domingo, 28 de dezembro de 2008

Samuel Hungtington e a sua obra

Faleceu hoje (Sábado) um dos mais mediáticos politólogos da actualidade. Hungtinton (1927-2008) massificou-se sobretudo após a sua obra “The Clash of Civilizations”. Pessoalmente, apesar de ser interessante, não acho que seja a mais notável.

O Choque das Civilizações representa, a meu ver, um daqueles ensaios deveras ousados de um cientista social em fim de carreira. Está longe de constituir uma obra ciêntifica. Julgo aliás que esta obra de Huntington é tão científica como “O Fim da História e o Último Homem” de Fukuyama. Trata-se, no fundo, de um ensaio.

Neste contexto, enquanto obra marcante de Huntington destacaria, pelo contrário, “A Terceira Vaga”, obra que teoriza sobre as vagas de democratização ocorridas desde o século XIX até à actualidade. Foi esta obra de Huntington que apontou a transição para a democracia em Portugal como pioneira da Terceira Vaga de Democratização, que varreu depois a Europa do Sul (Espanha e Grécia), a América Latina, a Ásia e finalmente a Europa de Leste.

A Terceira Vaga é incontornável para os estudiosos da democracia. Para todos os interessados em dar uma vista de olhos nesta importante obra, poderão consultar parcialmente aqui no Google Books.

sábado, 27 de dezembro de 2008

Israel: Um erro histórico?

O que se está a passar em Gaza é algo a que nos habituamos há gerações. Apenas se torna mais sintomático dada a sua dimensão: 200 mortos num ataque israelita.

Sem desculpar de modo nenhum as responsabilidades dos palestinianos (e outros povos árabes) numa guerra que dura há décadas, Israel demonstra mais uma vez o grande e triste erro histórico que foi a sua formação após a II Guerra Mundial (pelo menos naquele local).

Bem sei que serei considerado simplista e blasfemo por exprimir a convicção acima sem mais. Mas que outra conclusão se pode retirar de um Estado que, desde a sua formação, esteve em permanente estado de guerra com os seus vizinhos para justificar uma existência que lhe foi assegurada por decreto?

Como é evidente, um Estado nunca reconhecerá que a sua existência (naquele território) foi um erro histórico. Não podemos esperar isto de Israel e não se poderá evidentemente voltar atrás. De qualquer modo, a consciência de tal facto por parte da comunidade internacional poderia certamente ajudar a resolver o conflito em causa.

É a minha opinião, que reconheço ser muito dura e algo cruel. Não sou um especialista da história do Estado de Israel e do conflito israelo-palestiniano. De qualquer modo, gostava de saber a opinião de outros que por aqui passam.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Christmas Silly Season

Surgiu agora um suposto caso de indiciplina numa escola do Porto. Como não podia deixar de ser, foi devidamente inflamado pela disponibilização de um video no You Tube e por ter gerado uma manchete num jornal nacional (JN).

Quem vê o video acima no You Tube, dificilmente chega a grandes concusões. Tendo em conta as declarações da professora visada de que se tratou de um “brincadeira de mau gosto”, e a desvalorização subsequente do Conselho Directivo afirmando que se tratam de bons alunos sem precedentes de indisciplina, rapidamente inclinamo-nos a considerar que, à partida, trata-se de pouco mais do que um fait diver empolado por uma comunicação social com falta de notícias durante a época natalícia.

No entanto, no meio desta história, destaca-se sobretudo a inabilidade com que alguns responsáveis reagiram ao assunto, procurando retirar dividendos. Mário Nogueira esteve mal ao exigir que os alunos fossem rapidamente punidos. E pior ainda esteve o presidente da Federação de Associações de Pais do Norte ao insinuar que os sindicatos poderão ter “encomendado” a divulgação deste video. Enfim... Tudo indica serem efeitos da christmas silly season...

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Oh oh oh! Boas Festas!

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Andava eu à procura de um video de Natal…

... e eis o que encontro no You Tube: "Santa vs Jesus".
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Curto Manifesto pelos Serviços Públicos


Na sequência da sua participação no Fórum das Esquerdas, Jorge Bateira, José Castro Caldas, André Freire, Alexandre Azevedo Pinto, José Reis e João Rodrigues (alguns dos Ladrões de Bicicletas) publicam hoje no Público um curto manifesto pela defesa dos serviços públicos. Uma vez que, na edição online, o artigo está reservado a assinantes, divulgo aqui o texto na integra. Subscrevo-o na integra.

Em defesa do público nos serviços públicos
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"Participámos no painel sobre economia do encontro Democracia e Serviços Públicos. O debate tornou claro que o pluralismo das esquerdas não tem de ser sinónimo de falta de diálogo e de cooperação. Este encontro demonstra que há muita gente (nos partidos de esquerda e independentes) que entende que a excepção portuguesa da incomunicabilidade e da ausência de cooperação entre as esquerdas não é um problema insuperável. As convergências fazem-se com diálogo aberto sobre os pontos de concórdia e discórdia. Entre as esquerdas, o pluralismo é positivo e enriquecedor, desde que sem sectarismos. Mais: muitos como nós pensam que a resposta política para boa parte dos problemas com que hoje o nosso país está confrontado passa por entendimentos entre as diferentes correntes da esquerda.
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No âmago da divisão entre esquerda e direita está a valorização da igualdade das condições e oportunidades de vida. Isto não significa que todas as direitas sejam necessariamente inigualitárias. Mas há uma direita para quem a única igualdade seria a igualdade perante a lei que, rejeitando a acção política para promover a igualização das condições e oportunidades de vida, prefere confiar fundamentalmente no mercado. As esquerdas, pelo contrário, olham para o Estado como um instrumento crucial da promoção da igualização das condições e das oportunidades de vida.

Não se trata de defender o predomínio do Estado sobre os indivíduos. Do que se trata é de defender um papel fundamental para o Estado na área dos serviços públicos (saúde, educação e segurança social) e também em sectores estratégicos da economia, nomeadamente nos chamados "monopólios naturais". Não se trata apenas de melhor servir o desiderato da igualdade. O que está em causa é também um modelo de desenvolvimento: o investimento privado é uma componente central da economia, devendo ser fortemente apoiado nos sectores que produzem bens e serviços transaccionáveis, não apoiado nos sectores protegidos da concorrência internacional e indesejável nos serviços públicos e nos monopólios naturais.

No processo de privatização da provisão de serviços públicos, o Estado transforma-se no que já foi designado de "Estado Predador" - uma coligação de interesses económicos rentistas que prosperam no quadro de um regime de acumulação baseado na expropriação dos recursos públicos. O caso português é ilustrativo. Na sequência do processo de privatizações (re)constituíram-se em Portugal grupos económicos que se caracterizam precisamente pelo acantonamento na produção de bens não transaccionáveis e pela penetração crescente na esfera da provisão de serviços públicos.

As consequências de tudo isto estão à vista nos países onde o processo foi levado mais longe: fractura social entre os que têm acesso (à saúde, ao ensino e à protecção face aos riscos de desemprego) e os que não têm. Onde o processo ainda vai a meio é patente o aumento do custo e a degradação da qualidade dos serviços (anteriormente) públicos. Em Portugal, que de há décadas a esta parte continua a situar-se entre os campeões das desigualdades na distribuição de rendimentos em toda a UE e onde os salários continuam tão baixos que um terço dos beneficiários do "rendimento social de inserção" trabalha, a qualidade e a universalidade dos serviços públicos está também sob pressão. Contrariando uma certa imagem construída pelos seus adversários, de que as esquerdas socialistas seriam um movimento "bota-abaixista" desprovido de propostas exequíveis, o debate permitiu identificar acordos em torno de algumas linhas de política:O reconhecimento da centralidade do papel do Estado. Esta centralidade não deve ser confundida com o papel que o Estado actualmente desempenha na socialização das perdas do sector financeiro. A designação "Estado estratega" foi já utilizada para caracterizar o que agora, em contexto de crise, mais do que nunca é necessário: um Estado que em nome do interesse público reassume o controlo de sectores estratégicos, se responsabiliza pela provisão de serviços públicos e pela gestão do território, e utiliza os meios de que dispõe para incentivar e enquadrar o investimento privado.

Valorização do serviço público. Em desacordo com as teorias e as práticas da "nova gestão pública", que tão influente se tornou entre nós dando origem a mais conflitos do que reformas, subscrevemos o que um de nós afirmou: "O nosso país não está condenado a escolher entre serviços decadentes e burocratizados, de um lado, e a erosão do Estado conduzida segundo a ideologia gestionária da modernização, do outro." Existem formas de modernizar a administração pública que, não reduzindo os servidores do Estado à condição de oportunistas e egoístas, podem nutrir os valores e os significados característicos da ética de serviço público. Os funcionários podem e devem ser mobilizados para garantir o sucesso de quaisquer reformas.

Combate à desigualdade pela valorização do trabalho. A direita procura reduzir o combate à desigualdade à provisão de mínimos de subsistência para os que não podem trabalhar, ou a uma redistribuição do rendimento compensatória. O caso português é ilustrativo das limitações das políticas sociais meramente reparadoras. Para a direita, a determinação do valor do trabalho deveria ser deixada ao mercado. Em alternativa, entendemos ser necessário promover a desmercadorização do trabalho através de regras que protejam os trabalhadores, combatam a precariedade e garantam salários dignos. O desemprego deixou já de ser o principal mecanismo gerador de pobreza, o próprio sistema produtivo voltou a produzir, a par de mercadorias, trabalhadores pobres.

Queremos acreditar que estes debates foram o primeiro passo de um processo que dê aos portugueses razões para enfrentarem o futuro com mais confiança. "

* Jorge Bateira, José Castro Caldas, Alexandre Azevedo Pinto, José Reis e João Rodrigues são economistas. André Freire é politólogo

Cenários para Lisboa


Ana Sá Lopes escreve hoje no Diário de Notícias sobre os desafios de António Costa em manter a Câmara de Lisboa para o próximo ano (ver aqui). Apesar de exclusivamente baseado em cenários (como não podia deixar de ser), o artigo reflecte bem o quanto o xadrez político actual poderá dificultar muito a tarefa a António Costa, beneficiando naturalmente Santana.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Prendinha de Natal


O Tribunal Constitucional "chumbou" hoje por unanimidade a norma do Código do Trabalho que alargava de 90 para 180 dias a duração do período experimental para a generalidade dos trabalhadores. (...) A declaração de inconstitucionalidade obriga à devolução do diploma à Assembleia da República, o que deverá inviabilizar a entrada em vigor do Código do Trabalho a 01 de Janeiro, como estava previsto. (Público. 23/12/2008)

Com este chumbo originado pelo pedido de fiscalização preventiva vindo de Belém, Cavaco oferece uma “simpática prendinha” a Sócrates. Não só corta simbólicamente pela esquerda as políticas do Executivo socialista, como permite que a temática do Código de Trabalho volte à agenda nos próximos tempos. Sócrates não deve caber em si de contente...

Salvem o Catolicismo

«O Papa Bento XVI indicou hoje que salvar a humanidade de comportamentos homossexuais ou transexuais é tão importante como salvar as florestas tropicais da destruição. “[A Igreja] deverá proteger o homem de se destruir a ele mesmo. É preciso uma espécie de ecologia do Homem”, disse o Sumo Pontífice num discurso perante a Cúria Romana.» (Público, 22/12/2008)

Em resposta, eu diria que salvar a Igreja do próprio Bento XVI, e do seu ultra-conservadorismo, é quase tão importante como salvar a camada do ozono. Quer queiramos, quer não, a Igreja Católica desempenha importantes papeis sociais. A sua influência dificilmente pode ser ignorada nas culturas de diversos países ocidentais.

O catolicismo sempre se caracterizou por ser conservador em diversos domínios sociais. Mas, depois de João Paulo II, assitir ainda a um intensificar do referido conservadorismo é mais do que lamentável. Bento XVI representa tudo o que o Catolicismo não precisa nos tempos actuais. Salvem o Catolicismo do próprio Bento XVI.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

As indisponibilidades de agenda...

Há dias, a Ministra da Educação recebeu 13 professores com um abaixo-assinado de 1500 assinaturas a favor do modelo de avaliação de desempenho.

Hoje, a ministra invocou indisponibilidade de agenda para receber um abaixo-assinado com quase 70 000 assinaturas que defende a suspensão do modelo de avaliação e a revisão do Estatuto da Carreira Docente. Ó meus amigos, não havia necessidade, pois não?

Parem tudo! António Costa discordou do Governo

Como é sabido, um dos principais pontos fracos do autarca de Lisboa tem sido a sua dificuldade em opor-se ao Governo em assuntos que afectam particularmente os interesses da cidade.

O novo aeroporto e a ampliação do porto de Lisboa são apenas dois exemplos paradigmáticos do encurralamento a que António Costa se tem submetido. Mas hoje, o n.º 2 do PS resolveu mostrar que consegue ser “irreverente”: discordou da construção de um novo Museu dos Coches (???). Enfim...

Sinceramente tenho pena que António Costa não esteja a conseguir convencer os habitantes de Lisboa. Esperava-se mais, muito mais desta sua presidência (mesmo com pouco dinheiro). É que os eleitores da capital podem não ficar satisfeitos que uma “formiga” governe a sua cidade. Como consequência, rapidamente poderão deixar-se levar (tal como já aconteceu) pelos cantigas das “cigarras” que por aí andam...

Concertação Social não existe em Portugal (Cap. MMCXXVII)

Como mais uma vez demonstram os resultados das negociações entre Governo e Sindicatos da Função Pública, a concertação social é algo que não existe em Portugal. Este é só mais um dos capítulos de um saga que parece não ter fim.

Todos os anos, ouvimos os Governos anunciarem uma determinada política de aumentos (ou congelamentos). Assistimos depois ao que ainda são denominadas como “negociações”. Vemos, por fim, os sindicatos a sairem chateados porque a posição do Governo foi irredutível, convocando greves ou outras formas de protesto. Ou seja, a denominada concertação social nunca funciona.

Muitos apontam irremediavelmente a responsabilidade deste não funcionamento aos instransigentes sindicatos portugueses. Uns malvados, que nunca estão satisfeitos, dominados por bandos de comunistas que se limitam a repetir cassetes sobres “os ataques do Governo contra os trabalhadores”.

Resta saber se algum dos Governos até à actualidade já cumpriu o seu papel no âmbito da denominada “concertação social”. Se já efectivamente negociou aumentos (ou congelamentos) com os sindicatos. Humm... Deixem-me ver... Nope, não estou a ver nenhum que o tenha feito... As políticas são anunciadas unilateralmente, sendo as reuniões de concertação social meras formalidades onde a parte que decide apenas comunica, não negoceia o que quer que seja.

Posto isto, quem são afinal os culpados por a concertação social não existir em Portugal, Governo ou sindicatos? Os sindicatos, a meu ver, limitam-se a fazer o seu papel. Os Governos farão o seu? Deixo sinceramente à consideração dos leitores deste post a resposta a esta questão.

sábado, 20 de dezembro de 2008

No meu tempo é que era! Mandava os Governos abaixo e mai nada!

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"Numa situação de crise como esta creio que não se justifica a dissolução da Assembleia da República. Numa situação diferente [essa hipótese] seria de considerar." (Ramalho Eanes, 18/12/2008)
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Bem... Ramalho Eanes conseguiu, de forma destacada, dizer o maior disparate de toda esta discussão em torno do Estatuto dos Açores. Mas enfim... Quem é que manda pedir opiniões a alguém que deixou de ser Presidente há 22 anos atrás? Dá nisto.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Estará a ser irónica?

…em democracia há sempre soluções para os problemas.”
Manuela Ferreira Leite, na mensagem de Natal no site do PSD (via DN)

That's one small step for (a) man, one giant leap for mankind

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"O Presidente eleito norte-americano Barack Obama espera que, a meio do seu mandato, a prisão de Guantánamo já esteja fechada." (Público, 18/12/2008)
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O secretário americano da Defesa, Robert Gates, pediu à sua equipa que prepare um plano para o encerramento do centro de detenção de Guantánamo, anunciou hoje o seu porta-voz, Geoff Morrell.” (Público, 18/12/2008)

Sobre as supostas inconstitucionalidades do Estatuto dos Açores

Hoje deverá ser votado o Estatuto que tanta polémica tem causado. Para alguns, representará uma forte pedrada no charco da cooperação estratégica entre o Governo e Cavaco. Tudo porque Cavaco defende que, num dos artigos do Estatuto, as competências do PR estão a ser postas em causa. Será tanto assim?

O referido artigo sublinha a necessidade do Presidente da República auscultar, para além do Conselho de Estado e da Assembleia da República (previsto na Constituição), o Governo Regional e a Assembleia Legislativa Regional antes de proceder à dissolução do parlamento açoriano. Uma interferência que, segundo alguns, é inadmissível por parte de uma “lei ordinária”.

No entanto, há algum tempo atrás, Carlos César sublinhou algo importante no âmbito desta discussão que, vá-se lá saber porquê, não teve qualquer repercussão na discussão a nível nacional:
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“Desde 1976 que a Constituição estabelecia para a nomeação do Ministro da República (figura extinta em 2004) que o PR devia ouvir o Conselho de Estado, procedendo à nomeação sob proposta do Primeiro-Ministro e, desde 1980, e no texto ainda em vigor do Estatuto dos Açores, consta (…) dever o Governo da República ouvir o Governo Regional e o Presidente da República ouvir também a Assembleia Regional.”
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Ou seja, o dever de auscultação dos órgãos regionais, mesmo que tal não esteja explícito na Constituição, não é uma novidade. Antes pelo contrário. Existe um precedente que possui 28 anos. Como sublinha César, e bem, tal nunca gerou reservas por parte de constitucionalistas, analistas políticos, deputados ou comentadores. Muito menos por parte de Cavaco Silva, primeiro-ministro e líder social-democrata durante 10 anos. Porquê agora toda esta confusão?
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E mais. Como é sabido, o PSD governou a região durante 20 anos (1976-1996). As suas maiorias absolutas tornam-no um dos principais responsáveis pelas diversas versões do Estatuto dos Açores que, pelos vistos, incluía já auscultações que não estavam previstas na Constituição. Porquê agora toda esta confusão?

Resposta simples: não são as suspeitas de inconstitucionalidade que estão a gerar um braço de ferro entre o Governo e o PR; o braço de ferro entre o Governo e o PR é que está a impulsionar as suspeitas de inconstitucionalidade.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

O Sapato e Bush - Jogos e Animações

Como seria de esperar, já começaram a surgir online as primeiras graçolas sobre o incidente do "arremesso" do sapato a Bush. Entre jogos e gifs animados, eis os que me pareceram melhor conseguidos até ao momento:

Sock and Awe
(Clicar para jogar. Vale mesmo a pena.)

Animação Matrix Style

Não tenho dúvidas que, nos próximos dias, muitas outras destas graçolas surgirão... ;)

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Recados Anedóticos

Quando foram aprovados os 20 mil milhões de garantias, falar-se em contrapartidas foi considerado despropositado e quase absurdo. O importante era avançar-se rapidamente com um cheque em branco a Teixeira dos Santos e à banca. Depois logo se veria…

Como se não bastasse, o presidente da Associação das Pequenas e Médias Empresas veio denunciar que "As garantias públicas estão a ser usadas [pela banca] para limpar o crédito concedido, tal como já há muito tempo o capital de risco está a ser usado para transformar dívida em capital", em vez de se estar de facto a financiar a economia.
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Enfim… Eis os efeitos dos cheques em branco. Graças a eles, vemos agora quem desvalorizou e considerou inútil a definição inicial de contrapartidas a fazer um pseudo-papel de mauzão junto dos bancos. Um papel para comunicação social ver. É anedótico, mas sobretudo triste...

Santana é candidato. E agora?

Após um insólito suspense que parecia não ter fim, o PSD de Ferreira Leite confirmou a escolha de Santana como seu candidato a Lisboa. E agora? Que conclusões tirar da entrada na corrida do “menino” que é “guerreiro” e que possui uma incrível capacidade de ressurreição?

Tal como tem sido sublinhando em diversos locais, a escolha de Santana constitui um tremendo esforço na coluna vertebral de Ferreira Leite. Santana é tudo o que a líder do PSD criticou no âmbito do seu partido. Mas pronto, Santana está sempre disponível, o que é uma chatice. Ferreira Leite arriscou forte numa jogada cujo resultado é incerto no interior do PSD, mas não só.

É presentemente complicado fazer futurologia sobre quais as hipóteses que Santana tem contra António Costa. Se, tal como aconteceu quando foi primeiro-ministro, Santana tiver todos os líderes de opinião contra si (nomeadamente na comunicação social), gerar-se-á um efeito bola de neve de identificação de trapalhadas que rapidamente o descredibilizará junto da opinião pública.

Mas se Santana se mantiver relativamente discreto e revelar-se assertivo em termos políticos contra António Costa, beneficiando de alguma benevolência da comunicação social e de líderes de opinião, as favas não estarão contadas para o actual presidente da CML. No cenário actual, acredito sobretudo na primeira hipótese. Mas a segunda não deve ser descartada.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Um novo Herói


O gesto do jornalista iraquiano está a ter repercussões em todo o mundo árabe. Manifestações a exigir a sua libertação, mas não só… Muntazer al-Zaidi, 29 anos, jornalistas do canal Al-Bagdadia, tornou-se um herói devido a todo o simbolismo que o seu gesto implicou.

1 - “Na Arábia Saudita, um jornal relatou que o homem recebeu uma oferta de US$10 milhões por apenas um dos sapatos que certamente serão os mais famosos do mundo.
2 - "A filha do líder libanês Moammar Gadhafi concedeu ao atirador de sapatos, o jornalista Muntader Al-Zaidi, 29, uma medalha de coragem.
3 - "Um canal de televisão libanês, conhecido pelas suas posições contra os Estados Unidos, ofereceu um emprego ao jornalista que lançou um par de sapatos contra o Presidente norte-americano George W. Bush. (…) “… o jornalista será pago a partir do momento em que lançou (o primeiro) sapato.”

Eis um exemplo de como o simbolismo de um gesto vale mais do que não sei quantos atentados… Muntazer al-Zaidi ganhou as opiniões públicas. É um herói no mundo árabe e acredito que no resto do mundo também.