segunda-feira, 1 de março de 2010

Marcar na agenda

Para os que são dos Açores, para os que gostam dos Açores, ou para aqueles que gostam dos Açores mas ainda não sabem que gostam, a semana da Cultura Açoriana no S. Luiz que agora se inicia promete bastante. Aqui fica o programa.

Uff, depois de semanas em blackout...

...finalmente consigo falar novamente sobre futebol.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Mas não digam a ninguém...

No seu editorial desta semana, António José Saraiva indica quem é o candidato mais forte à liderança do PSD através da perfunta que raramente falha: "Quem é o mais odiado pelo PS?". Paulo Rangel é a resposta mais evidente. Por mais que custe reconhecer, julgo que o director do Sol tem razão. Mas não digam a ninguém...
(Imagem: Corporações)

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Ah e tal… O centro histórico e os jovens e tal…

A reabilitação dos centros históricos de Lisboa e Porto são temas que há décadas se encontram nas agendas políticas. Toda a gente concorda com a importância de preservar tais centros, dar-lhes dinamismo, chamar população mais jovem para lá habitar.

Curiosamente, o consenso em torno do problema é proporcional à moleza com que se age para o contrariar. Tornou-se assim numa daqueles temas circunstanciais que até já ficam bem em qualquer conversa: “Nunca mais chega o Verão…”, “Então e o Benfica?”, “Isto está cada vez pior…”, “A baixa está envelhecida”.
(Imagem: Ulisses)

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Tudo bons rapazes

Qualquer força política que assume o poder a nível nacional tem à sua disposição uma imensidão de recursos para distribuir pelos seus próximos. A quantidade de nomeações para cargos de direcção nas centenas de organismos do Estado é apenas uma das faces mais visíveis deste processo. Se a isto somarmos o batalhão de adjuntos e assessores, consultores e especialistas, verificamos que qualquer lider político no poder a nível nacional possui um verdadeiro exército de fiéis.

Todo este exército é-lhe muito útil. Não só pelo facto de serem seus seguidores, passando a sua mensagem, apoiando-o na implementação das suas políticas/orientações gerais, mas também por conseguirem defendê-lo nos momentos difícieis. São exércitos extensos, constituídos por pessoas muito diferentes, com calibres variados. Alguns, mais solícitos, destacam-se por apoiar o líder cegamente e atacar os seus adversários sem hesitações, mobilizando para o efeito os meios que forem necessários.

Os contornos que têm vindo a ser descobertos de forma lateral (e ilegal) a propósito do processo Face Oculta, desde a questão da compra da TVI pela PT até às supostas contrapartidas do apoio de Figo a Sócrates, são bastante ilustrativos a este respeito. Tudo indica serem acções desenvolvidas pelo tal tipo de seguidores fervorosos da liderança, rapaziada porreira tipicamente muito próxima do poder.

Muitos do que integram esta rapaziada actuam a mando das lideranças. Outros actuam com a concordância implícita destas. Outros até actuam por sua conta e risco. Há de tudo. No entanto, como é evidente, não o fazem de forma desprendida. Fazem-no numa espécie de demonstração de fé, esperando colher dividendos por tão nobres serviços prestados ao grupo.

É curioso verificar que este tipo de malta que circunda o poder não surge do nada. São subprodutos naturais dos batalhões de fiéis que as lideranças políticas tanto gostam de alimentar e recompensar. Quando as suas jogadas sujas são descobertas, as lideranças começam por as negar. Depois desviculam-se. Por último, reprovam-nas fortemente. O problema é que ninguém tem dúvidas que não há inocentes nas lideranças políticas e que tais pruridos apenas sucedem quando as jogadas são descobertas...

Artigo publicado ontem no Açoriano Oriental
(Imagem: Smart Modern Art)

Grande som

O Sol voltou a brilhar em Belém

Há alguns meses atrás, Cavaco teve o seu período negro com o caso Público e com a desastrosa e inesquecível comunicação ao país. Seguiu-se um período de recolhimento que parece ter agora todas as condições para ter chegado ao fim.

O Governo atravessa o seu pior momento, a Justiça continua sem merecer a credibilidade que devia, a comunicação social está enfraquecida com as audições no Parlamento e as divisões à esquerda que a candidatura de Fernando Nobre veio trazer deverão ser boas notícias para a (re)eleição presidencial. Cavaco tem agora todas as condições para surgir como garante da estabilidade do país e das suas instituições.
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A tudo isto podemos adicionar a forte probabilidade do PSD poder renascer das cinzas a curto prazo com um novo líder, podendo então assumir-se rapidamente como alternativa ao actual Executivo. Cavaco surgirá assim como grande árbitro, como grande juiz do rumo do país. Será a figura para quem todas as atenções se virarão quando qualquer caso estalar, quando qualquer crise acontecer.

Como é natural, o panorama acima não passa de um cenário. Mil e um factores poderão alterar o rumo dos acontecimentos. Mas é também com base em cenários e perspectivas prováveis para o futuro que a posição política presente dos diversos actores se define. Assim sendo, Cavaco tem hoje razões para sorrir.
(Imagem: Ruptura Vizela)

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Sobre a entrevista de Sócrates

O primeiro-ministro demonstrou que está muito enfraquecido (ver entrevista completa aqui), limitando-se a negar repetidamente sem justificar as perigosas proximidades que são atribuidas nos casos PT/TVI e Figo. Toda a gente sabe que a violação do segredo de justiça é um crime gravíssimo e que merece solução. Mas não comentar afirmações de uma gravidade inqualificável por estas terem sido obtidas com violação de segredo de justiça é uma péssimo sinal vindo de um primeiro-ministro. Assim não convence ninguém. E gostemos ou não, este é o momento mais crítico desta liderança socialista. Ou convence a opinião pública rapidamente ou acabam-se as esperanças de aguentar qualquer embate eleitoral que lhe possa surgir a curto/médio prazo.
(Imagem: SIC)

Nunca tive tanta vontade de estar enganado

Sublinhei em posts anteriores (aqui e aqui) os perigos de divisão do eleitorado à esquerda proporcionados pela candidatura de Fernando Nobre. Cometi o erro de considerar que tal era óbvio. Não o é, de facto. E a prova disso mesmo é a quantidade de opiniões que tenho lido a sublinharem que tal candidatura até pode vir a ser responsável por uma segunda volta, indo buscar votos à abstenção e ao eleitorado de Cavaco.
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Embora não seja esse o cenário que julgo mais provável, espero mesmo estar redondamente enganado. Não podia estar a ser mais sincero a este respeito.
(Imagens: Blog AMI)

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Arranjem um tempinho, vá lá…

Pinto Monteiro diz-se surpreendido pela divulgação dos seus despachos na comunicação social. No cenário actual, como é possível alguém mostrar-se surpreendido com a violação segredo de justiça? Enfim… No meio do lamaçal em que se encontra a justiça em Portugal, de casos e contra-casos, se calhar era importante reservar um tempinho para procurar atacar de forma minimamente séria e consequente o problema da violação do segredo de justiça, não?
(Imagem: Marvin Himel)

Cuidado com Brown

«Os alegados ataques de fúria e gestos de intimidação contra colaboradores atribuídos a Gordon Brown obrigaram o primeiro-ministro britânico a defender-se na televisão, garantindo que "nunca" bateu em ninguém». (Público, 22/02/2010) Os primeiros-ministros possuem esta capacidade impressionante de possuirem dark sides que nos deixam sem palavras...
(Imagem: CXO)

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Sorriso Amarelo

A candidatura de Fernando Nobre à Presidência da República é uma surpresa que origina sentimentos contraditórios. O currículo do presidente da AMI é inequívoco. A sua verticalidade e seriedade garantem que a candidatura que agora apresenta seja naturalmente forte. O capital de simpatia que foi recolhendo e a consideração que merece em diversos quadrantes políticos, nomeadamente ao longo de toda a esquerda, tornam-no um candidato com grande potencial.

No entanto, a sua candidatura proporciona igualmente óbvios dissabores: o indiscutível valor do candidato proporcionará a divisão do eleitorado de esquerda que tanto se procurava evitar. Proporciona-nos assim uma espécie de sorriso amarelo desconcertante. Num momento em que toda a convergência parece pouca para travar as gigantescas probabilidades de reeleição de Cavaco, eis que surge uma segunda candidatura no campo da esquerda que não deixa antever nada de bom.

Poder-se-á argumentar que a candidatura de Nobre é tão legítima como a de Manuel Alegre, não devendo recair sobre o primeiro o ónus de estar a dividir a esquerda. Tal é mais do que defensável. Mas o pragmatismo do momento presente exigia que se evitasse a multiplicação de candidaturas do mesmo espaço político. Candidaturas que, para além de fraccionarem o eleitorado, acabem por se desgastar mutuamente.

Por outro lado, o pragmatismo do momento presente exige que os esforços sejam direccionados não para encontrar o candidato perfeito, mas sim o candidato com melhores condições para, através de uma união à esquerda, conseguir ameaçar seriamente Cavaco. Neste sentido, julgo difícil considerar que Nobre poderá competir com o reconhecimento e notoriedade pública que uma figura como Alegre já possui.

Mas o maior risco que assombra a candidatura do presidente da AMI é a instrumentalização de que poderá ser alvo pelos sectores do PS que poucas simpatias nutrem por Alegre. Caso as duas candidaturas prossigam sem espaço a entendimentos e aproximações, os dados estão lançados para que o divisionismo da esquerda crie as condições perfeitas para que Cavaco possa continuar a dormir descansado com as suas favas muito bem contadas.
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Artigo publicado hoje no Esquerda.net

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Solidariedade

É difícil arranjar palavras de consolo para todos os que estão a sofrer com o temporal na Madeira. Resta mostrar solidariedade e esperar que tudo seja feito para ultrapassar a situação.
(Imagem: Gardenal)

Na muche

"Como seria de esperar, a novela das escutas serviu logo para por em cima da mesa o fim da golden share na antiga empresa pública de telecomunicações. Perguntas: onde está a golden share na Ongoing, Controlinveste ou BCP? Foi alguma golden share que colocou Dias Loureiro no BPN? E Ferreira do Amaral na Lusoponte? E Pina Moura na Prisa? E Jorge Coelho na Mota-Engil? (...) A verdade portuguesa é esta : os partidos portugueses têm golden shares informais em quase todas as grandes empresas para que as grandes empresas possam ter uma golden share em todos os Governos." Daniel Oliveira, Expresso 20/02/2010

Princípio vs Princípios

Por princípio, não concordo com contra-manifestações. Sobretudo pela facilidade com que, no meio de ânimos exaltados de parte a parte, podem originar violência. No entanto, tendo em conta o carácter tão anti-igualdade e anti-liberdade da manifestação que hoje desceu uma Avenida que é da Liberdade, não resisti a estar entre os que se contra-manifestaram em frente ao S. Jorge.

Certamente o melhor teria sido deixar os poucos milhares que desceram a avenida a falarem sozinhos, não lhes dando grande importância. Mas olha, paciência... Ao menos serviu para ver uma coisa: a tão grande fractura que a aprovação do casamento entre pessoas do mesmo sexo iria provocar não conseguiu juntar mais de que uns poucos milhares numa manifestação que há tanto tempo vinha sendo preparada.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Ops, lá se vai a qualidade

Um dos elementos centrais na qualidade da democracia é a confiança que os cidadãos depositam nas instituições. No momento presente, com toda a podridão que parece estar a ser descoberta no âmbito do Face Oculta, assim como o que diariamente nos chega das audições da AR, a confiança dos cidadãos na classe política e na comunicação social deverá estar pelas ruas da amargura. A qualidade da nossa democracia vai-se certamente ressentir muito com tudo o que se está a passar.
(Imagem: SF Weekly)

Da série "Falar muito sem se dizer nada"

"A minha [candidatura] projecta uma ruptura, uma transformação... (...) O nosso projecto é sobretudo a ideia de abertura do PSD para o espectro político que vai do centro esquerda até ao centro-direita." Paulo Rangel em entrevista ontem ao i

É dificil perceber-se bem qual a ruptura que Rangel tanto diz querer protagonizar. Levando à letra o que diz em termos de ideologia do PSD, tal não significará qualquer ruptura mas sim uma manutenção exacta do panorama actual... Mas não faz mal. O que importa é repetir até à exaustão o slogan de campanha: "Ruptura, ruptura, ruptura!"
(Imagem: Idade Maior)

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

A Nobreza do Óbvio

Por maior consideração que se possa ter por Fernando Nobre e mesmo considerando-o um bom candidato à Presidência, o óbvio salta à vista de todos: a sua candidatura criará uma fractura significativa no campo da esquerda. Assim sendo, Cavaco tem agora razões acrescidas para dormir descansado.
(Imagem: Saxeo Vitae)

O Cheiro

"Sócrates encontra-se no momento mais crítico da sua liderança. A sua fragilidade é proporcional à vitalidade que, de repente, começou a surgir nas hostes laranja. Subitamente, o PSD parece começar a ganhar nova força."
(Imagem: Dark Government)

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Uma ideia

A propósito desta notícia do DN, devia ser obrigatório nesta fase de corrida à liderança do PSD, cada um dos candidatos se pronunciar claramente sobre Alberto João Jardim e sobre a qualidade da democracia na Madeira. Bem sei que, chegados a esta fase, a tendência é todos gostarem de Alberto João, de sublinharem a sua obra e de desculparem a sua "irreverência".

Mas era interessante que o tema fosse colocado na agenda e os candidatos fossem persistente e teimosamente testados sobre o mesmo. Se calhar assim ganhariam um pouco mais de vergonha e pensariam duas vezes antes de contribuirem para aumentar o historial de conivência absurda das sucessivas direcções nacionais PSD perante o caso madeirense.
(Imagem: Inépcia)