segunda-feira, 14 de junho de 2010

E o PEC ainda nem começou…

A taxa de desemprego em Portugal – 10,8% – é já a quarta da OCDE. Por seu turno, também começam a ser dados os primeiros sinais de que a inflação está de volta e as taxas de juro do crédito à habitação confirmam a tendência de subida. O quadro sócio-económico está a degradar-se a olhos vistos e as medidas de austeridade ainda nem entraram em vigor. Vá lá vai...

Rita Redshoes - Novo Álbum

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É hoje lançado o segundo álbum de Rita Redshoes: "Lights & Darks". Os temas encontram-se já disponíveis no You Tube. O álbum promete.

domingo, 13 de junho de 2010

Um ano depois

Passado um ano das manifestações pró-democracia que fizeram tremer o regime de Teerão, vale a pena ler o testemunho de duas activistas que sentiram na pele a repressão. A peça do Público sobre o medo instalado no país um ano depois também é elucitiva.
(Imagem: Observing Iran)

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Ao que chegámos

Os cargos de Director e Subdirector-geral são de confiança política. Normalmente não faltam interessados nos círculos do partido no poder para os preencher. Mas as perspectivas de sobrevivência deste Governo a curto prazo devem estar tão negras que nem os boys parecem estar interessados no cargo de Subdirector-Geral da Direcção-Geral do Orçamento (Ministério das Finanças). Ao ponto de suceder o insólito de termos hoje um anúncio de recrutamento para um cargo de confiança política num jornal nacional (?!?). Por sinal, o Sol (cuja redacção deve andar bem distraída).

Ao que chegamos... Por este andar, um dia deste encontramos um anúncio de recrutamento para ministro... Deve faltar pouco.

Despesismo não rima com Esquerda

É sempre estranho constatar como, em momentos de crise como os actuais, as forças políticas defensoras do modelo económico vigente continuam a beneficiar de um benefício da dúvida por parte do eleitorado. Ou seja, continua a apoiar-se quem é, no mínimo, parcialmente responsável pelo que se está a passar. Que estranha cegueira esta, não? Como pode a opinião pública mostrar tão pouca lucidez e este respeito?

Bem, comecemos por recordar que o comum dos mortais está pouco disponível para entrar em reflexões profundas sobre modelos económicos, sobre as causas de determinados fenómenos e as consequências de determinada linha política. Tudo isso são mundos para os quais a opinião pública não está assim tão desperta. É portanto aqui que entra o pegajoso discurso do “andamos a viver acima das nossas possibilidades” ou do “tudo isto é como uma casa, temos que cortar na despesa, que cortar no desperdício”. Para lá da procura de causas estruturais, é bem mais simples explorar matérias facilmente absorvíveis pelo senso comum.

O desperdício ou despesismo no Estado, o esbanjamento de dinheiros públicos, é um destes domínios, normalmente agarrado desde logo pela direita política para justificar qualquer coisa que tenha corrido mal. E fá-lo regra geral com considerável sucesso. Não será por acaso que parece ter sido este o raciocinio hegemónico que desde logo se impôs a nível nacional. Se perguntarmos as causas da crise ao senhor Joaquim do restaurante da minha rua ou à Dona Glória do prédio em frente, será com grande probabilidade a explicação que nos darão. Tal não deixa de reflectir dificuldades do discurso político à esquerda para conseguir fazer passar a sua mensagem. Dificuldades que estranhamente sucedem num momento em que os problemas estruturais do actual modelo económico fizeram-se sentir em todo seu explendor.

Diversas (e complexas) são as causas desta dificuldade de passar a mensagem. Mas arriscaria dizer que uma entre muitas é esta menor da tendência da esquerda em também assumir como ultra-prioritário o ataque ao esbanjamento dos dinheiros públicos. Trata-se de uma questão demasiado estrutural para não ser considerada cimeira. Sublinhar tal combate de forma incansável é não só ser coerente, mas também não deixar a descoberto um flanco que a direita tradicionalmente aproveita com grande eficácia. Independentemente de se considerar que este devia ser um momento de investimento e não de fundamentalismo na consolidação das contas públicas, o combate aos desperdício e despesismo não pode ser esquecido. Até porque em tempos de crise ninguém compreenderá complacências nestes domínios.

Ganha-se assim legitimidade acrescida para sublinhar de forma veemente que o desperdício ou o despesismo públicos não se encontram nos salários ou nas prestações sociais, nem nas redes prestadoras de serviços públicos (e.g. escolas, hospitais) mas sim numa série de outros domínios. E exemplos a este respeito não faltam, como é sabido: da crítica da proliferação de empresas, fundações e institutos públicos à multiplicação de cargos dirigentes e de assessorias, da censura aos luxos e mordomias existentes em numerosos organismos públicos à defesa de uma cultura de poupança no consumo de recursos, da denúncia das parcerias público-privadas à crítica severa da flexibilização das regras de contratação pública e à pouca transparência e rigor dos orçamentos dos organismos. A maioria das medidas neste sentido geraria importantes poupanças. Outras valeriam sobretudo pelo simbolismo que encerram.

Não compete à esquerda ficar com o ónus de considerar o sector do Estado como um paraíso. O Bloco não o considera e precisamente por isso prioritizou fortemente algunas das matérias acima nas suas intervenções recentes. As 15 Medidas para uma Economia Decente são um dos importantes exemplos deste esforço. No entanto, algumas das medidas emblemáticas de controlo do despesismo e desperdício público acabaram por surgir em força na agenda assinadas por Passos Coelho ou Paulo Portas, com grande aplauso da generalidade da opinião pública. A direita política demonstra mais uma vez não hesitar em agarrar estas temáticas. Se calhar é tempo da esquerda defender ainda melhor este flanco, precavendo-se de forma mais eficiente de uma jogada desde sempre utilizada pelos seus adversários. Certamente que uma melhor prioritização destes domínios terá impactos positivos no modo como a esquerda de confiança conseguirá fazer chegar a sua mensagem à opinião pública.
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Artigo publicado hoje no Esquerda.net

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Foi bonito

Foi bonito ver Cavaco Silva a pedir uma repartição justa dos sacrifícios. O cargo de Presidente da República permite de facto a manifestação descomplexada de preocupações sociais aos sectores políticos menos prováveis.

Publicidade Institucional

Está já nas bancas o número de Junho da edição portuguesa do Le Monde Diplomatique. Os bons temas não faltam (ver aqui).

O passo atrás

Por entre anúncios quase diários de novas medidas de austeridade, foi comunicada na passada semana a decisão de que se procederá ao encerramento das escolas com menos de 21 alunos. A medida abrangerá cerca de 900 escolas a nível nacional e implicará a deslocação de cerca de 15 000 crianças para centros escolares de maior dimensão. Foi desde logo sublinhado pelo Ministério da Educação que a medida se enquadra num esforço de promoção da qualidade do ensino. Segundo a tutela, os alunos de escolas de reduzida dimensão possuem taxas de reprovação muito superiores à média nacional. O encerramento de tais estabelecimentos apresenta-se, assim, como uma medida que visa proporcionar aos alunos em causa a integração em escolas de maior dimensão que disponham de equipamentos fundamentais como bibliotecas, cantinas, entre outros, considerados essenciais a um maior sucesso escolar.

E é logo aqui que a linha argumentativa quebra bruscamente. Como se a dimensão de uma escola fosse a única variável explicativa do insucesso escolar. Ou como se pudesse ser encarada como variável determinante de um fenómeno cuja complexidade é infelizmente bem conhecida. Não é necessário ser-se grande adivinho para se ter a certeza que tal medida atingirá sobretudo zonas do país já seriamente afectadas pelo envelhecimento da população e desertificação. Não será portanto no litoral populoso e mais desenvolvido que tudo se fará sentir, mas sim nas regiões que tradicionalmente já possuem problemas estruturais há muito identificados nos mais diversos indicadores sócio-económicos.

Os paradoxais objectivos de poupança por detrás do encerramento de escolas surgem então à vista de todos. Porque quando se trata de fazer auto-estradas, vias rápidas ou outros projectos que visam trazer a “modernidade” para o “interior pobre e esquecido” do país, aí não há quem não goste de ser o campeão da solidariedade para com as regiões mais deprimidas. O investimento público surge como instrumento central para quebrar o isolamento de tais regiões, sendo quase heresia questionar a viabilidade ou o retorno do mesmo. Mas quando se trata de fazer um esforço adicional para manter escolas, estruturas centrais para a qualidade de vida local e pólos dinamizadores de tais meios, aí tudo parece ser mais complicado. Aí já todas as dúvidas surgem quanto à viabilidade de tal investimento. É triste que assim aconteça.

É lamentável assistir a uma política educativa que parece apenas confiar nos números para a sua tomada de decisão, ignorando assim realidades tão facilmente percepcionadas pelo senso comum. Ignora-se, apenas a título de exemplo, que deslocar crianças do primeiro ciclo - normalmente entre os 6 e os 9 anos – e submetê-las a deslocações de quilómetros de autocarro escolar rumo à sede de concelho é uma espécie de retrocesso civilizacional. Um regresso às realidades de outros tempos, em que o estudar era valorizado apenas pelos mais persistentes.

Num momento em que o esforço em prol do desenvolvimento e da própria coesão do território deveria passar por ampliar a rede escolar, proporcionando um tipo de ensino menos massificado, com turmas mais pequenas, com modelos de aprendizagem mais flexiveis, mais adaptados às diversas realidades, assistimos precisamente ao inverso: uma lógica centralizadora com inegáveis objectivos de poupança. No país onde todos os problemas de desenvolvimento vão sempre dar ao modelo de ensino e à estrutura de qualificações da população, o anunciado encerramento de 900 escolas apresenta-se como um tremendo passo atrás.

Artigo publicado terça-feira no Açoriano Oriental

terça-feira, 8 de junho de 2010

A guerra da informação no seu melhor

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Israel é uma grande potência militar, detém uma das maiores percentagens de população mobilizada nas forças armadas e possui uma das polícias secretas mais eficientes do mundo. São factos sabidos há muito. Não será portanto de admirar, nem fará parte de qualquer teoria da conspiração, que depois de um erro grotesco e miserável, todo o esforço esteja a ser feito para dar a volta à questão, fazendo dos agressores os coitados e das vítimas os malvados.
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O vídeo acima e a sua história são exemplares a este respeito. A imediata divulgação de imagens dos navios mostrando activistas com barras ou bastões também. E a divulgação anedótica de supostas armas que foram apreendidas nos navios (desde fisgas a paus de guarda sois e a máscaras anti-gás) o é ainda mais. Quase fazem esquecer os elucidativos resultados da operação de parte a parte: pelo menos 10 mortos do lado dos activistas e dezenas de feridos. Do lado de Israel, contam-se alguns soldados feridos.
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A guerra da informação faz-se de parte a parte, sem dúvida. Não há inocentes a este respeito. Mas Israel fá-la de forma “um bocadinho” mais profissional. E tendo em conta as mãos cheias de sangue com que partiu para esta operação de desinformação, até não se está a sair nada mal.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Sobre o combate ao desperdício público

Bruxelas exige mais esforço de Portugal e Espanha e fala em reformas estruturais, tocando áreas como a legislação do trabalho. Vinda de onde vem, tal posição não é de admirar. Mas independentemente de se considerar que este devia ser um momento de investimento e não de fundamentalismo da consolidação das contas públicas, é importante que a esquerda não deixe para a direita o monopólio no discurso do ataque ao desperdício na despesa pública. Trata-se de uma questão demasiado estrutural para não ser considerada prioritária.

E domínios não faltam a este respeito por onde as forças políticas à esquerda precisam de melhor insistir e melhor fazer passar a mensagem: a crítica da proliferação de empresas públicas, de cargos dirigentes e de assessorias, das parcerias público-privadas, a flexibilização das regras de contratação pública, a pouco transparência e rigor dos orçamentos dos organismos, entre muitos outros aspectos. A defesa do domínio público deve insistentemente evitar qualquer colagem a ideias da falta de rigor e de desperdício público. A defesa persistente de reformas estruturais nestes domínios assume-se como não só como algo natural, mas como uma questão de coerência na esquerda política.
(Imagem: Newstyle)

Um país melhor

Fico naturalmente orgulhoso por Portugal ser a partir de hoje um país menos discriminador, onde a liberdade e a igualdade foram mais fortes. Como Teresa e Helena apontaram desde logo, há ainda um longo caminho a percorrer. Mas hoje um importante passo foi dado. Aproveito para relembrar um ideia que há muito possuo: daqui a 20 ou 30 anos quase nos vamos rir quando recordarmos o que hoje se anda a discutir. Serão então momentos do tipo Conta-me como foi...
(Imagem: Homositius)

Pop Art

Há poucas semanas atrás, a popular exposição de Joana Vasconcelos no Museu Berardo encerrou depois de receber 167 mil visitantes. Agora ficámos a saber que a iniciativa Serralves em Festa bateu um recorde, recebendo mais de 100 000 visitantes. E muitos outros exemplos podiam ser encontrados. É sem dúvida positivo verificar que públicos cada vez mais vastos se interessam pela arte contemporânea. Sinais dos tempos? Sem dúvida e ainda bem que assim é.
(Imagem: Jennifer Henbest de Calvillo)

domingo, 6 de junho de 2010

A cabecinha pensadora

Verifiquei que fui citado num blogue bem conhecido da praça. Pelos vistos, eu tinha conhecimento de enredos impressionantes. E mais: eu sou a prova de que Bloco estava a par de tais enredos. O Carlos Santos, a quem dediquei um post há uns tempos atrás, é uma cabecinha que não pára de nos surpreender...

sexta-feira, 4 de junho de 2010

A esquerda jacobina está onde menos se espera

No Público de hoje, José Manuel Fernandes disserta profundamente sobre a arrogância da esquerda jacobina que governa o país. A esquerda que se julga moralmente superior, que é autista nas decisões tomadas, que se julga iluminada no exercício do poder, daí não ter problemas de o fazer contra tudo e contra todos. No fundo, atribui a arrogância da actual governação à sua génese de esquerda jacobina. Uma teoria com grande profundidade, sem dúvida.

E que nos leva a descobertas curiosas. É que as características acima fazem-nos lembrar alguém que nunca imaginariamos de esquerda, muito menos jacobino. Ora pensem lá comigo: governação arrogante, governação autista, governação que se julgava iluminada, governação que nunca se enganava e que raramente tinha dúvidas... Cavaco Silva afinal era da esquerda jacobina! Que malandro. Quem diria, não é? Obrigado José Manuel Fernandes por tão bem nos elucidares sobre a genética da esquerda.
(Imagem: História Brasileira)

E pachorra, hein?

Isabel Alçada veio ao telejornal da RTP de ontem insistir que a decisão de encerramento das escolas com menos de 20 alunos foi uma medida tomada apenas a pensar na qualidade, uma vez que os estudantes de tais escolas apresentam taxas de retenção (vulgo chumbo) de 33%. Enfim... Como se o facto da escola ter menos de 20 alunos fosse a única variável que determina tal facto. Haja paciência... Sobre este assunto, ver o texto de Paulo Guinote.
(Imagem: Random Noise) Link

A sério?!? Jura?

No Público de ontem, Helena Matos e Esther Mucznic indignam-se e denunciam algo impressionante: os malvados activistas da “Frota da Liberdade” visavam mediatismo com a sua acção de furar o bloqueio a Gaza. Quem diria? Que malvados! Só mesmo alguém profundamente maléfico pensaria em enfrentar uma grande potência militar como Israel utilizando o simbolismo e mediatismo como arma. Que canalhas sem escrúpulos, não é?
(Imagem: Forum Auto Hoje)

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Sobre a redução do número de deputados

A redução do número de deputados da Assembleia da República entrou em força na agenda durante a semana passada. É um tema quente e recorrente, com adesão garantida sobretudo em momentos de crise. E, de facto, 230 deputados parecem excessivos para um país de 10 milhões. Para quê tanta gente com tantas mordomias e regalias? O problema é que este discurso dos malandros dos deputados é algo perigoso. Tende a subestimar o papel dos representantes da nação e, em última análise, o papel do Parlamento, a casa da democracia por excelência. Os tempos são de crise, mas poupar nos custos da democracia é uma prioridade algo duvidosa.

No entanto, para lá de tais considerações, importa sublinhar que a redução dos deputados tem implicações no pluralismo político e representatividade territorial do sistema eleitoral. Por um lado, os partidos mais pequenos teriam naturalmente maiores dificuldades em eleger. Por outro, seriam sobretudo os círculos eleitorais mais pequenos que mais sentiriam o efeito de tal redução. Os Açores, por exemplo, passariam a eleger 4 em vez dos actuais 5 deputados para a Assembleia da República.

Neste sentido, ou se opta pela redução do pluralismo e da proporcionalidade, ou uma revisão séria do sistema eleitoral seria incontornável. E é aí que a coisa se complica. Os sistemas eleitorais são mecanismos utilizados para converter os votos em mandatos. Tal conversão não é um processo simples. Como é sabido, depois das eleições não se atribui aos partidos a percentagem de deputados equivalente à percentagem de votos obtida. Os territórios são divididos em círculos eleitorais e as regras de conversão utilizadas podem ser as mais diversas.

Assim sendo, a redução do número de deputados só seria razoável introduzindo-se mecanismos que permitissem compensar as limitações que tal redução traria em termos de representatividade territorial e pluralismo. E existem mecanismos para todos os gostos. Por exemplo, o sistema eleitoral utilizado para as legislativas regionais nos Açores é elucidativo a este respeito. A introdução do círculo regional foi uma boa forma de impulsionar a presença dos partidos mais pequenos. Por seu turno, o facto de cada ilha desde sempre eleger à partida dois deputados é negativo para a proporcionalidade do sistema, mas é um mecanismo fundamental nos Açores para assegurar a representatividade territorial.

Como o caso açoriano demonstra, existem diversas soluções que podem ser utilizadas para adaptar o sistema eleitoral. Mas são opções sérias que devem ser bem ponderadas. E terão de ser relativamente consensuais, uma vez que o favorecimento de determinado aspecto funcionará sempre em prejuizo de um outro. Por exemplo, o favorecimento dos círculos mais pequenos implica que as razões de tal indução de desproporcionalidade sejam comummente aceites por todos os actores políticos. Importa também que tal desproporcionalidade não leve a situações em que o partido mais votado não obtém a maioria dos mandatos, destorcendo-se assim a lógica eleitoral.

Em suma, a redução do número de deputados sem impactos negativos em termos de representatividade territorial e pluralismo político implicaria certamente uma reforma no sistema eleitoral. Trata-se de uma questão que deve ser seriamente estudada e debatida, uma vez que determina o peso que cada voto, que cada força política e que cada região poderá ter no todo nacional. Assim sendo, a actual a sede de redução de deputados instalada por um contexto de crise económica se calhar não é o momento mais indicado para o fazer.
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Artigo publicado ontem no Açoriano Oriental
(Imagem: Com que então?)

Escolas vs Auto-Estradas

Não é difícil adivinhar que o encerramento de escolas com menos de 20 alunos afectará sobretudo zonas com problemas de envelhecimento da população, zonas com problemas de desertificação. Ou seja, tendencialmente acontecerá fora do “litoral próspero e desenvolvido” do país. (ver aqui e aqui)
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Assim sendo, é sempre interessante verificar que quando está em causa a construção de auto-estradas, vias rápidas e outros hinos ao betão, o país deve sempre ser solidário com o “interior pobre e esquecido”, todos devemos aplaudir o investimento público como forma de quebrar isolamentos e como motor de desenvolvimento. Mas quando se trata de manter escolas, infra-estruturas centrais para a manter a qualidade de vida local, pólos dinamizadores desses meios e indutoras da própria natalidade, aí já é mais chato, mais complicado…

É que inaugurar grandes obras e alimentar grandes grupos da construção civil compensa mais a determinada classe política do que continuar a investir em escolas e outras coisas do género…
(Imagem: Tulanelink)

terça-feira, 1 de junho de 2010

Bora todos fingir que acreditamos

O Governo anunciou que encerrará 500 escolas do 1º ciclo com menos de 20 alunos. Mas atenção que foi sublinhado desde logo que tal nada tem a ver com a objectivos de poupança. É a qualidade do ensino que está em causa...
(Imagem: No Bullshit)

Aí a pressa, a pressa...

Os erros são chatos em jornais. Mas tê-los na primeira página, no principal destaque, deve ser no mínimo embaraçoso. O i de hoje afirma que «"Há casais a preparar acções em tribunal", garante a LGBT.» Quem será essa tal de LGBT, hein?