sexta-feira, 12 de março de 2010

Sobre a sondagem da U. Católica

À primeira vista, a sondagem da U. Católica apresenta resultados surpreendentes: como é possível que, apesar de tudo o que se está a passar, o PS continue com uma margem tão grande?
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No entanto, uma segunda leitura dos resultados poderá levar a uma visão um pouco diferente: apesar de estar decapitado há meses e em profundas lutas internas, o PSD consegue mesmo assim obter 33%.
(Imagem: Tabuleiro Político)

Figurinha de Boi

Não quero aqui fazer a exaltação angelical dos presidentes de Junta de todo o país. Mas chamar-lhes boys é claramente um delírio de Teixeira dos Santos. Ainda por cima num momento em que o país ficou a conhecer apenas uma amostra dos “golden boys” do PS. Enfim… O ministro queria ser perspicaz, mas acabou por fazer figurinha de… boi.
(Imagem: Laboratório do Papel)

quinta-feira, 11 de março de 2010

Isto está tudo ligado

É impressionante como o CDS é capaz de aproveitar as matérias mais improváveis para atacar as prestações sociais. A propósito da atenção agora dada ao bullying nas escolas, os populares vão propor que as famílias dos "delinquentes" sejam responsabilizadas com cortes em prestações sociais, como o abono de família. Ainda não referiram o rendimento social de inserção (RSI), mas certamente vão lá chegar.
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Os populares brindam-nos assim com um raciocínio brilhante. Dado que estas práticas serão certamente mais frequentes por parte de miúdos de famílias desfavorecidas, vítimas de exclusão social, bora lá cortar-lhe o abono e o RSI que é para eles aprenderem. As famílias ficarão ainda mais desfavorecidas e mais excluídas, mas não faz mal, pá. Aliás, vendo bem, se calhar por isso, tais miúdos vão-se por a roubar, o que é perfeito, porque assim aproveitamos e mandamo-los todos para a cadeia. É brilhante, sem dúvida!
(Imagem: Help Bullying School)

Um Congresso com direito a fantasmas e tudo

E eis que, a dois dias do Congresso, o fantasma de Marcelo continua a pairar no ar (ver aqui e aqui). Se as notícias têm fundamento ou não, será sempre complicado aferir. De qualquer modo, todos os dados estão lançados para que o Congresso do PSD cumpra a tradição de espectacularidade com que sempre nos habituou.
(Imagem: Foto da Hora)

quarta-feira, 10 de março de 2010

A Semana da Ressurreição

O quarto aniversário em Belém não correu mal, beneficiando de amplo destaque na comunicação social. A entrevista de hoje na RTP foi fraquita, mas Cavaco nunca se mostrou especialista neste tipo de momentos. Depois de meses de recolhimento dando tempo ao tempo, tudo indica que esta foi a semana do regresso de Cavaco.

A culpa é de todos, a culpa não é de ninguém

A acusação de Henrique Granadeiro de que Morais Sarmento também o pressionou procura indicar, como parece evidente, que as pressões acontecem independentemente da força política no poder. Mas qual a consequência imediata do sublinhar desta evidência? Levar a opinião pública ao discurso de que todos pressionam, de que “são todos iguais”. Até é bem possível que assim seja, mas o efeito imediato deste discurso é acabar por não responsabilizar ninguém, algo que convém a muita gente no momento actual.
(Imagem: Guy David)

Sem Rede – Joana Vasconcelos no Museu Berardo

A grande velocidade, Joana Vasconcelos tem-se vindo a afirmar muito bem no panorama artístico português. E a exposição presente no Museu Berardo é uma consagração disso mesmo. Vale a pena visitar.

Não sendo grande entendido em questões artísticas, diria que uma das grandes vantagens das peças de Joana Vasconcelos é o facto de poderem ser apreciadas por qualquer tipo de público, dos pequenos aos graúdos, dos art freaks aos simples curiosos.

Por exemplo, um lindíssimo sapato feminino gigante feito de tachos (Cinderela) é tão interessante para um simples curioso, como para quem está sobretudo focado nas técnicas utilizadas pela artista ou para quem procura um significado conceptual profundo em tal obra. Aqui ficam algumas fotos da exposição que encontrei online.
(Imagem: Infinimar)

terça-feira, 9 de março de 2010

Vias de Facto - Novo Blog

A maioria dos autores do Vias de Facto não é nova na blogosfera , antes pelo contrário. Alguns vêm do 5 dias, outros de blogs individuais. Pegando só em alguns nomes de quem tenho maiores referências, um blog que junta a Diana Andringa, a Joana Lopes, o Ricardo Noronha e o Zé Neves só pode ser um bom blog.

Inteligência Rara II

Se se fala em aumento de impostos, a direita logo decreta o horror: “Um atentado para as famílias portuguesas!”. Pelo contrário, se se fala em congelamento de salários, aí já é diferente: “é o esforço necessário que todos temos de fazer neste momento de crise”.

Inteligência Rara

O pensamento liberal defende que o Estado não intervenha na economia porque gere naturalmente mal os recursos, levando a défices que depois resultam em mais impostos. É preciso, portanto, privatizar. Mas privatiza-se o quê? As empresas públicas que dão lucro, claro. Que espertalhaços, não é?

segunda-feira, 8 de março de 2010

PEC-MAN

Keynesianismo regressa à gaveta

Ainda antes da economia regressar ao crescimento, o keynesianismo já foi abruptamente arrumado. Diminuição do investimento público, cortes na despesa (sobretudo nos salários) e privatizações são o mote do Programa de Estabilidade e Crescimento que hoje começou a ser apresentado.
(Imagem: Maturidade)

Igualdade e Dignidade

É difícil mostrar grande apreço pelo Dia Mundial da Mulher sem se cair em banalidades. De qualquer modo, destacava três aspectos:

1) Apesar de alguns estranhos optimismos, estamos ainda muito longe de atingir a igualdade nas esferas económicas, sociais e políticas. Este é, portanto, um dia que continua a fazer todo o sentido.

2) Assim como continua a fazer sentido o feminismo, não tanto com a exaltação da mulher como ser especial, com uma sensibilidade especial, e todo esse discurso que roça o paternalismo, mas sim encarando a mulher como sujeito forte e activo que tem de merecer um tratamento igual.

3) Por último, a luta pela igualdade está longe de poder acabar à porta de casa. Nem sequer tocando em questões graves como a violência doméstica, importa não esquecer que ainda estamos a gerações de distância de uma plena igualdade entre homem e mulher na repartição de papeis nos núcleos familiares. Importa, por isso, continuar a lutar seriamente para que esta balança se equilibre.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Invejai os professores

A greve de ontem foi uma importante manifestação de desagrado dos trabalhadores da Administração Pública perante inexistência de actualizações salariais. Os trabalhadores protestam e bem por serem sempre os bodes espiatórios dos gastos da máquina estatal. O congelamento é uma decisão cega que não olha ao poder de compra perdido nos últimos anos e que tenta esquecer as consequências dramáticas que acarreta para todos os que possuem salários mais baixos. E é também uma decisão facilitista, procurando a poupança no sítio do costume e não nos locais onde é mais do que sabido que o desperdício acontece. Atacar os salários é sempre mais fácil.

No entanto, o congelamento de salários até pode ser relativizado quando comparado com o segundo grande motivo desta greve da Administração Pública. Os obstáculos à progressão na carreira criados pelo SIADAP (Sistema Integrado de Gestão e Avaliação de Desempenho da Administração Pública) roçam o inacreditável. Com este sistema de avaliação, que prevê apertadíssimas quotas para a concessão das classificações de avaliação mais elevadas, a maioria dos funcionários públicos vê-se sujeita à forte possibilidade de apenas progredir um escalão na carreira de dez em dez anos.

Ou seja, para contrariar o antigamente em que todos os funcionários eram avaliados com muito bom, encontrou-se a brilhante solução de impor quotas. O modelo de avaliação previsto é burocrático e pouco adaptado à realidade dos organismos, contribuindo para um generalizado baixar de braços ao invés de promover a tão badalada meritocracia. No fundo, "para quê esforçar-me muito se sei que quem papará os muito bons e os excelentes será o amigo X ou o bajulador Y do chefe".

Se a isto adicionarmos o facto de muitos organismos não estarem a avaliar os seus funcionários, sendo tal incompetência dos dirigentes premiada com decretos extraordinários do Ministério das Finanças que os protegem e correm todos os funcionários a bom (o equivalente ao medíocre "satisfaz"), logo percebemos o quão mau é o actual sistema.

É curioso verificar que foram questões de avaliação muito semelhantes às acima expostas, que vinham abalar fortemente a possibilidade de progressão na carreira, e não questões de actualizações salariais, que tão bem conseguiram mobilizar os professores há pouco tempo atrás. Foi a persistência e união que demonstraram que fez com que o seu sistema fosse revogado. É pena que os funcionários públicos e seus sindicatos não estejam a conseguir uma união com tal dimensão perante injustiças tão semelhantes. Deviam, por isso, invejar bastante os professores. Invejá-los forte e abertamente, tendo presente o seu exemplo. Uma boa dose de inveja mobilizadora parece estar a fazer falta em todo este processo.

Artigo publicado hoje no Esquerda.net
(Imagem: Blog do Eduardo Dantas)

quinta-feira, 4 de março de 2010

E porque amanhã é sexta-feira


Gorillaz ft. Mos Def & Bobby Womack - Stylo

V Congresso da APCP

Bem sei que há muita gente cansada com o boom de politólogos. Mas para quem ainda tolera e suporta essa malta ;), se calhar terá interesse em saber que está a decorrer o V Congresso da Associação Portuguesa de Ciência Política. Eis o programa.
(Imagem: APCP)

quarta-feira, 3 de março de 2010

Ressureições Políticas

Não são poucos os mistérios que circundam o fenómeno político. E assim é pela capacidade que este, através dos seus actores e do rumo seguido pelos acontecimentos, tem de nos surpreender. A inquietude da balança política, a mudança permanente no jogo de forças e a mutabilidade da opinião pública determinam que o que hoje é certo, amanhã estará longe de o ser. A maior das evidências no presente facilmente será relativizada num futuro próximo. Neste contexto, a morte política tantas vezes decretada a alguns actores e a posterior capacidade que estes demonstram em ressuscitar é um fenómeno muito ilustrativo a este respeito.

Focando-nos apenas na política portuguesa mais recente, quem não se recorda da morte política sentenciada a António Guterres após ter deixado o país entregue ao pântano? Quem não se lembra da forma cabisbaixa como Marcelo Rebelo de Sousa abandonou a liderança do PSD em 1999? Quem consegue esquecer as saídas e reentradas triunfantes na cena política de Paulo Portas? E por último, pegando no caso que até deve constar em todos os manuais, quem não se lembra da quantidade de vezes que já foi decretado o fim da carreira política de Santana Lopes? O dinamismo constante do panorama político e a memória curta do eleitorado garantem que a ressurreição em política seja um fenómeno relativamente normal.

Cavaco Silva há alguns meses atrás atravessou um momento negro que parecia não ter retorno. O caso Público e a sua desastrosa comunicação ao país fizeram-no bater bem no fundo. Foi alvo de paródia e muitos à direita não deixaram de lhe atribuir responsabilidades pelo fraco desempenho do PSD nas últimas legislativas. Seguiu-se um período de forte recolhimento e descrição por parte do Presidente da República. Havia que dar tempo ao tempo. Eis que, passados poucos meses, o seu calvário parece ter chegado ao fim.

O Governo atravessa hoje o seu pior momento, muito ferido na sua credibilidade, pressionado por toda a oposição e bastante debilitado perante a opinião pública. A Justiça continua sem se conseguir assumir como pilar inabalável do regime e mesmo a comunicação social está a ver o seu papel no sistema democrático enfraquecido com o role de audições na Assembleia da República. Se a isto somarmos as probabilidades de divisão à esquerda que a candidatura de Fernando Nobre veio trazer, verificamos que Cavaco tem agora todas as condições para apresentar-se serenamente como grande garante da estabilidade do país e das suas instituições.

Por outro lado, importa ter em conta que o PSD deverá renascer das cinzas já em Março com a sua nova liderança. É então fortemente provável que se constitua como alternativa perante um Governo visivelmente enfraquecido. Cavaco assumirá assim o papel de grande árbitro, de grande juiz do destino político do país. Será a figura patriarcal e providencial para onde todos os rostos se virarão assim que qualquer caso estalar, assim que qualquer ameaça de crise surgir.

A forma como a situação política de Cavaco Silva se alterou nos últimos meses é reveladora da facilidade como se ressuscita politicamente nos dias que correm. Como é evidente, nada garante que o panorama não se volte a alterar subitamente. Nada é garantido e o cenário traçado acima não passa disso mesmo: de um cenário. No entanto, é sobretudo com base em cenários e perspectivas futuras que os actores políticos se posicionam no presente. Assim sendo, parece ser indiscutível que Cavaco tem hoje muitas razões para sorrir.
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Artigo publicado ontem no Açoriano Oriental

Sobre a vitória de Passos sobre Rangel

Confesso-me surpreendido com o facto de Passos Coelho ter aparentemente derrotado Rangel no debate de ontem na SIC Notícias (ver debate integral aqui). Pelos vistos, o killer instint atribuído ao segundo não foi suficiente para bater a serenidade preparada do primeiro.

Os militantes do PSD não se basearão somente em debates quando tiverem de fazer a sua escolha. Para lá da sua vinculação a tendências internas (dimensão fundamental em todo este processo), estarão também a escolher a figura que considerarão mais capaz de levar o seu partido ao poder.

Apesar de Passos ter vencido o debate, os militantes poderão continuar a achar que o seu oponente terá mais hipóteses de convencer os portugueses. De qualquer modo, a derrota de ontem certamente criou mossas nas fortes expectativas em torno de Rangel.
(Imagem: SIC)

terça-feira, 2 de março de 2010

Solidariedade blogosférica

Bem sei que o título do post é foleiro à brava, mas tenta apenas demonstrar solidariedade com o autor do blogue Jumento. De um dia para o outro, foi alvo de uma estranha manchete no Jornal i. O artigo desarquiva um caso há muito arquivado, aproveitando para acabar com o anonimato do autor do blog e referindo, sem grande sentido, o apoio a Sócrates nas últimas eleições.

Até sou daqueles que considera que o i foi uma interessante lufada de ar fresco, mas não esteve de facto nada bem com a manchete e notícia hoje publicada.
(Imagem: Silabas)

segunda-feira, 1 de março de 2010

Que conveniente...

Ainda bem que finalmente se decidiu avançar com uma comissão de inquérito. Mas fica o senão de a mesma não ter sido aceite pelo PSD há poucas semanas atrás. Os sociais-democratas demonstram assim que só agora, depois da sangria incípida, mas espectável, verificada nas audições da Comissão de Ética, é que consideraram bem avançar-se com este mecanismo de apuramento da verdade. Que conveniente, não é?
(Imagem: RS Urgente)