sábado, 8 de janeiro de 2011

Alegro Pianíssimo - Blogue de apoio a Alegre


Surgiu nos últimos dias o Alegro Pianíssimo, um blogue de apoio à candidatura de Manuel Alegre. Conta com diversos autores, muitos bastante conhecidos da praça. Também estou lá presente. Procurarei também ir dando os meus contributos. Recomendo naturalmente que vão passando por lá: http://alegro.blogs.sapo.pt/

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

E se os políticos tivessem livros de reclamações?


E se quem neles votasse pudesse ter algo como “se não ficar satisfeito, devolvemos o seu voto”? Ou “se encontrar um melhor político, nós oferecemos a diferença”.

Vem este devaneio a propósito de um fenómeno que não deixa de ser paradoxal nos dias que correm: ao mesmo tempo que os cidadãos adoptam (e bem) uma postura cada vez mais exigente na defesa dos seus direitos enquanto consumidores, assiste-se ao badalado crescente alheamento político da generalidade da população. Ao mesmo tempo que vemos os cidadãos rapidamente reagirem caso um LCD ou um telemóvel que tenham comprado avarie durante a garantia, a postura perante um corte salarial ou a perda de um qualquer direito económico, social ou até mesmo político tende a ser contemplativa. Mas porquê tal discrepância de posturas? Porquê um cidadão consumidor tão activo em contraste com um cidadão político tão conformado?

Como parece evidente, a defesa de um direito de consumo é algo pessoal, é algo que mexe directamente no bolso do cidadão. E se este não reagir, ninguém o fará por ele. Logo, caso algo corra mal, este cidadão consumidor hesita cada vez menos em pedir o livro de reclamações, em desancar o funcionário que lhe presta o serviço ou a pedir até para falar com o gerente. Porque a ele, ninguém engana ou, dito até de forma mais simples, a ele ninguém o faz passar por parvo.

Curiosamente, a nível político, tal grau de exigência parece pura e simplesmente desvanecer-se em franjas cada vez maiores da população. Questões que não afectem em exclusivo tal cidadão, questões da coisa pública, de governança ou questões de direitos, passam a ser vistas como inatingíveis. A indignação existe, mas não dá lugar à acção por não se vislumbrar um retorno imediato de tal esforço.

O fenómeno acima é apenas mais um dos resultados de uma sociedade pautada pelo individualismo. Uma sociedade em que a defesa de direitos comuns, numa lógica solidária, é de facto encarada como quase exótica. Ou seja, as causas de tal fenómeno não constituem novidade. De qualquer modo, independentemente dos juízos de valor que possam ser feitos a este respeito, importa que a política também se consiga adaptar a este individualismo crescente dos cidadãos. E importa também que se aprofundem mecanismos democráticos que possam dar feedback imediato aos cidadãos.

Se calhar têm de ser encontrados livros de reclamações para os cidadãos insatisfeitos com os seus representantes. Se calhar importa aplicar medidas de qualidade que melhorem o desempenho democrático. Se calhar importa encontrar equivalentes políticos aos dois anos de garantia a que os consumidores têm direito quando adquirem um produto. Não se trata de defender uma democracia do consumo. Mas não querendo recorrer a lugares comuns, parecemos chegar sempre à mesma conclusão: a democracia tem de conseguir dar maior feedback aos seus cidadãos. Tem de continuar a profundar mecanismos para melhor responder à sua participação. Tem de compensar o seu esforço participativo. Tem de ser criativa e exigente consigo própria, pois só assim conseguirá inverter a perigosa tendência de alheamento perante a coisa pública.

Artigo hoje publicado no Esquerda.net

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

As campanhas que por aí se encontram :)




Via Shyznogud

Um docinho para o eleitorado conservador




Cavaco Silva é naturalmente livre de vetar nesta altura um diploma apenas com propósitos políticos. Mas o eleitorado também deverá tirar ilações de um candidato que não hesita em fazer campanha a partir do Palácio de Belém.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Venha o próximo salpico!




Depois de ter passado sempre entre os pingos da chuva quanto às ilações políticas do caso BPN, parece que finalmente Cavaco começa a sentir alguma coisinha. Mas também é preciso ser claro a este respeito: a vasta maioria da opinião pública está-se nas tintas para este tipo de enredo. A probabilidade deste caso alterar sentidos de voto parece-me mínima.

De qualquer modo, é bom ver que Cavaco também se consegue molhar, nem que sejam ligeiros salpicos. Resta agora ver qual o salpico que se segue. O caso das escutas, será? De salpico em salpico, algumas mossas poderão começar a fazer-se sentir.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Sabedoria Cavaquiana




Questionado pelos alertas dos partidos da oposição sobre a falta de democracia na Madeira, Cavaco respondeu que não se quer intrometer em lutas partidárias... Bem, ficámos deste modo a saber o que pensa o recandidato presidencial sobre o que se passa na Madeira: coisas sem importância, delírios da oposição e da comunicação social.

The Agitator


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A capa do Ípsilon desta semana destaca o papel deste novo tipo de música de intevenção que tem acompanhado os protestos dos estudantes em Inglaterra. O artigo do suplemento do Público ainda não está disponível. De qualquer modo, para quem tiver interesse, vale a pena ler este do Guardian.

Ensitel: o final feliz




O episódio da Ensitel chegou ao fim no último dia do ano com um pedido de desculpas da empresa. Foi a primeira coisa sensata que fez em todo este processo. A Maria João aceitou-o e isso é talvez o mais importante no que às duas partes diz respeito.

De qualquer modo, como quase toda a gente percebeu, tratou-se de um episódio que transcendeu o desentendimento entre as partes. Jogava-se o papel que as redes sociais podem ter neste Portugal dos dias de hoje. Não sendo mais do que um conflito de consumo, ficou de qualquer modo claro que as redes sociais e quem nelas se move já conseguem fazer tremer alguma coisa.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Bom 2011




Embora com atraso um bom ano para todos os que por aqui passam!

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Ensitel




Antes de mais, estamos naturalmente solidários com a Maria João Nogueira na sua aventura contra a Ensitel. Ser apanhado nas malhas da incompetência é um desespero.

Mas este caso está a demonstrar a nível nacional o poder que as redes sociais podem ter. A Ensitel, por seu turno, está estranhamente a demonstrar não viver neste mundo ao tentar resolver o processo nos tribunais. Está a conseguir uma publicidade negativa sem precedentes. Recomendo ao seu departamento de relações públicas que tire um tempinho e leia este livrinho...


quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Futurologia para 2011

2010 ficará rotulado como o ano da crise, parecem existir poucas dúvidas a este respeito. Será lembrado como um ano de má memória. O ano em que a Europa se viu à mercê da confiança e estabilidade emocional dessa estranha entidade conhecida como “mercados”. Para os portugueses, 2010 será recordado como o ano dos PECs, o ano em que um pacote de austeridade sem precedentes foi decretado, o ano em que muitas famílias perceberam que o dia de amanhã em termos de condições de vida poderá não ser melhor do que o dia de hoje. Posto isto, como será 2011? O que se segue a este 2010 de má memória? Os exercícios de futurologia possuem naturalmente o valor que lhes quisermos atribuir. O traçar de cenários prospectivos vale o que vale. Mas não deixam de ser exercícios interessantes de realizar.

Em termos económicos, tudo leva a crer que a crise está cá para ficar. Aliás, uma vez que muitas medidas de austeridade só terão início em Janeiro, constatamos facilmente que os efeitos da crise económica em curso ainda não se estão a fazer sentir em pleno. O crescimento previsto para o próximo ano não é animador e é muito pouco previsível que os índices de confiança melhorem significativamente. O desemprego deverá continuar a crescer, assim como o custo de vida. Aliás nestes domínios, a subida do IVA e das taxas de juro no crédito à habitação são ingredientes explosivos para a diminuição do rendimento disponível dos agregados familiares. Em suma, as expectativas económicas para 2011 são muito pouco animadoras.

A nível de politica nacional, sérias mudanças adivinham-se. A crer nas actuais sondagens, Cavaco Silva será reeleito, somando assim mais 5 anos na sua estadia por São Bento. Por seu turno, tudo parece indicar que o actual Governo cairá no limite até à aprovação do próximo Orçamento de Estado. Passos Coelho será então eleito, adivinhando-se que tal possa significar para o PSD o regresso às longas temporadas no poder. Possivelmente tal acontecerá até em coligação com o CDS, concretizando-se assim os sinais que vêm sendo dados pelos líderes dos dois partidos. Revigorar-se-á o panorama do centro-direita em Portugal. concretizando-se aliás o famoso sonho de Sá Carneiro: “um presidente, uma maioria, um governo”.

O PS voltará, por seu turno, para a oposição. Ausente de São Bento e de Belém, perspectiva-se uma significativa travessia no deserto. O partido tenderá então a eleger uma direcção mais à esquerda. Procurará deste modo saciar a sede de ideologia de que tem padecido nos últimos anos. Tal nova liderança dificilmente se constituirá como uma série alternativa ao novo governo do PSD. Cumprirá sim um objectivo bem mais concreto de conseguir que o partido se reencontre depois de uma longa estadia no poder.

A futurologia, ou se quisermos ser um pouco mais científicos, os cenários prospectivos, são traçados à luz do que hoje conseguimos vislumbrar. Assentam portanto na previsibilidade dos acontecimentos. Ora, se há coisa que sabemos à partida é que, embora algumas tendências na evolução dos acontecimentos possam ser facilmente identificáveis, a previsibilidade em termos políticos é um bem raro. Um qualquer acontecimento amanhã, um qualquer caso ou gafe cometida podem facilmente alterar o rumo que parecia inevitável. O fenómeno político em democracia é demasiado mutável para poder rimar com fatalismos. Eis uma máxima adequada ao início de um novo ano: nada está decidido, tudo continua por decidir. Se queremos ou não participar no rumo dos acontecimentos, tal já constitui uma questão que cada um de nós se deve colocar.

Artigo ontem publicado no Açoriano Oriental
(Imagem: Canga)

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

O Milagre do Natal





É mais do que sabido que impedir a reeleição de Cavaco Silva não será
uma tarefa fácil. Há toda uma tradição de recondução do Presidente da República que se recandidata. O desejo de estabilidade política do eleitorado, que normalmente vê na figura do PR alguém com traços paternalistas que paira acima da política mundana, a isso convida. Cavaco Silva encaixa na perfeição neste tipo de ideal tendencialmente expresso pela opinião pública. A sua figura e a forma meticulosa como tem gerido a sua exposição e comunicação deixam claro que todos os que a ele se opõem têm muito trabalho a fazer em Janeiro.

Mas independentemente da balança estar claramente inclinada para a reeleição de Cavaco Silva, não deixa também de ser interessante verificar como o agora candidato tem saído incrivelmente incólume de uma série de questões que vão surgindo na agenda. Consegue passar entre os pingos da chuva com uma destreza (ou sorte) impressionante, como se se tratasse de uma espécie de ser transcendente que nunca se molha, nunca se suja, nunca se compromete.

O caso BPN, que agora voltou à tona devido à injecção de mais 500 milhões de euros, é apenas um exemplo neste sentido. Como é evidente, não está naturalmente em causa o lançamento de suspeitas de envolvimento do actual PR no grupo liderado por Oliveira e Costa. De todo, importa ser claro a este respeito. Mas não deixa de ser interessante observar como um escândalo que não pára de crescer e que envolve figuras ultra-próximas de Cavaco Silva não esteja a causar os mínimos danos neste.

O BPN é conhecido como uma das grandes obras do cavaquismo, dado o tão grande número de responsáveis do banco que exerceram funções governativas entre 85 e 95. Dissociar o BPN do círculo do actual PR está longe de ser uma tarefa fácil. No entanto, paradoxalmente, tudo continua a processar-se, o escândalo continua a aprofundar-se sem que a imagem de Cavaco saia sequer respingada. No momento presente, em que as mais duras políticas de austeridade estão a ser adoptadas ao mesmo tempo que se continuam a atirar milhões para um buraco sem fundo chamado BPN, é um verdadeiro milagre de Natal que tudo esteja a passar ao lado do actual PR.

Nesta perspectiva, valha-nos o facto de o Natal estar acabar, estando já à porta um mês de Janeiro onde muita coisa acontecerá certamente. Não será necessário um milagre para derrotar Cavaco Silva. Mas se calhar importa sinalizar e desconstruir com seriedade esta espécie de milagres não param de o beneficiar.

Artigo publicado hoje no Esquerda.net
(imagem - We have Kaos in the Garden)

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Números curiosos...




Segundo dados do Tribunal de Contas, 61% dos fundos anti-crise aprovados no ano passado em Portugal tiveram como destino a banca. Por seu turno, 1% foi aplicado no combate ao desemprego. Poder-se-á sempre argumentar que o desemprego não se combate apenas com medidas directas de combate ao desemprego. É evidente. De qualquer modo, os números agora apresentados não deixam de ser elucidativos.

Pai, dá-me o teu brinquedo!




Novo problema cá de casa: o filho não deixa o pai brincar sossegado com o seu iPad. O pai tem de brincar às escondidas ou esperar que o filho adormeça para poder ligar o brinquedo...


terça-feira, 21 de dezembro de 2010

O poder da galinha da vizinha




Embora sejam domínios naturalmente diferentes, não deixa de ser sintomático que o complemento dado por César a alguns funcionários públicos dos Açores tenha criado muito mais alarido do que os 500 milhões injectados agora no BPN. Abusando da simplificação do problema, é sempre mais simples indignarmo-nos com a galinha da vizinha.

@Ponta Delgada




Sabe bem estar na terra. Pena não poder cá vir mais vezes. Os preços das passagens aéreas continuam a roçar o proibitivo. Para quem não tenha bem a noção: por dois adultos, uma criança e um bebé, utilizando as tarifas mais baratas que podem existir (voos a más horas e em dias menos solicitados, sem possibilidade de alteração), tivemos de desembolsar cerca de 700 euros. Vir à terra torna-se um verdadeiro investimento...

domingo, 19 de dezembro de 2010

Certeiramente Incómodo




Mariano Gago esteve bem ao apontar o papel excessivo que as ordens profissionais têm vindo a assumir no acesso às profissões. E apesar de incomodas e pouco usuais, se calhar não se devia estranhar ver um ministro do Ensino Superior a proferir tais declarações. Porque as restrições colocadas pelas ordens, quer através de certificação de cursos ou exames de acesso à profissão, são verdadeiros atestados de incompetência passados ao sistema de ensino superior.

iProgresso?




É uma verdade batida, mas uma das coisas mais "revolucionárias" dos gadgets da Apple (ipod, iphone, ipad) é conseguirem colocar de novo os utilizadores a pagarem por software e conteúdos. Se isso significa de facto um progresso ou não, aí as opiniões podem naturalmente dividir-se... Confesso que a minha divide-se profundamente.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

O mestre do soundbyte

Muitos tentam chegar-lhe aos calcanhares, mas não é fácil entrar no campeonato de Paulo Portas em matéria de soundbytes. Eis o último, que por momentos até nos faz crer que Portas é um homem de esquerda: "Se José Sócrates agora quer um simplex para o despedimento, o CDS quer um simplex para a contratação". De mestre, sem dúvida... :)
(Imagem: Café Odisseia)

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Bravo! clap clap clap

Eis um exemplo perfeito de como uma boa utilização das redes sociais pode ser decisiva nos dias que correm. O criativo video da empresa portuguesa Excentric - História do Natal Digital - a transformou-se em poucos dias num dos fenómenos web deste Natal. Quando aqui o publiquei há 1 semana atrás, ainda não tinha salvo erro 6000 visionamentos. No momento em que faço este post já ultrapassou os 1 250 000 visionamentos. Eis como um custo ultra reduzido, com recurso sobretudo à criatividade, a Excentric conseguiu uma projecção impressionante. Corresponde ao paradigma Socialnomics na perfeição.