terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Dúvida do dia

Santana Lopes receberá hoje do Presidente da República a Grã-Cruz da Ordem de Cristo, condecoração que distingue “personalidades que exerceram funções públicas de alto relevo”. Mas fica uma dúvida no ar: qual a função pública de Santana a que a Presidência se está a referir? :) A de primeiro-ministro? A de presidente da Câmara de Lisboa? Da primeira ou segunda vez? Ou será a da Câmara da Figueira da Foz? Ou a liderança do grupo parlamentar do PSD? Ou por ter sido Secretário de Estado da Cultura? Humm… Espera… Presidência do Sporting, será?
(Imagem: t12)

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Não está mau

Estranho seria se o PCP apoiasse desde já Manuel Alegre. Nem o PS o fez. Mas a reacção contundente de Jerónimo a uma candidatura de Alegre deixa alguma esperança no ar sobre uma ampla convergência à esquerda. A ver vamos.

O CDS, sempre o CDS…

Embora as negociações para o orçamento ainda estejam em curso, tudo indica que não existirão surpresas. O PS parece ter novamente encontrado no CDS o seu parceiro de eleição. É uma parceria com raízes históricas profundas que é tão antiga como a democracia portuguesa. E diz muito sobre a natureza política do PS e sobre a forma como se formou e consolidou o sistema de partidos em Portugal.
(Imagem: You Tube)

domingo, 17 de janeiro de 2010

Uma desforrazita

Não se percebe bem o que pretende Fernando Lima com a publicação da sua defesa de honra ontem no Expresso. Em primeiro lugar porque não traz nada de novo à discussão. Em segundo lugar, porque um assessor de um Presidente não vem a público, ao jornal com maior tiragem no país, falar em nome individual.

Certamente procura-se com este artigo de Lima ter mais uma palavra a dizer sobre um assunto que tem andado adormecido. Uma ligeira desforra num momento em que Cavaco volta a subir de popularidade. Um ligeiro contra-ataque como forma de ganhar alguns pontos enquanto o assunto não regressa em força à agenda com as presidenciais.
(Imagem: Estrada Poeirenta)

Se estou alegre?

Como é evidente, existem uma série de outras pessoas que preferiria ver em Belém. Carvalho da Silva, por exemplo. E é certo Manuel Alegre teve nos últimos anos momentos menos bons. De qualquer modo, julgo não exisitirem grandes dúvidas que é o candidato que, no momento presente, mais hipóteses poderá ter de derrotar Cavaco. Sobretudo pela convergência à esquerda que poderá conseguir reunir. Esperemos, portanto, que assim venha a acontecer.
(Imagem: Balões de Poesia)

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Red Bull a mais

A transferência da Red Bull Air Race do Porto para Lisboa foi, no mínimo, uma grande deselegância. Trazer para a capital um evento com tal projecção e que se afirmava já como um dos atractivos anuais do Porto é um episódio lamentável que devia ter sido logo posto de parte pela Câmara de Lisboa. Tal não aconteceu, assitindo-se a um cenário em que a autarquia alfacinha até lutou afincadamente para "gamar" o evento à Invicta. Enfim...

Como se tal não bastasse, verificamos agora que contrato foi muitissimo mal negociado e representaria uma despesa impressionante para a autarquia da capital, a milhas do que significou em anos anteriores para as Câmaras de Porto e Gaia (passou de 800 000 € no ano passado para 1,75 milhões de euros só para Lisboa, sendo o remanescente a cargo de Oeiras e pelo Turismo de Lisboa). Lamento mas só me ocorre uma justificação: será que se andou a beber Red Bull a mais?
(Imagem: Matt Mayer)

Barómetro da Qualidade da Democracia


Com a conferência que hoje se encontra a decorrer no Instituto de Ciências Sociais (e que me encontro a assistir), é inaugurado o Barómetro da Qualidade da Democracia. Será um instrumento interessante que, à semelhança do que já acontece em diversos países, monitorizará regularmente a qualidade da democracia em Portugal utilizando as últimas metodologias fornecidas pela Ciência Política. Boas notícias, portanto.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

A tradição do jeitinho

Jorge Coelho foi constituido arguido por susposto financiamento ilicito enquanto era Ministro do Equipamento Social. Infelizmente, é hoje dificil acreditar que quem tenha exercido altos cargos dirigentes no Estado e na Administração Pública não tenha já aprovado ou compactuado com ilegalidades financeiras e processuais. Algumas maiores, outras à primeira vista insignificantes.

Note-se que algumas delas até podem ter um fim não-malicioso (veja-se este exemplo em que alegadamente está envolvido Jorge Coelho). Procuram sim acelerar processos, ultrapassar burocracias, facilitar iniciativas. De qualquer modo, esta prática tão enraizada entre nós do jeitinho, do contornar a lei, merece um combate sem tréguas por razões que nem vale a pena aprofundar. E é bom que a Justiça deixe de ser contemplativa com esta tradição secular do jeitinho.
(Imagem: Herdeiro de Aécio)

Inimaginável

A confirmarem-se as estimativas que apontam para mais de 100 mil mortos no Haiti, esta é uma catástrofe sem paralelo nos últimos anos. O número de mortos é algo inimaginável. E, mais uma vez, as catástrofes naturais quase parecem sentir particular atracção por zonas de catástrofe humana...
(Imagem: Fox Toledo)

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Armas a mais

Sou naturalmente adverso a histerismos colectivos sempre que um determinado acidente grave acontece. Mas a quantidade de armas de fogo existentes em Portugal deixa-me, enquanto cidadão, particularmente incomodado e alarmado até. Se existe cerca de uma arma de fogo legal por cada 10 habitantes, quantas existirão se as ilegais fossem contabilizadas? Ah pois é...

Novo site da ATTAC

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O novo site da ATTAC Portugal foi lançado esta semana. Com uma série de novas funcionalidades, o espaço vem reforçar a presença da organização online. O site ainda não se encontra completo e existem ainda algumas questões a serem fechadas. De qualquer modo, consegue já cumprir o seu papel de ser um dos meios principais de divulgação da actividade da ATTAC.
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O site coabitará naturalmente com o já existente Grão de Areia, o blog da ATTAC (blog.attac.pt). Dada a sua tipologia, o blog pretende ser uma ferramenta de expressão menos institucional da ATTAC (bem sei que institucional rima pouco com a ATTAC), utilizando um tipo de comunicação mais leve, mais solta.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Vá lá, sejam criativos

Sem dúvida que, para quem é keynesiano, o investimento público é uma das melhores formas de responder à actual crise económica. Mas começa já a chatear um bocadinho o facto de tudo o que hoje é feito pelo Governo ser anunciado como uma resposta à crise.

Do TGV à rede hospitalar, da aposta nas renováveis à auto-estrada para Bragança, tudo se justifica, advinhem lá, por causa da “crise”. Haja paciência. Vá lá, sejam um pouco mais criativos nas justificações.
(Imagem: Aspen Store)

Realpolitik da Mais-Valia Política

Alguns politólogos questionados pelo Público consideram que a postura negocial assumida pelo Governo é sobretudo fruto das circunstâncias difíceis em que nos encontramos. Entre a consciência da crise económica e a necessidade de dar sinais positivos, o Governo opta assim por uma posição mais moderada, mais calma, mais responsável.

Pessoalmente inclino-me mais para a opinião algo dissonante de André Freire. Seria formidável, mas algo estranho, que esta mudança de face acontecesse pelas razões acima apontadas. Mais facilmente, a meu ver, sucede por uma forte necessidade de jogar ao “quem fica melhor visto pela opinião pública”.

No actual cenário, a reapolitik existe, mas julgo que não tanto guiada pela responsabilidade, mas sobretudo pela popularidade e pela mais-valia política. Penso eu de que...

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Candidato a candidato?

O i de sábado noticiou que Aguiar Branco é cada vez mais candidato à liderança do PSD. É, de facto, um dos rostos que mais se tem destacado no partido nos últimos tempos. Mas a pergunta de um milhão de dólares coloca-se sempre: daria um bom líder?

Arrisco uns bitaites neste sentido. Aguiar Branco não tem um perfil arrebatador, é certo. E só agora começa a ser melhor conhecido pela opinião pública. Mas, regra geral, tem conseguido passar uma boa imagem no meio do caos em que se encontra o seu partido. No entanto, como é sabido, mais do que impressionar para fora, qualquer novo líder tem de sim ganhar o partido internamente. Se Aguiar Branco tiver essa capacidade de unir os seus companheiros, conseguindo o apoio dos principais quadrantes, é meio caminho andado para que possa projectar uma imagem de bom líder.

Conseguindo a estabilidade interna acima referida, mais do que ter de ganhar o poder a Sócrates e ao PS, qualquer novo líder terá sim de esperar que Sócrates e o PS percam o poder. E tal esperar ou aguentar não é um esforço menor, sobretudo num partido como o PSD, em crises profundas sempre que não está no poder. Aguiar Branco estaria à altura deste esforço? É quase impossível prever.

Posto isto, voltando à grande pergunta: Aguiar Branco daria um bom líder do PSD? É possível que sim. Mas mais do que tal depender de si mesmo, depende sim de um conjunto de variáveis que lhe ultrapassam totalmente. Vamos ver como as coisas evoluem…
(Imagem: Illuminatus Lex)

domingo, 10 de janeiro de 2010

Twittersário

Há um ano e um dia atrás, este espaço inaugurou a sua conta no twitter. 1534 tweets depois, pergunto-me: Poderia viver sem twitter? Podia... Mas não era a mesma coisa.

Para terminar em grande o fim-de-semana


Vampire Weekend - Cousins

sábado, 9 de janeiro de 2010

Colóquio ATTAC - "Há mais vida para além do PIB"

Desenvolvido no contexto da Grande Depressão dos anos 30 e da II Guerra Mundial, acompanhando a ascensão da macroeconomia keynesiana, o PIB tornou-se um dos mais conhecidos indicadores económicos. O seu elevado grau de disponibilidade e de comparabilidade, entre países e ao longo do tempo, transformaram o PIB na medida privilegiada do sucesso das economias e das sociedades, em termos do discurso académico, mas também ao nível do debate político e da atenção mediática.

No entanto, há muito que foram sendo notadas as limitações do PIB, quer como medida da produção e do crescimento económico, quer, sobretudo, como indicador de qualidade de vida ou de bem-estar. A discussão sobre as insuficiências do PIB e a necessidade de o substituir ou complementar com outros indicadores tem ganho crescente relevância, tendo merecido a atenção de organizações como a ONU, a União Europeia ou a OCDE – particular destaque merece, neste contexto, a iniciativa do Governo Francês que conduziu à elaboração de um relatório sobre o tema, recentemente publicado, coordenado pelos conhecidos economistas Joseph Stiglitz e Amartya Sen. Neste âmbito, as propostas têm convergido na necessidade de incluir as dimensões da sustentabilidade social e ambiental dos processos económicos, reflectindo a crescente saliência destas questões no debate público.

A discussão sobre o PIB constitui uma oportunidade para reflectir sobre os objectivos que as nossas sociedades, mais ou menos ‘desenvolvidas’, podem e devem prosseguir, bem como sobre os valores que estão subjacentes às escolhas com que nos deparamos. Este é um debate que não pode ficar confinado à dimensão técnica dos ‘especialistas’. A participação alargada da sociedade na definição dos padrões de orientação e avaliação dos caminhos por onde passará o nosso futuro colectivo é, desde logo, uma elementar exigência democrática.
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ATTAC abre o debate público em Portugal sobre a medida e os indicadores de desenvolvimento e qualidade de vida

"Há mais vida para além do PIB "
Sábado, 16 de Janeiro, 15h30
Biblioteca Museu República e Resistência
(R. Alberto Sousa, nº 10A – Bairro do Rêgo)

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Colóquio com os economistas:
Gualter Barbas Baptista - activista do GAIA e investigador do ECOMAN - Centro de Economia Ecológica e Gestão do Ambiente – FCT/UNL

José Castro Caldas CES – Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra

Luis Francisco Carvalho ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa

Manuela Silva Professora Universitária (aposentada)

Susana Peralta Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Fixe, cool, very nice!

Com a aprovação na generalidade do casamento de pessoas do mesmo sexo foi dado mais um passo importante rumo à igualdade. Ficam naturalmente algumas manchas e dissabores por ter sido aprovada uma nova discriminação e por a esquerda ter andado à batatada sobre um assunto onde se exigiam (pelo menos hoje) algumas tréguas. Mas, felizmente, tal não consegue impedir que hoje seja um dia importante.
(Imagem: Salvia)

Conta-me como foi

«Mas a justiça deste combate pela igualdade constata-se nomeadamente fazendo um pequeno exercício de visita ao futuro. Ou seja, se hoje já nos consegue tirar do sério o nível primário da maioria das discussões em torno destas temáticas, imaginem o que pensaremos destas supostas discussões fracturantes daqui a 15, 20 ou 30 anos. Imaginem o que diremos em 2025 ao recordarmos que em 2010 ainda se discutia se as pessoas do mesmo sexo se poderiam casar ou não.(...) Não tenho dúvidas que daqui a 15, 20 ou 30 anos estaremos a rir-nos de tudo isto. No fundo, olharemos tudo com o mesmo ar meio abismado, meio enternecido, meio espantado com que assistimos à realidade tratada na série da RTP "Conta-me como foi".» (excerto do artigo que hoje publico no Esquerda.net)

Boas Notícias

O acordo que põe fim a quatro anos de conflito entre o governo e os professores é a demonstração de que a união e persistência de uma classe profissional contra um modelo injusto vale a pena. E é também a demonstração que o diálogo vale a pena e que a imposição e a surdez não são estratégias minimamente viáveis.
(Imagem: Your Tech)