Já tínhamos visto responsáveis governamentais serem remodelados, vindo depois a público criticar ferozmente o Executivo. Mas ver um Ministério congratular-se com a demissão de um Director-Geral, atribuindo-lhe os grandes males da casa é, no mínimo, “exótico”. sábado, 10 de julho de 2010
Exotismos
Já tínhamos visto responsáveis governamentais serem remodelados, vindo depois a público criticar ferozmente o Executivo. Mas ver um Ministério congratular-se com a demissão de um Director-Geral, atribuindo-lhe os grandes males da casa é, no mínimo, “exótico”. sexta-feira, 9 de julho de 2010
"Ai chega, chega, chega a minha agulha… ♫"
… afasta, afasta, afasta o meu dedal, Brejeira, não sejas trafulha, Ó bela vem coser o avental” (Beatriz Costa, A agulha e o dedal)É difícil ficar-se indiferente à intensa aproximação dos últimos tempos entre Sócrates e Passos Coelho. Sobretudo pelas suas consequências, mas também pela fraca qualidade de toda a encenação. Uma sequela de aproximar e afastar constante, uma espécie de pecar compulsivo com um indisfarçável desconforto posterior, um vício ou tentação que gera sentimentos de culpa de parte a parte. Seguem-se depois os ânimos exaltados e o subir de tom na troca de acusações. Após a aproximação, há que dar lugar ao afastamento. O clássico de Beatriz Costa, por entre chegas à minha agulha e afastas o meu dedal, acaba por reflectir de forma trágico-cómica o referido fenómeno.
Tudo parece ter começado a intensificar-se com o PEC II. Aprovado pelo PS e PSD com medidas duríssimas, foi interessante verificar como o elogio mútuo da responsabilidade apareceu sempre intercalado com um apontar de diferenças e responsabilidades. As ligeiras querelas que surgiram deram particular jeito, ficando bem na fotografia. A série Chips & SCUTs foi igualmente interessante. Durante a manhã tínhamos entendimento à vista, ao fim da tarde era-nos servida uma discussão de meia-noite.
Mais recentemente, as reacções ao veto à compra da Vivo pela Telefónica também têm sido curiosas de observar. Ora tivemos dirigentes laranjas a colocarem-se ao lado do Governo (e.g. Paula Teixeira da Cruz, reflectindo certamente o posicionamento da maioria do eleitorado social-democrata), ora temos Passos Coelho a sublinhar que o Governo agiu mal, não deixando o mercado funcionar. As trocas de acusações de ajoelhamento perante os espanhóis e de atitude colonialista sucederam-se.
Por último, a questão da proposta de revisão constitucional que o PSD promete apresentar também tem gerado alguns episódios interessantes. O mais recente deu origem a uma troca de acusações em que Sócrates, num rasgo de progressismo, disse que não contassem com ele para introduzir o neoliberalismo na Constituição. Passos respondeu ao seu parceiro político das 2ªs, 4ªs e 6ªs que não existia qualquer tendência neoliberal no PSD (?!?).
Por entre tantas aproximações intercaladas de declarações públicas de repúdio, os portugueses lá vão assistindo entediados a este filme de série B. E o recurso à musicalidade para ilustrar o que se está a passar acaba por ser uma solução legítima para os mais deprimidos. Para aqueles que apreciam os clássicos, A Agulha e o Dedal é perfeito. Para explicar às crianças o que se está a passar, poder-se-á recorrer ao “Ora chega, chega, chega, Ora arreda lá pr'a trás!“ do “Indo eu a caminho de Viseu”. Finalmente, para quem aprecia um estilo tipo música do mundo, neste caso não deverá perder o encantador tango do bloco central.
Num quiosque perto de si
Já saiu a edição de Julho do Le Monde Diplomatique. Sumário completo do mês aqui.
Sobre as libertações em Cuba
Embora tímidos e infinitamente insuficientes, são positivos os sinais que chegam de Cuba. Será que os dirigentes cubanos alguma vez compreenderão que só com a democracia política se pode conseguir a verdadeira revolução?(Imagem: Latin Heat)
quinta-feira, 8 de julho de 2010
RIP RCP

Mais um órgão de comunicação social a encerrar. Depois do 24 horas e do gratuito Global Notícias, eis o Rádio Clube Português. O Verão está a deixar mais pobre a imprensa portuguesa.
quarta-feira, 7 de julho de 2010
Descoberta da Semana

Só ontem descobri a funcionalidade do You Tube que permite gerar automaticamente uma playlist musical com base na primeira música que escolhemos. Por exemplo, ao ouvir o Icecream dos New Young Pony Club, basta seleccionar o botão identificado na imagem acima e conseguimos 40 músicas dentro do mesmo género musical. Entre sons conhecidos e grupos que nunca ouvimos falar, a funcionalidade “parece adivinhar” o tipo de música que procuramos. É brutal. Para quem ainda não conhece, vale a pena experimentar. Equivale a criar uma rádio própria com um simples clique.
Pão para a boca
Este caso do alegado favorecimento do Turismo de Portugal colocando publicidade na ControlInvest (DN, JN) levanta o velho problema dos efeitos da publicidade do Estado nos órgãos de comunicação social. Em tempos de crise, onde sobretudo a imprensa escrita passa por grandes dificuldades, a captação de publicidade de organismos públicos surge como pão para a boca.De que forma tal distribuição de benesses se reveste de um carácter político? De que forma influencia rumos editorais? E se tal pode acontecer em órgãos nacionais, imaginem o efeito deste fenómeno da publicidade pública nas imprensas regionais e locais… Eis um assunto que merecia ir para a lista de coisinhas importantes que mereciam ser estudadas em Portugal.
(Imagem: Kiosk Sapo)
terça-feira, 6 de julho de 2010
A Revolução Feminina em Marrocos

Bom artigo de Paulo Moura na Pública sobre a mudança da condição feminina em Marrocos. Relata a revolução em curso neste país muçulmano aqui tão perto. Vale a pena ler.
Por falar em “reflexão”…
De Paulo Pedroso a Ferro Rodrigues, de João Proença a Mário Soares, algumas críticas à esquerda já se fizeram sentir nas jornadas parlamentares dos socialistas (apenas é de estranhar a ausência de António José Seguro). É natural que assim tenha acontecido. Aliás, é conhecida a tendência do discurso interno dos partidos do centro do espectro partidário recair um pouco para os extremos nos momentos de reflexão interna. São dinâmicas normais, portanto.Mas se calhar, para além do discurso que servirá sempre para encher algumas linhas nos jornais, era mesmo importante os socialistas começarem a aproveitar estes momentos para pensar, de forma implícita, no pós-Sócrates. Não só em termos de liderança, mas também em termos programáticos.
Já surgem rumores de movimentações neste sentido porque se sabe que reconstruir o partido depois de uma liderança tão forte não será tarefa fácil. O Congresso de Fevereiro, depois das presidenciais, será um momento interessante neste sentido. Veremos que alternativas se dão a conhecer (até) lá.
(Imagem: JRP)
Um bocadinho de bom senso, sff
Importa não desvalorizar, muito menos escarnecer, o tipo de crimes que parecem estar a ocorrer na linha de Cascais (ver aqui ou aqui). Mas importa também ter presente que, com a entrada da silly season, parece que subitamente o crime varre o país. Os telejornais começam então a abrir com o assalto à lavandaria das Olaias, com o roubo da ourivesaria em Matosinhos e com as burlas a idosos no Alentejo.Haja bom senso. É que é muito mais plausível que a ausência de notícias da actualidade nacional empurre a comunicação social para uma cobertura extensiva da criminalidade, do que a ideia que os criminosos e delinquentes resolvem todos cometer crimes quando os termómetros começam a ultrapassar os 30 graus.
(Imagem: Comportamento Magro)
segunda-feira, 5 de julho de 2010
Do triste ao deprimente
Ver o ícone da equipa partir para um clube rival sem mais é triste. Mas ver o presidente do clube a tentar linchá-lo em público é deprimente. Não sou grande craque da filosofia futebolística, mas linchar publicamente alguém que é/foi capitão de equipa (i.e. que foi escolhido pelos seus colegas) é capaz de não ser lá muito boa ideia. Penso eu de que…(Imagem: NAF Brandoa Madragoa)
Sobre a “troca de mimos" do momento
(Imagem: Bartoon, Público 05/07/2010)
domingo, 4 de julho de 2010
Sugestão de Leitura
Bom artigo da New York Review of Books publicado ontem no P2 sobre o progressiva perda de influência do sionismo liberal na importante comunidade judaica americana.
sábado, 3 de julho de 2010
Cabecinhas Pequenas

Em tempos de austeridade, e num acto que vale sobretudo pelo simbolismo, a Assembleia da República determinou que as deslocações aéreas dos deputados inferiores a 3 horas passarão a ser feitas em classe económica. Mas parece que foi complicado porque muitos deputados, nomeadamente dos Açores e da Madeira (mas não só), consideraram que tal era desprestigiante. Assim se vê o que vai dentro de algumas cabecinhas. É que só cabecinhas muito pequenas podem achar que é desprestigiante para os representantes do "povo" viajarem lado a lado com o "povo".
sexta-feira, 2 de julho de 2010
Ok, já chega, vá lá
Depois dos chips, começa agora a adivinhar-se um acordo na questão das SCUT. Após ter mantido o PS debaixo de fogo durante dias, submetendo-o a grande desgaste, o PSD assume agora uma postura de "ok, já chega, vá lá... Bora dar uma oportunidade a estes coitados".(Imagem: Class X Radio)
O que poderíamos fazer com 5 mil milhões?
Obviamente que não é desejável um Estado totalitário em termos fiscais, que actue como uma espécie de inquisidor, como um big brother junto dos cidadãos e empresas. Não é isso que se pede. Mas é vergonhoso, sobretudo num momento como o presente, percebermos que se perderam 5 mil milhões em impostos nos últimos anos. No fundo, 3% do PIB, correspondendo a mais de quatro "pacotes" de aumentos de impostos como o lançado em 2010 no âmbito das medidas adicionais ao PEC, deitado fora sobretudo devido a prescrições na cobrança de dívidas fiscais. Não pode ser. O crime não pode compensar.(Imagem: Blog Zirleu Pereira)
quinta-feira, 1 de julho de 2010
O que os Portugueses pensam sobre a crise
Estranho seria se os portugueses estivessem todos a aplaudir as medidas de austeridade. Mas a sondagem divulgada na RTP e no DN é sintomática de como a opinião pública encara o rumo que está a ser seguido e as conclusões que daí retira.
Cuidado com os apolíticos
Desde o princípio dos tempos existem políticos ou candidatos a políticos que fazem questão de demonstrar o seu desapego pela actividade política. Fazem, desde modo, uma exaltação da apolítica ou da não-política, fórmula encontrada para que lhes atribuam algum distanciamento de uma classe pouco afamada junto da opinião pública. Este tipo de comportamento reflecte-se em diversos tipos de posturas, mas existem duas que são clássicas: 1) fazendo crer que a actividade política não resulta de uma vontade do próprio, mas sim de uma espécie de dever para com o país, um duro sacrifício a que se submetem em nome dos seus compatriotas; 2) colocando-se acima da política, acima dos partidos, acima da esquerda ou da direita, afirmando-se para além de tudo disso, o que quer que tal signifique.Curiosamente, e cada um à sua maneira, dois dos actuais candidatos à Presidência da República têm alguma tendência para recorrer às posturas apolíticas. No caso de Cavaco Silva, desde a famosa história da rodagem do seu novo Citroen BX ao Congresso do PSD na Figueira da Foz em 1985 que é conhecida a sua crónica atitude de distanciamento relativamente à actividade política. No fundo, parece que nunca foi Cavaco que quis assumir cargos. Foram sempre os outros que lhe pediram que assim o fizesse. E mesmo depois de ter sido 10 anos primeiro-ministro e 5 anos Presidente da República, continua sem se considerar um político.
O caso de Fernando Nobre é naturalmente diferente. O médico e presidente da AMI fez questão de se assumir desde o ínicio como não-político, como não ligado aos partidos políticos e, de forma ainda mais arrojada, acima de qualquer divisão esquerda-direita. Era espectável que a sua candidatura procurasse manter uma postura de independência. No entanto, no meio de tanta negação, os eleitores podem, deste modo, ficar sem saber muito bem o que pensa e o que defende Fernando Nobre. Guiar-se-á apenas pelo seu bom senso, será? Espera portanto que votem no seu bom senso?
Como é evidente, as posturas acima não acontecem por acaso. A actividade política e seus protagonistas são desde sempre encarados com desconfiança por grande parte da opinião pública. E tal não é um exclusivo português, mas sim uma tendência consolidada em todo o mundo ocidental. A política é uma actividade que, também devido à elevadissima exposição mediática a que é sujeita, transpira vícios, faltas de honestidade e verticalidade, ambições desmedidas, entre outros traços pouco abonatórios. O político parte por isso para a negação da sua condição na tentativa de ganhar alguma credibilidade extra. Tenta apresentar-se como um cidadão comum, sem os tais vícios que são atribuídos aos seus correlegionários.
O problema é que tal distanciamento artificial do mundo político acarreta reversos da medalha há muito conhecidos. Por exemplo, o político que sublinha que a sua função é uma espécie de sacrifício pessoal que faz em nome do povo e do país habilita-se a que tirem sérias ilações sobre a sua falta de frontalidade ou mesmo honestidade. Por seu turno, a fuga permanente aos rótulos de esquerda ou direita também pode não o engrandecer. É que, com todos os defeitos que possuem, tais dimensões são traços que asseguram alguma coerência ideológica ao actor político. Dotam a sua acção de alguma previsibilidade, fazendo que com que a mesma não dependa apenas de coisas tão relativas como o bom senso ou o estado de espírito. Em suma, a política pode não ser a mais nobre das actividades, mas entrar ou permanecer nela negando-a acaba por reflectir traços pouco abonatórios.
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Artigo publicado terça-feira no Açoriano Oriental
(Imagem: Horta do Zorate)
quarta-feira, 30 de junho de 2010
Coisas de fim de ciclo
Com o sensação de fim de ciclo a invadir o país, o nervosismo instala-se naturalmente entre as pessoas que possuem cargos de confiança política no presente governo. Assessores, vogais de direcção, chefes de gabinete, entre muitos outros. Inicia-se então um fenómeno típico: algumas destas pessoas começam a ser nomeadas para cargos de direcção intermédia na Administração Pública - directores de serviço, chefes de divisão, entre outros. Deste modo, se o Governo cair, elas não caem e podem continuar a levar um salário simpático para casa. Porreiro, não é?(Imagem: Bacharak)
terça-feira, 29 de junho de 2010
RIP 24 Horas

Os meios de comunicação social são peças centralíssimas em qualquer democracia. Da mesma forma que o nascimento de um jornal deve ser aplaudido, o desaparecimento de um deve ser lamentado. E apesar desta última situação estar a acontecer ao jornal que menos "aprecio" na praça (que apenas conheci as capas), nem assim consigo deixar de ficar com a sensação de que a democracia fica um bocadinho mais pobre.
(Imagem: Kiosk Sapo)
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