A polémica em torno da Associação Nacional de Farmácias e os médicos acaba por reflectir bem o paradigma do “zangam-se as comadres…”. Acusações mútuas entre os interesses “obscuros” de cada uma das partes desviam a atenção da opinião pública do essencial..
Da mesma maneira que não faz sentido o farmacêutico poder substituir o medicamento de marca receitado por um genérico, também não faz sentido que o cidadão esteja 100% dependente da boa vontade do médico em assinalar na receita a possibilidade do genérico.
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A solução passa naturalmente por a receita ser passada com base no princípio activo. Nada deverá impedir que o médico recomende veementemente determinada marca, assim como o farmacêutico também poderá fazer o seu papel. Mas a decisão última deve, como é evidente, ser do cidadão. Estarei a ser demasiado simplista?
Da mesma maneira que não faz sentido o farmacêutico poder substituir o medicamento de marca receitado por um genérico, também não faz sentido que o cidadão esteja 100% dependente da boa vontade do médico em assinalar na receita a possibilidade do genérico.
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A solução passa naturalmente por a receita ser passada com base no princípio activo. Nada deverá impedir que o médico recomende veementemente determinada marca, assim como o farmacêutico também poderá fazer o seu papel. Mas a decisão última deve, como é evidente, ser do cidadão. Estarei a ser demasiado simplista?
Caro JRV,
ResponderEliminarnão.
E esta situação é ainda mais penosa para os pensionistas que deixam metade das suas parcas reformas na farmácia.
No limite, poderia o utente/doente assinar um termo de responsabilidade, onde assume a responsabilidade pela troca por um genérico.
O que não faz sentido é ser o médico a limitar/ proibir essa substituição.
mas a prescrição do princípio activo, parece-me a solução de futuro.
Cumprs.
As farmácias tomaram esta posição, com base no lucro, estou convicto.
ResponderEliminarE os médicos, não aceitam que os medicamentos receitados sejam substituídos por genéricos, com base em quê?
Põem em causa a qualidade do genérico, que tem o mesmo princípio activo?
Por mais explicações que os médicos deem, eu não percebo.
Penso que se está a reeditar a luta pela limitação dos números clausus aos estudantes de medicina, com os resultados nefastos já conhecidos.
Nesta luta de lobbies, quem deve ser responsabilizado pela defesa do utente será sempre o legislador, por isso é crucial que estes, os membros da assembleia, respondam ao país por que raio aprovaram esta lei.
Os genéricos não oferecem coisas (Mp3´s, ipods, aparelhagens, etc) nem pagam viagens para congressos na China e nos States.
ResponderEliminarO facto de dois medicamentos terem o mesmo princípio activo não significa que actuem necessariamente da mesma forma.
ResponderEliminarConforme o tipo de revestimento do comprimido/cápsula e os excepientes usados a absorção pode ser mais lenta ou mais rápida, mais ou menos completa.
Doentes crónicos que tomam a mesma droga há muitos anos (e têm variado de medicamento ao longo do tempo por força das circunstâncias) atestam isto mesmo: "uns medicamentos funcionam melhor do que outros".
Existe também um problema em permitir que um medicamento seja substituído a meio do tratamento (como pode acontecer quando se usa o critério estritamente económico): pacientes idosos, que tomam vários medicamentos diferentes todos os dias, com posologias diferentes podem - e frequentemente ficam - baralhados se um comprimido mudar de forma ou cor durante o tratamento. Daí resultam facilmente sobre e sub-dosagens que podem ser inócuas ou gravíssimas conforme os casos.
Serem as pessoas a decidir parece uma solução boa na medida em que responsabiliza a pessoa que, à partida, é a principal interessada em tomar a decisão correcta. Mas é preciso garantir que os doentes têm toda a informação necessária para tomar a decisão correcta, e isso pode não ser fácil de conseguir.