Hoje comprei, como sempre costumo fazer, mais uma edição do Le Monde Diplomatique. E mais uma vez fiquei desconsolado com o tamanho reduzido da edição portuguesa. É certo que os jornais não se medem aos palmos, mas…A edição portuguesa nunca foi muito volumosa. Mas, neste último ano, fruto certamente de dificuldades financeiras da editora, a edição tem saído sempre com sensivelmente 24 páginas...
Sendo uma publicação de referência, com bons textos, bons colaboradores, que trata temas da actualidade internacional e nacional assumidamente à esquerda, é lamentável que não consiga melhor afirmar-se no panorama dos média nacionais. O que falta? Financiamento, publicidade, assinantes certamente.
No meio de tudo isto, e para quem gosta de publicações de actualidade e ideias políticas, não podemos deixar de notar o desequilíbrio político que mensalmente encontramos nos quiosques. Á direita temos a Atlântico, em papel lustrado, a cores, com publicidade, com vida… Á esquerda temos um tímido Le Monde Diplomatique, cada vez mais fino e introvertido, que parece lutar mensalmente para sobreviver… Algo tem de ser feito para reequilibrar este panorama.
Creio que as dificuldades financeiras actuais da edição portuguesa fazem com que esta dependa totalmete da boa vontade de compra, assinatura e publicitação do jornal pelos seus leitores. É um facto.
ResponderEliminarMas também é certo que, mesmo com dificuldades, o jornal tem conseguido sempre manter a qualidade que sempre nos habituou.
Quanto à comparação com a Atlântico, o público alvo pode ser semelhante (embora à direita), mas parece-me que as publicações não podem ser comparadas. A Atlãntico tem um formato que depende totalmente de autores portugueses, trata os temas de uma forma menos profunda, o que certamente lhe garante uma maior saida nas bancas.
Não é, deste modo, possível pretender nem desejar que o MonDiplo se transforme numa Atlântico. Este deverá seguir a sua linha, precisando claro de um modelo comercial que o suporte financeiramente.
Mas concordo que faz falta uma revista do tipo Atlântico, mas à esquerda. Não haverá nenhum grupo de média ou equipa editorial que se chegue à frente nesta questão?
A esquerda em Portugal ou é alinhada partidariamente, ou clama sozinha no deserto, sujeita aos mecenas que por vezes aparecem fora das épocas eleitorais.
ResponderEliminarA esquerda "livre" só age quando resiste. Nessas ocasiões é forte e manifesta-se numa clandestinidade que transparece à luz do dia, nas pastas e secretárias dos gestores que passam panfletos e revistas proibidas de mão em mão.
A imprensa de esquerda séria vive sempre nos limites do endividamento, por isso são precárias e efémeros os seus títulos. A história prova-o. E neste tempo de dificuldades financeiras impostas aos trabalhadores por conta de outrem, a divulgação das ideias de esquerda paga muito para sair á luz do dia. Até quando?
Ser resistente é um acto de cidadania, que abala mas não muda a sociedade instalada, nem os poderes instituidos.
Há-de chegar novamente o tempo de passar a mensagem em panfletos distribuidos pela calada da noite...