quinta-feira, 1 de maio de 2008

O PS e a Revisão do Código de Trabalho

A discussão sobre a revisão do código do trabalho está aí. A CGTP mantém-se inflexível. A UGT dá uma no cravo e outra na ferradura e o PS acusa a esquerda de estar a boicotar a concertação social. Mas será que existem razões para confiar no PS nestes domínios?

É consensual que a revisão do código do trabalho prevê novos direitos para os trabalhadores. A diminuição da duração dos contratos a prazo de 6 para 3 anos é positiva, assim como a licença de parentalidade alargada e o estímulo (embora ligeiro) à contratualização sem prazo. Mas a revisão prevê também maiores facilidades nos despedimentos por inadaptação, assim como maiores possibilidades de adaptação dos limites dos horários de trabalho às necessidades do empregador. Para já não falar da caducidade das negociações colectivas de trabalho ao fim de dez anos.

Ou seja, é uma revisão que contém benefícios, mas que está muito longe de ser um mar de rosas. Se a isto acrescentarmos o longo historial que o PS possui em termos de revisão da legislação laboral, chegamos rapidamente à conclusão que os receios da esquerda não são simples teimosias ou aproveitamentos políticos.

Os Jovens, a Política e o Estudo que Ninguém Leu

O discurso de Cavaco Silva propiciou alguma discussão sobre o alheamento político dos jovens. Como é possível que tantos não saibam o que foi o 25 de Abril? O debate político gerado só demonstra que ninguém leu o estudo, pois as suas conclusões estão muito longe do que foi destacado por Cavaco.

O estudo está disponível aqui. Vejamos algumas (sublinho o “algumas”) das conclusões apresentadas:

- “Os jovens encontram-se menos expostos à informação política pelos meios de comunicação convencional do que o resto da população. E em geral − e não apenas aqueles que ainda não chegaram à idade do voto − os jovens tendem a exibir menores níveis de conhecimentos políticos." (pág. 2)
- “Os índices de participação social dos jovens são mais elevados do que os da restante população, facto que não se deve exclusivamente à pertença a associações estudantis ou a grupos desportivos." (pág. 3)

Mas vejamos também alguns quadros interessantes apresentados no estudo:

(Pág. 18)

No quadro acima verifica-se claramente que o interesse dos jovens (15-17 anos e 18 a 29 anos) pela política não é muito, mas que não se diferencia assim tanto do manifestado pela população adulta.
(Pág. 19)

O quadro acima demonstra também que, em termos comparativos, não é a faixa jovem da população que empurra Portugal para um lugar modesto quando comparado com outros países.

E relativamente à tão dramática questão do desconhecimento sobre o 25 de Abril? Pois é, em todo o estudo, apenas a questão abaixo faz referência ao 25 de Abril. Os resultados são surpreendentes.

(Pág. 25)

É preocupante que apenas 8,2 % dos jovens entre os 15 e os 17 anos, e que 20,3% da população entre os 18 e os 29 anos, acerte no 1º presidente eleito após o 25 de Abril. Mas não será ainda mais estranho que essa percentagem seja de apenas 34,1 % na população entre os 30 e os 64 anos?

Vejamos agora a realização de actividades políticas em Portugal por faixa etária.

(Pág. 31)

Surpreendente não? Os jovens em Portugal revelam ter uma muito maior participação em actividades políticas do que a população com mais de 30 anos.

Posto isto, o que podemos concluir? Alguns pontos devem ser sublinhados:

1) O alheamento político da juventude em Portugal é crítico, mas reflecte sobretudo o alheamento político da generalidade da população.
2) Em inúmeros domínios, a população mais jovem revela muito mais actividade política do que a população mais velha.
3) Quando comparado o caso português com outros exemplos internacionais, a situação é preocupante, mas não tanto no domínio da juventude. É preocupante sim para a globalidade da população portuguesa.

A discussão gerada revela também que ninguém se deu ao trabalho de ler o estudo, da comunidade política, à comunicação social e passando naturalmente pela maioria da blogoesfera. E mea culpa aqui do Activismo de Sofá que também se precipitou a escrever sobre a problemática.

Por último, e como não podia deixar de ser, nota muito negativa para Cavaco Silva (e seus assessores). Como ontem sublinhou Joana Amaral Dias na SIC Notícias, teria ficado bastante melhor ao Presidente da República sublinhar algumas das conclusões positivas do estudo relativamente à juventude nas comemorações do 25 de Abril. Em vez disso, preferiu-se o catastrofismo fácil…

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Ironias, muitas Ironias – Resposta ao Dr. Paulo Estevão

Aguardei pela continuação da resposta do Dr. Paulo Estêvão mas, uma vez que esta ainda não surgiu na integra, aproveito para responder já às "questões desnecessárias" avançadas.

Folgo saber que estava a ser irónico, Dr. Paulo Estêvão. Confesso que por momentos hesitei, dado o discurso acutilante por si utilizado. Mas ainda bem que partilhamos este sentido irónico. Aliás, no post em que pareço estar melindrado, estava também a ser irónico. Que coincidência, não é? A ironia tem destas coisas.

De qualquer modo, como concordará, a ironia pode gerar alguns mal-entendidos, sobretudo quando utilizada na palavra escrita. Entre irónicos, tal não constituirá grande problema, mas para os mais sérios pode tornar-se incómodo. Para evitar estas questões, acrescentarei um esclarecimento ao meu post inicial do Activismo de Sofá, sublinhando tratar-se de um discurso irónico. Do seu lado, o Dr. Paulo Estêvão fará naturalmente como entender.

Por último, parece-me oportuno fazer o seguinte esclarecimento. Apesar da presente troca blogosférica de galhardetes, aprecio a actividade do meu “oponente”. Embora me encontre bem distante ideologicamente do Dr. Paulo Estêvão, e não concorde com muitas das suas posições, parece-me que o líder do PPM Açores tem feito um meritório esforço de agitação positiva do ambiente político açoriano. A sua incansável atenção à realidade política regional, como o demonstra aliás a sua activa participação na blogosfera, são virtudes que merecem ser sublinhadas.

No presente caso, e é naturalmente livre de discordar, parece-me que o Dr. Paulo Estêvão se precipitou claramente na resposta ao Activismo de Sofá. A dinâmica calorosa da discussão política propicia, por vezes, este tipo de descuidos. Espero, portanto, e sem pretensiosismo, que o Dr. Paulo Estêvão retire alguns ensinamentos da presente troca de ironias. Eu já retirei os meus.

Saudações

terça-feira, 29 de abril de 2008

António Costa: Primeiros Balanços começam a Surgir

alguns posts atrás, acautelamos a necessidade que António Costa deverá começar a ter em “apresentar obra”. Apesar de ainda beneficiar de um relativo estado de graça, os primeiros balanços começam a surgir. E não são muito positivos…

Na sua crónica desta semana no Público, o insuspeito Pedro Magalhães traça um quadro algo demolidor dos 280 dias de mandato de António Costa. Parte de um episódio recente sobre a ampliação da Gare do Oriente e o desconhecimento da CP. Passa pelas medidas simples prometidas e ainda não cumpridas (pintura de passadeiras, ataque ao estacionamento em segunda fila e em cima dos passeios e recuperação dos espaços verdes). Alerta ainda para a falta de atenção que, em benefício de António Costa, tem caracterizado a comunicação social.

Pedro Magalhães conclui que “uma das consequências de ser ter eleito António Costa parece ter sido a de colocar na presidência da câmara alguém que ainda não se deu devidamente conta de quão limitados são os seus reais poder, influência e capacidade de realização.” Termina a sua crónica com a seguinte frase: “Mas verdade seja dita, António Costa já tinha explicado, na Quadratura do Círculo, que "uma coisa são os valores (de esquerda), outra coisa é a sua aplicação no dia-a-dia."

António Costa tem mesmo de acautelar a sua actuação. De outro modo, a quebra de expectativas em seu torno poderá provocar-lhe surpresas pouco agradáveis no âmbito da sua recandidatura.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Resposta ao Dr. Paulo Estêvão sobre a Disciplina de Ciência Política

O Dr. Paulo Estêvão, líder do PPM Açores e Vice-Presidente do PPM nacional, respondeu ao desafio que lhe lancei, fundamentando a sua posição contra a obrigatoriedade de uma disciplina de ciência política no âmbito do ensino secundário. A discussão começou aqui, seguiu para aqui e aqui. Continua agora com o presente post.

Mas, antes de mais, devo sublinhar o seguinte. Pareceu-me que, de forma algo precipitada, e com vista a enquadrar a sua resposta, o Dr. Paulo Estêvão revelou uma grande facilidade na emissão de juízos de valor, ao mesmo tempo que demonstrou possuir um vasto e intrigante conhecimento sobre a minha pessoa:

1) “O autor do “Activismo de Sofá” é um auto-assumido preguiçoso”;
2) “O seu exemplo de “Activismo de Sofá” não será o melhor exemplo comunitário…”;
3) “[O autor do Activismo de Sofá] abstém-se de dar o seu contributo na “vida real”;
4) “[O autor do Activismo de Sofá] passa a vida a desancar nos desgraçados dos políticos que lhe aparecem na frente. Mas que alternativa oferece o senhor à sociedade? Falta-lhe algum conhecimento ideológico?”
5) “O que lhe falta a si é o mesmo que falta a muitos dos nossos jovens. Garanto-lhe que não resolve isso com aulas de Ciência Política.”

Bem… Confesso ter ficado surpreendido com o tom despropositado de algumas afirmações, que facilmente podem ser entendidas como acusações. Fiquei surpreendido sobretudo tendo em conta o seu autor que, a propósito, não revelou uma grande facilidade na identificação de ironias no discurso - e.g. ponto 1) e 2). Terei entendido mal o tom geral do post? Não me pareceu, mas admito naturalmente ser esclarecido a este respeito.

De qualquer modo, vamos então ao debate de ideias, Dr. Paulo Estevão, que se quer caloroso, mas sem resvalar para afirmações que possam parecer excessivas. Centrar-me-ei na temática da disciplina de ciência política, abstendo-me naturalmente de responder às considerações que teceu sobre este blogue e o seu autor.

a) No que à balcanização do sistema de ensino diz respeito, tendo a concordar consigo, embora não tenha uma opinião solidamente formada a este respeito.

b) Quanto aos conteúdos da disciplina de ciência política existirem em disciplinas como educação cívica e história, tenho as maiores dúvidas. Com o mesmo raciocínio, em última análise, poderíamos quase dizer que os conteúdos da disciplina de Português estão dispersos por uma série de outras disciplinas. Por outro lado, como julgo que concordará, a transmissão eficaz dos conhecimentos de uma determinada área académica faz-se com um corpo global de conteúdos coerentes, e não com a sua “balcanização” (expressão sua) por diversas disciplinas.

c) Quanto ao facto de considerar perigosa a existência de uma “disciplina estatal de explicação da hermenêutica política”, parece-me um argumento pouco sólido à partida. Posso concluir da sua afirmação que duvida do carácter científico da ciência política? Ou duvida do carácter cientifico na elaboração dos programas escolares?
No primeiro caso, é naturalmente livre de ter as suas opiniões, mesmo que as referidas esbarrem no reconhecimento indiscutível, a nível nacional e internacional, da área académica da ciência política.
No segundo caso, com o referido raciocínio, deveremos também acabar com os conteúdos que diz já existirem nas disciplinas de história e educação cívica?

d) Sobre as orientações pedagógicas, a respeito da abordagem dos programas em algumas escolas e municípios deste país, tendo a não ser tão pessimista como o Dr. Paulo Estêvão. Mais uma vez, a irmos por aí, invalidávamos a existência de uma série de outras disciplinas ou conteúdos das mesmas. Não é isso que pretendemos, pois não?

e) Por último, relativamente à solução que apresenta para o desinteresse dos jovens – “uma atitude diferente de todos em relação à vida cívica” – parece-me um contributo um pouco modesto para a “vida real” (expressão sua). Se me permite, neste caso concreto, parece que afinal foi aqui o activista de sofá a tentar apontar soluções de política pública, não caindo portanto em aspirações algo vagas de mudança da realidade social.

Saudações

domingo, 27 de abril de 2008

Orgulhosamente Oportunistas

O presidente do Comité Olímpico de Portugal apelidou hoje de “oportunistas” todos aqueles que defendem o boicote aos jogos olímpicos devido à questão do Tibete ou dos direitos humanos na China.

Oportunistas?!? Será que o sr. presidente do Comité Olímpico português queria mesmo utilizar este adjectivo? Ficámos então a saber que todos aqueles que querem que a China mude, que querem que os direitos humanos sejam respeitados naquela potência emergente, e que utilizam a proximidade dos Jogos para defender afincadamente as referidas causas, são todos uns “oportunistas”. Enfim, sem comentários…

Jardim: o Fait Diver Continua

Alberto João Jardim declara que ainda poderá candidatar-se a líder do PSD. (ainda vamos aqui?!?) Mas, para isso, exige que todos os candidatos que não merecem qualquer confiança o apoiem. Brutal…

Como condição para a sua candidatura, Jardim exige que todos os candidatos o apoiem contra Ferreira Leite. E acrescenta: “Não quero ser mais um metido num saco de gato de candidaturas que não merecem sequer qualquer confiança”,

Com os seus disparates regulares, Jardim lá vai conseguindo manchetes contínuas na imprensa. E contra este blogue falo também. A táctica de Jardim é boa, uma vez que é difícil resistir a descrever ou comentar o disparate.

Resposta Provocatória ao Líder do PPM-Açores

No seguimento do post abaixo sobre a disciplina de Ciência Política, o Activismo de Sofá recebeu o mais curto comentário da sua história: um mero “Não.” Bem… Confesso que esperava um pouco mais do Dr. Paulo Estevão, líder do PPM Açores e Vice-Presidente do PPM nacional.

Como é natural, o post poderia ter sido melhor fundamentado. Poderia ter beneficiado de uma melhor argumentação, sobretudo tendo em conta a problemática tão complexa do alheamento político dos jovens. Mas será que merecia um “não.” tão peremptório ? Quatro simples caracteres?

Terá sido uma gralha do Dr. Paulo Estevão? Se não, confesso que estava à espera de uma maior vontade de discussão por parte do tão activo líder do PPM Açores e Vice-presidente do PPM nacional. Fica a provocação…

sábado, 26 de abril de 2008

A Disciplina de Ciência Política do 12º Ano

Ainda na sequência da recorrente questão do alheamento político da juventude, vale a pena recordar que só muito recentemente foi aprovada uma cadeira de Ciência Política para o ensino secundário. É uma disciplina opcional e consta que ainda é muito pouco leccionada. Mas poderá fazer parte da solução.

A referida disciplina possui uma base programática ambiciosa, mas que em muito poderá sustentar o interesse dos mais novos sobre os domínios da política, do Estado, da democracia. Eis alguns dos módulos previstos no programa da disciplina.

- O Poder Político e o Estado
- O Constitucionalismo Liberal e os Direitos do Homem e do Cidadão
- As Ideologias Políticas
- A Reflexão Contemporânea sobre as Funções e a Extensão do Estado
- Regimes políticos democráticos e não democráticos
- Sistemas de governo na actualidade
- A relação dos cidadãos com a política
- O sistema político em Portugal

Para os mais curiosos, o programa pode ser consultado aqui. Nas páginas 7 a 9 é apresentada a estrutura de conteúdos do programa.

Sem querer ser corporativista, não faria sentido que a referida disciplina passasse a ser obrigatória no âmbito do ensino secundário?

Os Jovens e o Alheamento Político

É um assunto corrente e não um exclusivo português. O alheamento da actualidade política e a preferência por outras formas de participação é típico nas juventudes ocidentais. De qualquer modo, em vez de se assumir como uma quase fatalidade, importa analisar seriamente o contributo do sistema educativo para este progressivo alheamento político.

Não foi ontem, mas não passaram assim tantos anos desde que deixei o 3º ciclo ou o secundário. Garanto que, antes de ingressar na faculdade, o que sabia sobre o 25 de Abril e sobre a história recente portuguesa devia-se muito pouco ao que aprendi na escola. A segunda metade do século XX em Portugal fazia parte daquele pedaço da disciplina de História que os professores guardavam para o fim, e que merecia pouco mais do que meia dúzia de aulas.

Pegando neste mero exemplo dos programas de História, parece que existe muito mais interesse em preparar os meninos para as práticas da agricultura do feudalismo do século XIII, ou para a economia mercantil da expansão portuguesa, do que dotar-lhes de bases históricas recentes que lhes enquadrem o presente.

Desfile do 25 de Abril em Lisboa

Realizou-se mais uma vez, entre o Marquês e o Rossio. Nalguns anos vê-se que a afluência é menor. Noutros, não envergonha ninguém. Continua cá, com velhos e novos, para recordar Abril.

Alguns poderão considerar esta forma de comemorar bastante antiquada. Realizar uma marcha, uma parada, uma manif para comemorar a liberdade? Se calhar por isso é que nunca conseguimos ver lá representantes maiores das instituições políticas do país. Receio de serem assobiados? É bem possível…

De qualquer modo, para saudosos ou esperançosos, para os mais cépticos e para os mais convictos, o desfile tem permanecido ano após ano. Partidos, sindicatos, associações, autarquias, anónimos, entre outros, fazem questão de marcar presença. Comemoram a liberdade, comemoram a democracia. Existirão valores mais dignos de serem comemorados publicamente?

PS: Cavaco anda impressionado com a ignorância dos jovens sobre o 25 de Abril. Para “iluminar” o presente Governo, poderia já agora explicar como combateu a referida ignorância durante os seus 10 anos de governação.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Santana Lopes: Roteiro de um Regresso

Santana é o candidato que enfrentará Ferreira Leite. Está decidido. Trata-se do político que viu o seu governo ser destituído há menos de 3 anos e meio, numa humilhação quase sem precedentes na democracia portuguesa. Vale a pena recordar o roteiro do regresso do menino guerreiro.

Em Dezembro de 2004, Sampaio destitui o Governo de seis meses de Santana após uma governação catastrófica que até já era alvo de gozo em toda a opinião pública. Santana “desaparece” durante um ano e meio. Em Novembro de 2006, publica um livro com a sua versão da injustiça que lhe foi cometida. No mesmo mês, dá a primeira grande entrevista a Judite Sousa. Saiu-se muito bem, conseguindo justificar aquilo que até há um ano era injustificável.

Já em Março de 2007, consegue ir aparecendo cada vez mais na Assembleia, deixando recados ao líder. Aparece no corrente ano como comentador regular na televisão. Após a derrota do PSD nas intercalares de Lisboa, Santana começa a voltar a falar para o partido, criticando a direcção de Marques Mendes. Em Setembro, consegue a aprovação da opinião pública com a sua atitude de não continuar a entrevista interrompida pela chegada de Mourinho. Em Setembro, com a vitória de Menezes assume interesse na liderança da bancada parlamentar e consegue a aprovação do novo líder.

Em Abril de 2008, depois da demissão de Menezes, Santana é candidato à liderança do partido. Não parte como favorito, mas são poucos os que arriscam o prognóstico de uma derrota catastrófica no embate que se segue.

E amanhã, o que se segue? É fantástico como a “besta” de há três anos e meio consegue hoje ser novamente candidato a líder do principal partido da oposição. Santana Lopes é um verdadeiro fenómeno.

Nota: Este texto constitui uma actualização de um post feito em Outubro de 2007. Suspeito que novas actualizações se seguirão num futuro próximo.

O Dark Side do PSD

As dúvidas em torno do candidato da ala Menezista/Santanista permanecem. Os noticiários avançavam ontem com as possibilidades de Santana Lopes e de Alberto João Jardim (?!?) como eventuais candidatos… Os próprios comentadores na Sic-Noticias (Ricardo Costa e Henrique Monteiro) não disfarçavam o incómodo em torno deste Dark Side do PSD.

O PSD sempre se caracterizou pela existência de ínúmeras alas, estruturadas em torno de determinados barões. A corrida à liderança agora em curso revela-se um estudo de caso perfeito para a análise deste fenómeno. Por um lado temos Ferreira Leite, apoiada pelas alas barrosista e mendista do PSD, correntes que apesar de tudo se caracterizam por alguma seriedade.

Mas no que diz respeito a uma candidatura da ala menezista/santanista, teme-se o pior. Santana Lopes?!? Alberto João Jardim?!? Já agora, porque não Valentim Loureiro? Esta ala acaba por representar a face mais populista do PSD. A face que possui maiores carências no domínio da seriedade e honestidade. Representa, no fundo, o Dark Side do PSD.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Ratificação do Tratado de Lisboa: a Oportunidade Perdida

A ratificação hoje do Tratado de Lisboa pode representar uma vitória rumo a um progressivo federalismo europeu. Mas perdeu-se mais uma vez a oportunidade de consultar os cidadãos sobre os destinos da Europa. É lamentável que assim seja.

O tratado cujo conteúdo é desconhecido de 99% dos portugueses bem pode representar uma vitória para a Europa. Mas resta saber se o representa também para os povos europeus. Apesar dos riscos de um referendo, este teria representado uma oportunidade sem pararelo para se discutir a Europa, seus desafios, suas oportunidades. Não foi isso que aconteceu.

Neste contexto, é curioso verificar que foram precisamente os partidos ditos mais europeístas, que tudo fizeram (e conseguiram!) para esquivar-se à discussão e ao escrutínio popular do tratado. Tudo isto como se fosse perfeitamente normal em democracia o afastamento popular das grandes decisões políticas…

terça-feira, 22 de abril de 2008

Ferreira Leite e o Poder das Elites no PSD

Ferreira Leite apresenta-se agora como a principal candidata à liderança. Conseguiu o apoio dos principais barões do partido, o que não é algo a desconsiderar. Basta lembrar o que sucedeu o Menezes, o líder que foi eleito pelas bases há apenas 6 meses atrás…

A corrida à liderança do PSD parece agora estar mais estabilizada. Com Ferreira Leite como candidata, resta saber se a ala menezista/santanista entrará ou não na corrida. Santana Lopes será o candidato? A ver vamos. Mas a actual crise no PSD demonstra bem o papel determinante que as elites do partido possuem.
Menezes foi eleito contra quase todos os barões há apenas seis meses atrás. Não teve a vida nada fácil, sendo sujeito a um desgaste constante. O seu destino decidiu-se na semana em que os únicos dois barões que o apoiavam lhe retiram o tapete: Mota Amaral e a sua saída da Fundação Sá Carneiro e Ângelo Correia e suas declarações. É caso para dizer que, no PSD (assim como na maioria dos partidos políticos), as bases são importantes, mas as elites é que são determinantes.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

O Balanço Negativo da Visita de Cavaco à Madeira

Terminada a visita que se iniciou com uma polémica mais do que à altura, o balanço só pode ser negativo. Cavaco Silva esquivou-se claramente na assunção das suas competências enquanto Presidente da República.

As declarações de Jardim quanto ao “bando de loucos” que existe na Assembleia Legislativa Regional Madeirense até poderiam ser consideradas banais dado o espírito de “democrata combativo” do seu protagonista. Mas trataram-se de declarações proferidas nas vésperas da recepção do Presidente da República, órgão de soberania garante, em última análise, da democracia portuguesa. Por outro lado, o facto de Cavaco se ter sujeitado a não ser recebido na Assembleia Legislativa Regional foi também um péssimo sinal transmitido ao país.

No fundo, e perante as contrariedades apresentadas, o que fez Cavaco? Contra todos os apelos da oposição madeirense, literalmente assobiou para o lado, remetendo-se a um vago papel de mediador e de mensageiro da bonança. Como desde logo sublinhou Medeiros Ferreira, “estamos perante a primeira grande derrota política de Cavaco Silva neste seu primeiro mandato”.

Sócrates foi aos Açores, mas à Madeira nem pensar

Sócrates esteve hoje nos Açores no Congresso do PS. Esteve lá a apoiar Carlos César e já num acto preparatório das regionais de Outubro. Outras visitas à região seguir-se-ão até lá, certamente. Nada mais natural. Mas é interessante relembrar que nas regionais madeirenses do ano passado, o primeiro-ministro e secretário-geral do PS nem sequer se deslocou à Madeira.

As regionais de Outubro nos Açores serão certamente um passeio para Carlos César. O seu oponente social-democrata goza de um popularidade ínfima. O congresso do PS que se realizou este fim-de-semana foi uma consagração de César, o socialista açoriano que conquistou a região há já 12 anos. A presença de Sócrates foi importante, mas a sua ausência certamente não impediria o destino já traçado para as eleições de Outubro.

Esta visita aos Açores acontece cerca de um ano depois das regionais antecipadas na Madeira, onde Sócrates nem se deslocou para grande desilusão dos socialistas madeirenses. Acontece também no mesmo dia em que, depois de convidado/desafiado por Alberto João Jardim para visitar a Madeira, Sócrates respondeu não ter nada previsto para os próximos meses.

O primeiro-ministro e secretário-geral do PS gosta de visitar os Açores. É uma região “amiga”. Mas evita a todo o custo a chatice que pode representar uma visita à terra hostil do temível Alberto João. Se calhar, em 2011… Quem sabe?

sábado, 19 de abril de 2008

20 Canções para Zeca Afonso – 25 de Abril, às 21h no CCB

Eis um espectáculo certamente a não perder. Ocorrerá no 25 de Abril no grande auditório do Centro Cultural de Belém. Recordar Zeca Afonso, as músicas de sempre mas com novas sonoridades jazzisticas, é a ementa prometida.

“… a raiz popular presente na música de Zeca Afonso é recriada num contexto inovador que concilia as melodias das canções (vozes), os timbres jazzísticos do trio de Jazz (guitarra, baixo e bateria) que acompanha os instrumentos solistas (saxofone e piano) e a ambiência subtil do quarteto de cordas, numa fusão única de universos musicais que se complementam e enriquecem.”

O espectáculo contará com 11 músicos em palco: Alexandra Ávila (voz), João Almeida (voz), João Paulo Esteves da Silva (piano), Jorge Reis (saxofones), Rafael Fraga, (guitarras), Augusto Macedo (baixo), Bruno Pedroso (bateria e percussões), e o Quarteto de Cordas composto por António Jorge Nogueira (violino), Otto Pereira (violino), Sandra Raposo (viola) e Carlos Costa (violoncelo).

Mais informações sobre o projecto podem ser encontradas aqui. Poderão ser ouvidos alguns temas no leitor de MP3 na barra lateral deste blog. Fica a sugestão.

Eu também sou candidato a líder do PSD!

Foi uma decisão difícil. Reflecti e ponderei bastante. Não sou consensual entre os barões mas tenho recebido muitos apoios das bases do partido. É um sacrifício pessoal mas faço-o pelo PSD e por Portugal!

Desculpem a ironia mas, depois de saber que Patinha Antão é mais um dos ilustres que se dispõe a liderar o PSD e enfrentar Sócrates em 2009, por momentos achei que também aqui o activista de sofá se poderia candidatar. No fundo, o que é preciso para se apresentar como candidato a líder do PSD? Chama-se a comunicação social e pronto, está feita uma candidatura?

Bem, aplauda-se a forte democracia interna que o PSD demonstra possuir. Ou será que esta multiplicação de candidaturas apenas demonstra a total desorientação em que se encontra o partido? Humm… Deixem-me pensar… Um segundo… Ok, acho que me inclino mais para a segunda hipótese.

Os Candidatos a Sério

Depois de um dia em que três candidaturas para levar pouco a sério foram apresentadas, eis que surgem os primeiros sinais das negociações entre barrosistas e mendistas. Os mendistas defendem Marcelo Rebelo de Sousa. Os barrosistas dividem-se entre Ferreira Leite e Rui Rio. O que será melhor para o PSD?

Uma candidatura de Marcelo parece pouco provável. Estranho seria se o professor de Direito quisesse abandonar a sua confortável posição de senador para se sujar com a luta política, ainda por cima tendo em conta as fracas possibilidades de êxito em 2009. Quanto a Rui Rio, tenho dúvidas que as bases do PSD queiram novamente entregar o destino do partido a um autarca, ainda por cima que governe algures nas margens do Douro.

Neste contexto, Ferreira Leite parece ser uma hipótese com maior viabilidade. Reúne muitos consensos entre os barões do partido e, estranhamento ou não, agrada a uma larga fatia do eleitorado. Estará disposta a voltar realmente à luta política? Eis a questão.