
Não deixa de ser curioso (vulgo lamentável) verificar que Passos Coelho saiu-se bem no debate com Sócrates precisamente porque conseguiu pela primeira vez fugir bem à discussão do seu programa.
(Imagem: PSD)


Nestes momentos de campanha, é sempre engraçado ver como quem exerce o poder vai alternando entre a camisola de governante e a camisola de candidato. A título ilustrativo, durante o dia o governante preside a umas inaugurações e à noite o candidato desdobra-se em (outras) acções de campanha. Normalmente disfarça-se mal esta mudança de papéis, mas procura-se sempre disfarçar nem que seja um pouco.
A gafe de Merkel serviu pelo menos para três coisas:
Sócrates antecipou ontem um dos cenários que mais dores de cabeça pode provocar no pós-5 de Junho: e se o PS ganhar por um curta margem e o PSD e o CDS se apresentarem juntos prontos para governar? Como é natural tendo em conta os cenários em causa, o actual primeiro-ministro defendeu que deverá ser o partido mais votado a formar governo.
É certo que o mundo das sondagens por vezes parece um pouco alheado do mundo real. De qualquer modo, os diversos números das últimas semanas têm identificado algumas tendências difíceis de ignorar. Por um lado, uma clara recuperação do PS. Em prejuízo do PSD, do Bloco e do PCP, o Governo que assumiu o mais austero pacote de medidas das últimas décadas pode estar em vias de ser reconduzido. Por outro lado, e depois de se prever que desapareceria devido à ascenção laranja, o CDS de Portas parece caminhar imparável para um resultado histórico, com o PSD a oferecer-lhe de bandeja uma série de votos.






É curioso como nas reacções à morte de Bin Laden, ninguém mencione sequer o facto de ser lamentável que não tenha existido a possibilidade de o julgar. Destaco este facto não só por ser um direito humano, mas sobretudo porque é dificil acreditar que qualquer justiça seja feita com um "simples" tiro na cabeça de um terrorista como Bin Laden. O mesmo se passou com Saddam Hussein que, após ser capturado, foi rapidamente enforcado.