resultados detalhados aqui.

Sobre o PS, tendo em conta que por momentos chegou a temer a derrota nestas eleições, deve naturalmente respirar de alívio. Mas perdeu nada mais nada menos do que a maioria absoluta. Perdeu mais de 20 deputados. É natural, portanto, que os sorrisos socialistas sejam muito contidos.

Quanto ao PSD, perdeu em todas as frentes. Para além de não ter conseguido o objectivo central de derrotar os socialistas, teve apenas mais um ponto do que o histórico resultado negativo obtido por Santana Lopes. As esperanças surgidas após os resultados das europeias foram esmagadas durante a noite de ontem.

O CDS obteve o resultado mais surpreendente da noite. Não só pela questão dos dois digitos, mas sobretudo pelos 21 deputados obtidos. Num momento em que o seu principal adversário à direita está enfraquecido, o CDS aproveitou para capitalizar bem. E foi certamente buscar muitos votos a quem votou PS nas últimas legislativas.

O Bloco não foi a terceira força política, é certo. Mas foi a força claramente vencedora no espectro partidário à esquerda. A duplicação do número de mandatos conseguida na noite de ontem fala por si.

O PCP sofre agora com o rótulo de ser a quinta força política. É um golpe duro. Mas que rapidamente é relativizado pelo facto de ter reforçado a sua votação e de até ter conseguido mais um mandato.

Quanto aos partidos sem representação parlamentar, o facto do MEP não ter obtido qualquer mandato e de ter tido metade dos votos do resistente MRPP é dificilmente contornável. O resultado de ontem poderá colocar em causa a sobrevivência do primeiro.

Uma última nota para a abstenção. Diminuiu bastante relativamente à europeias. De qualquer modo, conseguiu ser superior à verficada nas últimas legislativas. A guerra à abstenção continua a não merecer tréguas.

domingo, 27 de setembro de 2009

E porque hoje é dia 27...

...aqui fica um apelo ao voto um pouco à frente. Perturbante até, bem ao estilo South Park. Mas fica a mensagem: Vote or die, morde a foca! ;)

sábado, 26 de setembro de 2009

É suposto rirmos ou chorarmos?

Depois de ter provocado uma das maiores crises institucionais de que há memória, lançando suspeitas gravíssimas sobre o Governo de um partido em plena campanha eleitoral, Cavaco Silva afirmou hoje que manteve “escrupulosamente e com o maior rigor o compromisso de total isenção e imparcialidade em face dos diversos partidos”. Enfim... Sem palavras.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Em quem votarei?

Não será novidade para a vasta maioria dada a minha militância. Mas tendo em conta o post abaixo e porque acho despropositados aqueles apelos ao voto panfletários, apenas digo que votarei numa esquerda que julgo não desiludir. O vídeo acima diz o resto. :)

Porque não votaria PS - Apelo à Memória

Neste último dia de campanha, achei por bem esclarecer os que por aqui passam sobre porque não votaria PS nas próximas legislativas. Bem sei que soa um pouco a discurso panfletário, mas olha, paciência… Acho que é um gesto de frontalidade e coerência que julgo adequado nesta fase.

Antes de mais, e para que não surjam dúvidas, não acho que o PS seja igual ao PSD. Acho que há naturalmente coisas que distinguem os dois grandes partidos do centro. E, enquanto cidadão que se posiciona à esquerda, prefiro naturalmente um governo do PS a um do PSD. E acho que existiram evidentemente diversas questões positivas neste governo.
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Não entrando em grandes detalhes, fizeram-se apostas importantíssimas no sector público da educação (e.g. Inglês no 1º ciclo, e-Escola). Resistiu-se à lógica privatizadora na saúde e algumas políticas sociais vincaram o cunho de centro-esquerda deste Governo (e.g complemento solidário para idosos, subida do salário mínimo, aumento da licença de maternidade).
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Ou seja, não entrando em grandes pormenores, existiram políticas importantes em domínios-chave e que não existiriam certamente num governo de centro-direita. É importante que isto se diga e que não restem dúvidas a este respeito perante o que direi abaixo.
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O problema são as outras opções tomadas que afastaram claramente o PS do que considero ser uma política de esquerda com espinha dorsal. Opções estas que o PS, tentou esconder neste período de campanha, apostando assim na falta de memória dos portugueses. Neste sentido, aqui vai um apelo à memória dos que por aqui passam. Não votaria PS porque:
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- Não esqueço a aprovação de um Código de Trabalho ainda mais prejudicial do que o aprovado nos tempos de Bagão Félix;
- Não esqueço o afastamento claro dos cidadãos na aprovação do Tratado de Lisboa;
- Não esqueço os 3 anos de obstinação pelo défice e os cortes efectuados no investimento público;
- Não esqueço que, contrariamente ao prometido em campanha, subiram o IVA (imposto cego e injusto) em 2 pontos percentuais logo após as eleições;
- Não esqueço o chumbo da proposta de legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo (seguido de uma descarada promessa de aprovação na legislatura seguinte);
- Não esqueço o encerramento de maternidades e urgências hospitalares com base numa política de régua e esquadro;
- Não esqueço o encerramento indiscriminado de escolas com menos de 10 alunos;
- Não esqueço um desastroso mandato no Ministério da Cultura;
- Não esqueço a quase inactividade no sector da Justiça;
- Não esqueço a cegueira e a arrogância perante a claríssima oposição dos professores ao modelo de avaliação;
- Não esqueço a aprovação implacável deste modelo de avaliação dos funcionários públicos que veio provocar evidentes injustiças no acesso à promoção na carreira;
- Não esqueço a arrogância perante os problemas de financiamento das instituições de ensino superior;
- Não esqueço o súbito volte de face no último ano onde, a pretexto da crise, fez-se tábua rasa da obstinação pelo défice que vigorara até então e se abriu os cordões à bolsa muitos vezes por clara conveniência política.
- Não esqueço que este foi o Governo que processou jornalistas incómodos a torto e a direito e que mais tentou condicionar a comunicação social;
- Não esqueço os critérios mais do que duvidosos na aprovação do terminal de contentores de Alcântara;
- Não esqueço as amizades internacionais com regimes mais do que duvidosos: da Rússia à China, da Venezuela a Angola.
- Não esqueço o aproveitamento do domínio governamental para posicionamento de conhecidos em diversos sectores empresariais (e.g da CGD ao BCP, da Mota-Engil à RTP);
- Não esqueço que este também foi o Governo de Mário Lino, de Augusto Santos Silva, de Manuel Pinho e de Jaime Silva.
- Não esqueço que o José Sócrates simpático e sensível de hoje é o mesmo José Sócrates arrogante de há uns meses atrás. O José Sócrates que mais não era do que um Cavaco Silva dos 10 anos de maioria absoluta com uns ligeiros toques de modernidade.
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Enfim. Lamento que este post já esteja longo. Os exemplos acima são apenas alguns que me lembrei sem grande esforço. Fazem parte da avaliação de um mandato, componente que julgo ser central para decidir o voto no próximo domingo.
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Como é óbvio, considero legítimo que muitos optem pelo voto útil. Mas também julgo ser legítimo considerar que a opção pelo voto útil fará tábua rasa de todos os exemplos acima. Ainda mais num momento em que as sondagens indicam que o voto útil já não faz tanto sentido quanto isso.
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Em suma, não votaria PS porque não conseguiria passar por cima das memórias acima. Não votaria PS porque o PS demonstra constantemente não ser de confiança para quem se identifica com a esquerda política. É a minha opinião. It´s up to you now.

O caso que fica para depois

Pouco tempo antes da campanha terminar, a TSF noticia graves acusações de negociação de financimento partidário por cargos. José Lello, conhecido como fazendo parte dos círculo mais próximo de Sócrates, encontra-se no centro das acusações. Não é a primeira vez que Lello recebe este tipo de acusações.

Como é evidente, um caso destes noticiado a dois dias do fim da campanha eleitoral torna-se bizarro. Embora também importe sublinhar que o PS se recuse a comentá-lo à TSF desde segunda-feira... Esperemos que não existam desculpas para o seu esclarecimento no pós-dia 27.
(Imagem: Nato)

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Trocas de Opinião

Disponível há pouco tempo, o http://www.trocasdeopiniao.eu é um mercado electrónico de previsões políticas desenvolvido por 6 investigadores da Universidade Católica. O modelo dos mercados de previsões surgiu na década de 80 no meio académico americano. Baseando-se numa moeda virtual e com um conceito semelhante ao das bolsas de valores, os jogadores compram e vendem títulos de previsão política.
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O mercado é altamente flutuante e especulativo. O objectivo, claro, é fazer dinheiro virtual. Vale mesmo a pena experimentar. É um conceito interessante.

A sondagem da Marktest

No que diz respeito aos dados propriamente ditos, destaca-se a subida do PS, o que faz sentido tendo em conta o rumo da campanha nestes últimos tempos. Mas a suposta queda vertiginosa do Bloco [que na última sondagem da Marktest tinha 16% (???)] lança algumas dúvidas quanto à fiabilidade dos dados.

Por outro lado, atenção que a suposta dinâmica vitoriosa do PS nesta recta até pode não ser tão agradável aos socialistas quanto isso. A abstenção e sobretudo a queda do argumento do voto útil pode voltar a complicar-lhes as contas no dia 27.
(Imagem: JLMurphey)

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

eConsciência - Um blog ecologista

E porque ontem foi o Dia Sem Carros, recomendo um acompanhamento regular do EConsciência, um blog recente sobre ambiente e desenvolvimento sustentável. Informação e conselhos úteis para uma vida mais eco. Vale a pena (o blog e a vida mais eco). ;)

Tudo corre bem a Sócrates

É sabido que as campanhas eleitorais servem para tudo, mas dificilmente para discutir política. Mesmo a prestação de contas tende, por vezes, a ganhar pouquissimo relevo. As campanhas são momentos em que o importante é não cometer gafes e tentar não ser apanhado no meio dos casos que vão surgindo.

Neste sentido, e com uma sorte diametralmente oposta à do seu principal adversário, quase tudo tem corrido bem ao PS. Tem cometido poucas gafes e tem demonstrado grande agilidade a passar por entre os pingos da chuva de casos em curso.

Como é evidente, no meio de tão grande sorte e agilidade, a prestação de contas por estes 4 anos e meio de governo quase não tem existido . Os holofotes tem estado virados para outros lados. Tudo corre de vento em popa para Sócrates.
(Imagem: Sócrates 2009)

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Pluralidades e Serenidades

Nada de especial

A demissão de Fernando Lima era mais do que expectável. Os assessores servem para dar o peito pelo Presidente, assumindo o papel de bodes expiatórios sempre que tal se revele necessário. O problema é que Cavaco continua sem esclarecer o que quer que seja. O seu silêncio é ensurdecedor, mas sobretudo irresponsável.

Belém está irresponsavelmente a ganhar tempo para poder ripostar, pois sabe que “ninguém perdoará se se perceber que as suspeitas ou não existiam, ou não tinham fundamento, ou eram simplesmente paranóicas.” (JMF dixit). O contra-ataque da Presidência surgirá, dê por onde der, seja de que forma for. Até lá, Portugal vive simplesmente uma das maiores crises institucionais de que há memória. Nada de especial, portanto.
(Imagem: Presidência da República)

Vale a pena ficar de olho neste blog

Recebemos do suspeito Der Terrorist (esse grande asfixiador) e d'A Nossa Candeia o prémio “Vale a pena ficar de olho nesse blog!”. Ficámos naturalmente preocupados. Mas agradecemos, claro. :) E passamos sem grandes rodeios à atribuição do mesmo aos seguintes blogs:
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