domingo, 11 de janeiro de 2009

Cavaco anda fragilizado...


Depois de Carlos César ter tido o atrevimento de voltar a considerar despropositada a actuação de Cavaco sobre o Estatuto dos Açores, dois grandes “amigos” do Presidente também consideraram a algo desastrada a forma como este agiu.

No jornal das 19h da SIC Notícias, o sempre amigo Luis Delgado considerou incompreensivel o facto de Cavaco não ter enviado desde logo todas as normas que tinha dúvidas para o Tribunal Constitucional. Pelas 21h, também Marcelo foi considerou que Cavaco teve um “lapso” neste domínio. O sr. Silva não anda nos seus dias...

Sobre a concentração de eleições

O Expresso fez manchete com este tema a propósito de um possível desentendimento entre Sócrates e Cavaco. Estranhamente ou não, assumiu-se que Cavaco possui a mesma posição que o PSD: autárquicas e legislativas no mesmo dia poupariam dinheiro e, sobretudo, beneficiariam em muito os sociais-democratas.

A hegemonia social-democrata em termos de câmaras facilmente contagiaria as legislativas. Um cenário que Sócrates, como é evidente, não quer ver acontecer. Dai também a defesa que há muito faz da separação destes dois actos eleitorais. Quanto a legislativas e europeias no mesmo dia, com eventual antecipação das primeiras, aí o PS se calhar já não se importava...

O argumento não-polítiqueiro para a concentração de dois actos eleitorais – poupança nos custos – possui naturalmente validade. Cada eleição custa de facto uns valentes euros aos cofres do Estado. A concentração até podia ser um gesto de poupança em ano de crise.

No entanto, dados os naturais efeitos de contágio que a sobreposição ou excessiva proximidade de actos eleitorais poderá implicar, a democracia ganhará se se optar pela separação. Recorrendo a um lugar comum conhecido de todos, a democracia tem custos. Veremos se os partidos manterão esta posição até ao fim...

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Novidades, novidades?

Tudo na mesma, portanto… A comunidade internacional do costume, demasiado comprometida, demonstra mais uma vez não ter capacidade para actuar no âmbito do conflito israelo-palestiniano. Mais uma vez, a ONU não é levada a sério.
.
Talvez apenas uma forte mudança no tabuleiro de xadrez conseguiria mudar algo. Algumas esperanças são depositadas em Obama. A carta pública de Uri Avnery (ex-deputado do Knesset e ex-soldado que ajudou a fundar Israel) é um exemplo deste sentimento. Esperemos que algo mude a partir do dia 20. Mas com expectativas em abaixo. Em campanha, Obama não mostrou pretender que o papel dos Estados Unidos no tabuleiro do israelo-palestiniano mude significativamente. A ver vamos…

Cantinho de Culto

Há menos de uma semana, o Público criou um cantinho de culto nas suas edições impressas. Não só o Bartoon voltou ao caderno principal (a giant leap for mankind!), como agora se apresenta lado a lado com uma curta crónica de Miguel Esteves Cardoso.

O Bartoon representa para mim o que o Calvin representa para muitos: é um cartoon que acompanho religiosamente desde os imemoriais tempos da faculdade. Há muito foi remetido para o P2. Fico contente com o seu regresso ao caderno principal.

Quanto a Miguel Esteves Cardoso, pode-se gostar ou simplesmente detestar-se. Estas suas crónicas têm versado aquelas saborosas banalidades que sabem sempre bem pela manhã. Tenho gostado, deixando aqui apenas uma curta citação do texto de hoje: “É como a cor da capa do toureiro: é irrelevante. O que irrita o touro é haver ali um homenzinho de lantejoulas aos gritos e saltinhos.” Enfim, um cantinho de culto a não perder diariamente. Só é pena que, na edição online, esteja normalmente reservado a assinantes.

Números da Guerra (duas semanas depois)

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

E lá se foi o argumento de que só o Hamas usa escudos humanos…

«A Amnistia Internacional acusou ambas as partes de usarem civis como escudos humanos. “Soldados israelitas entraram e tomaram posições em diversas casas palestinianas, forçando as famílias a ficarem numa sala do rés-do-chão, enquanto usam o resto da sala como base militar ou para posições estratégicas para os atiradores furtivos”, indicou a AI em comunicado.» (Público, 08/01/2009)

O bando de loucos que apoia o Hamas

Helena Matos e um conselheiro da embaixada de Israel escrevem hoje no Público justificando a ofensiva israelita a Gaza. Como seria de esperar, não conseguem resistir a qualificar os que estão contra o conflito como apoiantes, conscientes ou inconscientes, do Hamas.

Julgo que nem vale a pena dissertar sobre o quão errado é este raciocínio. Fará algum sentido argumentar-se que toda a opinião pública mundial que está contra este conflito apoia um bando de criminosos, fanáticos e sanguinários que bebe da desgraça que assola os palestinianos? Ó meus amigos, haja paciência…
.
Se pudesse formular uma dicotomia simplista de opiniões em torno deste conflito e sobre o Hamas, diria que existem dois lados maioritários. Um que defende que a força das armas é o única solução possível para acabar com o Hamas. Um outro que defende que a força das armas é a melhor solução que existe para alimentar um grupo fundamentalista como o Hamas. Escusado será dizer em que lado me coloco.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Melhor escola pública votou a suspensão da avaliação


Eis mais um exemplo de como o descontentamento dos professores não é algo conjuntural. Não é algo simplesmente alimentado pelos holofotes da comunicação social. Não é algo que resulta da manipulação dos malvados sindicatos liderados por um sr. de bigode que vai aparecendo regularmente na televisão. É muito mais do que isso. É estrutural.

Os sindicatos aprenderam em Março que não podem fazer cedências sob pena de deixarem de ser representativos. O conflito entre professores e o Ministério da Educação atingiu tais proporções que os primeiros não descansarão enquanto não obtiverem a satisfação total das suas reivindicações. Corporativismo desenfreado, dirão alguns. Consequência da política do "reformarei contra tudo e contra todos", digo eu.

Legados da Cigarra...


“O Tribunal de Contas chumbou as contas dos dois primeiros anos do mandato de Pedro Santana Lopes na Câmara de Lisboa (2002 e 2003), por irregularidades ligadas à falta de informação sobre a realidade financeira e patrimonial da autarquia.” (Público, 07/01/2009)

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Números da Guerra (uma semana e meia depois)

.

Sócrates, Ricardo Costa e as Ventoinhas

E aqui está. Após algum corte e costura, eis o episódio em que Ricardo Costa interrompe Sócrates com a seguinte tirada: “Senão ficávamos aqui a ouvir falar de ventoinhas até à meia-noite.”
.
.
Como disse anteriormente, julgo que deve ter sido dos momentos mais interessantes da entrevista...

A Entrevista sem Manchetes

Na entrevista de ontem na SIC (video integral aqui), Sócrates mostrou mais uma vez que consegue estar uma hora diante de jornalistas sem ser apanhado, sem nunca se descair e também sem dizer qualquer novidade.

Hoje ainda conseguimos ver manchetes tais como “Sócrates assume que Portugal entrará em recessão” ou “Sócrates pede maioria absoluta”. Escusado será sublinhar a previsibilidade de tais assunções e pedidos. A entrevista foi tão previsível que as próprias reacções da oposição se tornaram bocejantes.
.
Sem querer ser irónico, julgo que um dos momentos mais marcantes aconteceu quando Ricardo Costa interrompeu uma resposta que Sócrates direccionou para as energias renováveis com a seguinte tirada (cito de memória): “Senão ficávamos aqui a falar de ventoinhas até à meia-noite.”

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

E a Grécia aqui tão perto?

“O rapaz de 14 anos baleado na noite de domingo por um agente à civil da Polícia de Segurança Pública (PSP), na sequência de uma perseguição na Amadora, não resistiu aos ferimentos e acabou por falecer esta manhã no Hospital São Francisco Xavier. (…)

"O jovem baleado na cabeça seguiria dentro de um carro, supostamente furtado, na companhia de outros dois suspeitos. Os agentes da Esquadra de Investigação Criminal da PSP da Amadora identificaram a matrícula do carro e avançaram para a perseguição.

Os três suspeitos acabaram por sair do carro e, segundo fontes policiais ao nosso jornal, pelo menos um deles estaria armado com uma pistola. Em forma de reacção a um eventual disparo, um dos agentes da PSP puxou da sua arma de serviço e atingiu o jovem na cabeça.” (Correio da Manhã, 05/01/2009)
.
Portugal não possui o movimento e a tradição anarquista que a Grécia possui. Mas não deverão ser postas totalmente de parte algumas reacções "menos convencionais” a este incidente… Aguardam-se confirmações e detalhes sobre o que de facto aconteceu. A ver vamos.

Os Senhores da Guerra (de Sofá)

Quanto mais intenso se torna um conflito ou uma guerra, mais alguns arautos do realismo belicista gostam de se fazer ouvir. O editorial de José Manuel Fernandes hoje no Público é um exemplo disso mesmo.
.
O director do Público disserta sobre a tabu que a palavra vitória constitui nos conflitos/guerras contemporâneas. Segundo José Manuel Fernandes, a História demonstra a necessidade de vitórias militares indiscutíveis ou absolutas para que a paz seja duradoura. Aplica então, como seria de esperar, essa grande máxima realista ao conflito israelo-palestiniano, nomeadamente à acção israelita sobre Gaza.
.
Julgo que nem vale a pena dissertar sobre a que custo eram obtidas as vitórias de que reza a História que José Manuel Fernandes evoca. Nem o quanto a vida humana tinha, infelizmente, um valor inferior quando comparado com o actual. Muito menos dissertar sobre o quanto a geopolítica do Médio Oriente e todas as condições socio-economico-culturais dos palestinianos determinam ao fracasso os objectivos de “paz duradoura” que Israel se propõe atingir através de acções militares.
.
Julgo que basta relembrar que José Manuel Fernandes foi um dos mais entusiastas defensores em Portugal da invasão do Afeganistão e, sobretudo, do Iraque. Os resultados destas suas anteriores cruzadas, que apoiou avidamente a partir do sofá, estão à vista…

“Obrigado Israel!” e “Obrigado Hamas!”

Com Gaza num caos total, com o número de vítimas civis a aumentar, com a população palestiniana desesperada, com manifestações em todo o Médio Oriente exigindo justiça contra Israel, o Hamas tem razões para estar contente e agradecer a Israel.
.
Os seus rockets surtiram o efeito desejado. O Hamas tem agora, e mais uma vez, razões acrescidas para existir, bastando-lhe beber calmamente do desespero e ódio que florescem entre toda a população da Palestiniana.

Dos dois lados do conflito, os senhores da guerra, os movimentos e partidos cuja conflito assegura popularidade, utilidade e até razão de ser rejubilam: “Temos estragos para vários anos!” será certamente o seu slogan na intimidade.

sábado, 3 de janeiro de 2009

Boa Prática

“A empresa da câmara municipal de Lisboa encarregada de gerir os bairros municipais da cidade pediu uma indemnização de quase seis milhões de euros a três dos seus antigos gestores...” (...) “A Gebalis baseia este pedido no facto de estes gestores terem feito gastos supérfluos e uma gestão ruinosa durante o tempo em que estiveram na empresa...” (TSF, 02/01/2009)
..
Gestores públicos responsabilisados por má gestão. Nada mau, pois não? Um importante exemplo, sobretudo tendo em conta o caractér quase inacreditável do caso Gebalis. Sem querer ser populista, só é pena que seja necessária uma verdadeira “escandaleira” para que a má gestão pública possa de facto ter consequências entre os seus responsáveis.

O Ensurdecedor Silêncio de Obama


Num momento em que a a actual administração americana nem tenta disfarçar de que lado está no conflito em Gaza, o silêncio de Obama está a revelar-se ensurdecedor...

Interessante Paralelismo

No seguimento de um post abaixo, o Paulo Pereira do Basalto Negro formula o seguinte paralelismo: “Se um movimento como o Hamas tomasse o poder em Marrocos e tivesse estas pretensões em relação a Portugal [destruir o nosso país] o que fariamos nós?”

Como é evidente, um tal paralelismo (assim como muitos outros) revela-se extremamente simplista dado o complexo historial do conflito israelo-palestiniano. De qualquer modo, os paralelismos como este podem ser sempre importantes para clarificar ideias e formas de ver o mundo.

Se um movimento radical como o Hamas tomasse o poder em Marrocos, não reconhecesse Portugal, quisesse destruir este país, mandasse para cá rockets com vista a difundir o terror e semeasse ódio assente em fanastismo religioso contra este país, de uma coisa eu estaria (e estou) certo: quantas mais bombas para lá enviássemos, mais ódio, rockets e mártires receberiamos em troca. Excessivo simplismo da minha parte?

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Bom Ano!

Um Excelente 2009 para todos os que por aqui passam!
Para os que não passam... Vá lá, um excelente 2009 também. ;)