
"Atinge um grau patético a encenação de negociações e de rompimentos e de crises em torno de questões técnicas que nada têm de divergência política e ideológica." São José Almeida (Público, 30/10/2010)
(Imagem: Sodahead)


É oficial: já sou pai de um "casalinho piroso". Depois do Henrique há dois anos e meio atrás, hoje de madrugada chegou a Luísa!
Ora aqui está mais um exemplo do “jovem à beira dos 30” a ascender à liderança de uma juventude partidária. Não tenho muito a acrescentar ao que já escrevi anteriormente a este respeito. Apenas que esta tendência me faz lembrar algo do género “agora que sou crescido e estou na primária, posso voltar ao jardim infantil e ser o chefe!”. Enfim…
O Wikileaks está de facto a revolucionar a denúncia de abusos diversos cometidos em todo o mundo. Numa altura em que as aplicações de colaboração online estão a fazer-se sentir em força nas mais diversas esferas do social (do emprego aos namoros e aos aniversários, do governo aberto a modelos de crowdsourcing), eis apenas mais um exemplo da mudança em curso nos nossos dias com efeitos políticos claríssimos.
“Portugal cai para 40.º no ranking da liberdade de imprensa, o lugar mais baixo desde 2004.” Os rankings valem o que valem e de facto não é conhecida em pormenor a metodologia deste estudo dos Repórteres sem Fronteiras. De qualquer modo, tendo em conta o que se passou em 2009, não é surpreendente. E para quem se preocupa com a qualidade da democracia, é uma péssima notícia.
Confesso ter dificuldade em escolher o que é mais deprimente: a) a manutenção de um tabu que não o é; b) a quebra de um tabu que nunca o foi.
Ficámos este fim-de-semana a saber mais concretamente como será o ano de 2011 em Portugal. A proposta de Orçamento de Estado apresentada veio materizalizar muito do que já vinha sendo anunciado. O corte na despesa afirma-se como principal prioridade e a palavra austeridade passou de facto a ser omnipresente. Trata-se do maior corte na despesa pública efectuado no país desde a transição para a democracia. Elucidativo, não?
Quando correntemente se afirma que “PS e PSD são iguais”, normalmente tal é feito com um tom sarcástico (ou de desespero), levando alguns a considerar que se trata de um manifesto exagero. No entanto, para lá do senso comum, existem estudos empíricos que têm vindo a demonstrar a proximidade excessiva entre os referidos partidos. Utilizando reconhecidas técnicas da Ciência Política, tem-se demonstrado que a proximidade ideológica dos dois partidos portugueses do centro é de facto maior do que a verificada noutros sistemas partidários de referência europeus (ver André Freire, Esquerda e Direita na Política Europeia, ICS, 2006).
A eleição de Portugal como membro permanente do Conselho de Segurança da ONU é, sem dúvida, uma importante vitória. Pelo tipo de organização que é a ONU, mas também (sejamos claros) pela projecção a nível internacional que tal lugar confere.
Depois de muitos terem ficado roucos após anos e anos a criticar as parcerias público-privadas, finalmente começa-se a fazer luz. Afinal o negócio da China que permitia inaugurar a auto-estrada agora e pagar a 30 ou 40 anos o dobro ou triplo do que ela efectivamente custou não é assim tão fantástico quanto isso. Comentários para quê?
A bipolarização proporcionada pelas eleições presidenciais leva a autênticos concursos de engolir sapos. À esquerda tal acontece, sem dúvida. Mas no panorama da direita não se fica atrás. Ver Santana Lopes (a quem Cavaco chamou de má moeda, consentindo inclusive o derrube do seu governo) a considerar o actual Presidente da República como um “referencial de segurança” é, no mínimo, delícioso.
Pelos vistos em Espanha começa-se a discutir algo que por cá parece ter merecido pouco relevo. É que a redução de salários na função pública significa um importante precedente no contorno do direito até agora sagrado da impossibilidade da entidade empregadora poder reduzir salários. Aliás, os efeitos deste precedente saltaram logo à vista no dia seguinte ao anúncio da medida quando a CIP veio pedir um alargamento de tal possibilidade ao sector privado.
No próximo dia 10, Domingo, Lisboa manifestar-se-á contra a Pena de Morte, juntando-se assim ao conjunto de cidades de todo o mundo onde será lembrado o 8º Dia Mundial contra a Pena de Morte. Apela-se fortemente à participação e divulgação deste evento.
Tudo indica que haverá acordo entre a CGTP e a UGT para uma greve geral no dia 24 de Novembro. Como disse o Daniel Oliveira no último Eixo do Mal (cidado de memória): “Se os mercados podem andar permanentemente nervosos, os trabalhadores também têm tal direito.”
Recentemente ouvi alguém falar nesta disciplina que (ainda) se lecciona nas universidades. Fiquei surpreso. Com o que vemos ou ouvimos todos os dias, pensava que estas coisas da economia já não tinham nada de política, nem de caminhos alternativos, nem de teorias em confronto. Tudo se resumia hoje à simplicidade de gerir um Estado como se gere uma casa ou uma empresa. Quem serão esses palermas que ainda hoje estudam economia política, hein?