Já disse anteriormente que acho um delírio esta candidatura de Maria a Belém. Em primeiro lugar, vem dinamitar a possibilidade ampla de consenso à esquerda trazida por António Nóvoa. Mas, mais do que isso, tem todos os contornos de uma candidatura que surge, não porque houve uma vaga de fundo em torno de uma personalidade, mas sim porque era preciso encontrar alguém (fosse quem fosse) para acalmar algumas alas mais centristas do PS. Na ausência de Guterres ou Vitorinos, de Gamas ou Amados, eis que surge Maria de Belém.
quarta-feira, 12 de agosto de 2015
terça-feira, 11 de agosto de 2015
As eleições não se ganham. Perdem-se III
"Câmara de Lisboa contratou mais de 800 mil euros de marketing com Vítor Tito", um dos publicitários que já veio negar a autoria dos cartazes que deram polémica. Um valor bastante elevado, mesmo tendo em conta que se trata de um acumulado de contratações desde 2007.
O Público revela que o referido publicitário já participou diversas vezes, embora em nome individual e a título informal, em campanhas socialistas. Nomeadamente na última candidatura de Costa à liderança do PS. Ou seja, temos aqui uma promiscuidade nada simpática entre apoio político informal e contratos celebrados com uma entidade pública - a Câmara Municipal de Lisboa.
Veremos se este assunto terá seguimento. Duvido, mas a ver vamos.
segunda-feira, 10 de agosto de 2015
E quem responsabiliza Margarida Martins?
Margarida Martins bem pode sacudir a água do capote, responsabilizando a organização de campanha do PS pela asneira dos últimos cartazes. Mas alguém deveria responsabilizar Margarida por convidar uma trabalhadora da sua Junta de Freguesia para uma campanha do seu partido, no último dia em que esta prestava serviços na mesma. Isto não é normal em parte nenhuma, sendo inacreditável como tudo passa incólume. Maravilhas de Agosto, só pode.
sábado, 8 de agosto de 2015
Bullshit is Everywhere
Jon Stewart esmiuça o Bullshit e explica porque é um "bocadinho" importante para a democracia mantermos os nossos natizes bem atentos.
sexta-feira, 7 de agosto de 2015
As eleições não se ganham. Perdem-se
É oficial: a direção de campanha do PS é de um amadorismo inacreditável. Depois do cartaz estilo "evangélico", temos agora uma nova campanha que parece não fazer bem as contas, com histórias fabricadas e, pior de tudo, que utiliza fotos de trabalhadores de uma Junta de Freguesia por si governada sem autorização.
As eleições não se ganham, meus caros diretores de campanha do PS. As eleições perdem-se.
As eleições não se ganham, meus caros diretores de campanha do PS. As eleições perdem-se.
quinta-feira, 6 de agosto de 2015
O Manuel
Avançar para um terceiro filho, sobretudo nos dias que correm, requer uma valente dose de loucura. Numa altura em que o presente e o futuro no país não são sorridentes, num tempo em que cada filho consome mais e mais dos pais, ir ao terceiro significa atacar um patamar elevado. Mas para isso, lado a lado com a dose de loucura tem de existir um dose de confiança enorme no casal. Uma certeza grande de que é capaz, de que está pronto.
Foi mais o menos com este enquadramento que recebemos o Manuel há um ano atrás. Um bebé pequeno no meio de dois irmãos que então pareciam autênticos gigantes. Foi o voltar a experienciar o que ainda não tinha caído no esquecimento. O berço regressou, as fraldas voltaram, a cadeira das refeições recuperou o seu lugar na sala cá de casa e a incontornável cadeira para o carro garantiu o seu espaço junto das outras duas.
O mais interessante de toda esta história já sabem com certeza. O Manuel começou por ser o elemento novo da família (4+1) e, em pouco tempo, tornou-se uma parte fundamental da mesma. Passámos a ser 5 e nem por sombras nos imaginaríamos hoje de outra maneira.
Como terceiro filho, o Manuel garantiu rapidamente a sua capacidade de suportar as investidas dos manos. Os manos que não resistem a apertá-lo, puxá-lo, enchê-lo de beijos, transportá-lo de um lado para o outro, acordá-lo no meio das sestas, entre muitas outras desventuras. Por alguma razão lhe chamámos "o forte".
Mas é também forte pelo sorriso permanente e contagiante que traz sempre consigo. Uma delícia. Forte porque, apesar de ser genericamente "bem comportado", também já demonstra ser mestre e senhor da sua vontade. Sabe o que quer e já começa a aprender como alcançá-lo. Forte porque não beneficiando de exclusividade dos pais, parece viver muito bem com isso.
Forte sobretudo porque, sendo como é, vivendo no meio de dois lindos irnãos e de dois país que lhe querem oferecer o mundo, terá todas as condições para ser o Manuel. No fundo, é simplesmente isso que espero que seja: "o Manuel". Nem mais nem menos do que isso. Poderá contar comigo para ajudá-lo a cumprir este desafio de uma vida.
Parabéns, filho!
terça-feira, 4 de agosto de 2015
As 6 grandes SATICEs…
1 - Flic Flac à retaguarda
Durante muitos anos, quando questionávamos sobre os preços elevados das passagens aéreas nos e para os Açores, habituamo-nos a ouvir que não havia alternativa. Assim acontecia porque os custos de operação eram efectivamente elevados. E a liberalização de rotas aéreas nos Açores era uma ideia que colocaria em causa a coesão regional, uma vez que apenas as rotas lucrativas seriam interessantes para os operadores privados. Subitamente, no espaço de dois ou três anos, tudo mudou. Uma espécie de flic flac à retaguarda permitiu que o Governo abrisse os olhos e constatasse outros caminhos possíveis. Passou a ser urgente abrir as rotas e todos os que recomendaram cautela a este respeito são mentes fechadas pouco preocupadas com o progresso da região.
2 - De Bestial a Besta
A SATA sempre foi assumida pelas autoridades regionais como um verdadeiro serviço público. Uma companhia de bandeira, prestadora de um serviço de qualidade que em nada ficaria atrás das grandes companhias de aviação. Os preços das passagens eram altos, mas a qualidade e a segurança não tinham preço. As opções estratégicas tomadas eram arriscadas, mas era necessário ambição para levar os Açores mais longe. No entanto, e de repente, tudo parece ter mudado. Os prejuízos da empresa começaram a vir a público, começou a ser clara a sua falta de competitividade e até os seus trabalhadores foram subitamente promovidos a privilegiados, tal era a quantidade de regalias que lhes assistia. A SATA passou de bestial a besta num estalar de dedos.
3 - Uma espécie de fábula da Olívia patroa e da Olívia costureira
Sendo o Governo Regional o único accionista da SATA, é particularmente interessante acompanhar o seu posicionamento ao longo do processo. Ora vemos o Governo “accionista” a defender a SATA e as suas opções estratégicas dos últimos anos, ora vemos o Governo “imparcial” a garantir que não se intromete nas opções da empresa, ora vemos o Governo “defensor dos açorianos” a dizer-se muito preocupado com as opções da empresa. Portanto, uma conveniente (e algo doentia) mudança de camisola ao sabor dos acontecimentos.
4 - O Governo da República é uma vergonha! Às terças e quintas…
O Governo Regional pode e deve ter uma posição sobre a abertura das rotas aéreas açorianas. Mas a competência última deste processo pertence ao Governo da República. Assim sendo, foi naturalmente necessário um bom entendimento entre os dois governos para que se chegar à solução agora em curso. Mas a julgar pela informação que chegou a público, o referido entendimento deve ter um mero pormenor que “interessa pouco”.
5 - Para quê envolver os verdadeiros especialistas?
Os trabalhadores de uma empresa são os primeiros interessados no seu futuro, mas também os maiores especialistas sobre a mesma. Conhecem-na por dentro, sabem os seus pontos fortes e são exímios em identificar os seus pontos fracos. No entanto, em todo este processo de abertura do espaço aéreo, parece que a sua opinião servia de pouco, uma vez que nunca ou quase nunca foram ouvidos. Pelo contrário, foram sabendo do futuro da empresa pela comunicação social.
6 - Está-se a destruir a empresa? Que SATICE…
Uma vez que o espaço aéreo foi aberto sem que a SATA fosse minimamente preparada para o efeito, é hoje consensual o risco que tal representa para a actividade da empresa. Tem subitamente de concorrer de igual para igual com low costs, cujo modelo de negócio é evidentemente diferente. E tem de fazê-lo no seguimento de acordos feitos com as referidas empresas que limitam a margem de actuação da transportadora aérea açoriana. Está-se a destruir uma empresa bandeira dos Açores? Que SATICE… Está-se a colocar-se em causa o trabalho de centenas de açorianos? Que SATICE…
Artigo hoje publicado no Açoriano Oriental
segunda-feira, 3 de agosto de 2015
Os Grandes Especialistas da Modernização Administrativa
Portugal é um verdadeiro gigante nas áreas da Modernização Administrativa. Fruto de um consenso alargado e do esforço conjunto de múltiplos atores, a experiência Portuguesa é hoje reconhecida nos quatro cantos do mundo. Projetos como o Cartão de Cidadão, as Lojas do Cidadão, as Certidões Online do Ministério da Justiça, o agendamento de consultas médicas, ou mesmo Portal das Finanças, continuam a garantir um lugar liderante de Portugal nos mais diversos rankings internacionais. E tem sido a permanente vontade de inovar do setor público português que melhor tem garantido o desempenho nacional nas áreas da Modernização Administrativa.
Como é evidente, podem ser destacados diversos agentes responsáveis pela inovação permanente dos últimos anos no setor público: atores políticos, altos dirigentes da Administração Pública, empresas, instituições do Ensino Superior. Mas para que uma política nestas áreas possa ser de facto sustentável, existem dois tipos de especialistas cujo envolvimento deve assumir-se como incontornável:
1. Funcionários da Administração Pública
Para além de estarem naturalmente interessados no futuro da Administração, os funcionários são os melhores conhecedores das suas mais-valias, mas são também exímios a identificar problemas e oportunidades de melhoria. São verdadeiros especialistas porque lidam diariamente com os processos, conhecendo as suas falhas e tendo normalmente opinião bastante clara sobre como os melhorar. Convocar os funcionários públicos a participar nas políticas de modernização administrativa assume-se como prioritário.
2. Cidadãos
Os cidadãos são cada vez exigentes, tolerando pouco a burocracia, a falta de eficiência e a ausência de simplicidade na interacção com a Administração Pública. Neste contexto, se queremos de facto melhorar o setor público, tornando-o mais centrado nos cidadãos, importa garantir a sua participação e colaboração nos mais diversos processos. Importa disseminar mecanismos que garantam a recolha de feedback de quem usa os serviços, de quem os experiencia por dentro e sente na pele as consequência do seu bom ou mau funcionamento. Tornar os cidadãos responsáveis pela melhoria da Administração Pública é hoje um domínio central de qualquer política de reforma do Estado
Garante-se o envolvimento dos funcionários e dos cidadãos nos processos de modernização administrativa colocando ao seu dispor instrumentos que incentivem a sua participação. Das consultas públicas aos orçamentos participativos, passando por concursos de ideias ou mecanismos de recolha de elogios e sugestões, são diversas as alternativas disponíveis. O desenvolvimento de uma Administração Aberta, permeável à participação dos seus funcionários e dos cidadãos, é hoje um ato de gestão profundamente racional: trata-se pura e simplesmente de trazer a bordo os maiores especialistas em Administração Pública
Artigo hoje publicado no tempodeavancar.net
terça-feira, 28 de julho de 2015
É tudo uma questão de perspetiva
Até agora, praticamente só conhecíamos a versão de Santos Silva sobre o fim do seu espaço de comentário na TVI24. Santos Silva é, como todos concordarão, um poço de serenidade, ponderação, de respeito pelas opiniões alheias e um ser humano nada dado a facciosismos.
Ficámos agora a conhecer a versão e opinião de Sérgio Figueiredo, diretor de informação da TVI24. Bem...Estamos um bocadinho mais informados para ter uma opinião sobre este caso.
segunda-feira, 27 de julho de 2015
Das Listas (House of Power, House of Influence, House of Pride e uma série de outras coisas que transcendem os cidadãos)
Na semana passada, as aventuras e desventuras na constituição das listas do PS encheram os jornais. Hoje, sem circo associado, ficámos a conhecer os rostos cimeiros das listas PSD/CDS. Para o cidadão mais distraído, este é apenas o processo no qual os partidos apresentam as suas melhores caras para conquistarem votos. Para o cidadão que consegue ver um pouco além do que lhe é servido, o processo de formação de listas é um momento determinante para as máquinas partidárias, de onde sobressaem duas dinâmicas:
- Para os políticos profissionais, este é o momento onde se joga o seu futuro profissional. Como em qualquer emprego, é a sua promoção ou despromoção que está em causa.
- Para aqueles que, não sendo políticos profissionais, empenharam o seu esforço e credibilidade nos últimos anos na defesa de uma força política, este é o momento do reconhecimento ou da ingratidão.
Não é por isso de admirar que, durante os processos de formação das listas, as movimentações sejam mais do que muitas nas máquinas partidárias. Jogos de influência, jogos do "vale tudo" para obter um lugar ao Sol.
Apesar de serem peças centrais da democracia, os partidos não têm de ser organizações plenamente democráticas. Cada qual deve decidir como bem entender o melhor processo para formação das suas listas. Mas parece-me hoje cada vez mais estranho que a formação das listas, sobretudo nos grandes partidos, se desenvolva de forma tão pouco transparente para os cidadãos.
Os cidadãos ainda estão pouco atentos a estas dinâmicas. Mas não será por muito mais tempo. Processos de abertura como as Primárias vão com certeza ganhar um progressivo destaque nos próximos anos.
sábado, 25 de julho de 2015
Malditos!
O Público lançou uma nova colecção de comics da Marvel. Malditos! Estão sempre a atacar-nos o bolso!
sexta-feira, 24 de julho de 2015
quinta-feira, 23 de julho de 2015
terça-feira, 21 de julho de 2015
Administração Aberta: um Paradoxo?
Se perguntarmos a um cidadão o que lhe vem à cabeça quando falamos em “Administração Pública”, os resultados não são particularmente animadores. Burocracia, complexidade, falta de eficiência, um amplo aparelho fechado sobre si mesmo e de costas voltadas para a sociedade civil. Os cidadãos não percebem bem como funciona a Administração Pública, como se organiza, como planeia, como opera, como decide, como atua, que gastos possui, que informação detém, entre outras dimensões. Este grande desconhecimento e afastamento perante uma Administração Pública fechada a sete chaves explica a por vezes evidente falta de sintonia entre o aparelho público e a sociedade civil (cidadãos, empresas, academia, ONGs).
Neste sentido, o conceito de Administração Aberta (Open Government) tem vindo a afirmar-se progressivamente nos últimos anos. Materializa-se na defesa de três pilares: 1) Transparência; 2) Participação e 3) Colaboração. Não trazendo em si conceitos absolutamente novos, a verdade é que muitos têm vindo a ganhar um novo impulso quando agrupados em torno deste desígnio de Administração Aberta. Sobretudo porque, nos nossos dias, as tecnologias da informação e da comunicação (TIC) disponibilizam ferramentas ímpares para possibilitar a referida abertura da Administração Pública. As TIC vieram determinar que a referida abertura passe a estar dependente sobretudo de vontade política para o efeito, porque os meios para a suportar são hoje mais do que muitos.
E verdade seja dita, exemplos não faltam hoje a este respeito, nomeadamente em Portugal. Se nos centrarmos no pilar da transparência, o portal Base.gov.pt concede-nos um excelente exemplo. Num único portal, os cidadãos têm acesso a toda a contratação desenvolvida pela Administração Pública Central. Por outro lado, o mais recentemente lançado Portal da Transparência Municipal (www.portalmunicipal.pt) agrega de forma intuitiva, um conjunto diverso de estatísticas que permitem caracterizar cada um dos municípios a nível nacional.
Existem também uma série de bons exemplos se nos centramos no pilar da participação dos cidadãos. Destaca-se a multiplicação de orçamentos participativos em municípios de todo o país. Lisboa foi pioneira a este respeito (www.lisboaparticipa.pt), mas existem autarquias tão diversas como Grândola, Guimarães ou Ponta Delgada que integram já um vasto grupo a nível nacional.
No que ao pilar da colaboração diz respeito, temáticas como os Dados Abertos assumem particular destaque, preconizando-se a disponibilização de informação pública com objectivos reutilização. Qualquer cidadão, empresa ou universidade consegue assim agarrar em conjuntos de dados públicos e produzir, por exemplo, aplicações de utilidade pública para tablets ou smartphones. O portal nacional Dados.gov.pt, lançado há quase 5 anos, é um bom exemplo do esforço nacional nestes domínios.
Na inesquecível série da BBC dos anos 80 “Sim, Sr. Ministro”, quando questionado sobre Administração Aberta (Open Government), Sir Humphrey Appleby (que concentra em si todos os estereótipos do funcionalismo público) reage afirmando que tal encerra um profundo paradoxo: “Whether it is open, whether it is government”. Os exemplos acima demonstram bem que não é hoje um paradoxo defender uma Administração Pública transparente perante os cidadãos, permeável à sua progressiva participação e capaz até de colaborar com estes no desenvolvimento de políticas públicas. Pelo contrário, tornou-se sim um profundo paradoxo continuarmos a ter uma Administração fechada em inúmeros sectores, receosa dos efeitos da abertura.
É tempo de mudarmos estas mentalidades, demonstrando que a abertura da Administração Pública é uma oportunidade ímpar de garantir uma maior proximidade e sintonia perante os cidadãos e, em última análise, um mecanismo único de promoção da qualidade dos serviços públicos.
Artigo hoje publicado no Açoriano Oriental
segunda-feira, 20 de julho de 2015
5 Breves Notas sobre a Guiné Equatorial (um ano após a adesão à CPLP)
- "Obiang sempre controlou a justiça. Este ano, por decreto presidencial de 20 Maio, dissolveu o poder judicial."
- "A perseguição a activistas e opositores mantém-se e a ausência de liberdade de expressão e de associação é total, descrevem organizações de direitos humanos como a Human Rights Watch (HRW) e a Amnistia Internacional ";
- "A falta de liberdade de imprensa é total. A imprensa privada é totalmente censurada. Tudo é controlado pelas autoridades.";
- "Mantêm-se as situações de usurpação de terras para pessoas do regime com a justificação de serem usadas para a construção de habitação social ou para propriedade privada de figuras ligadas ao regime";
- "O único resultado concreto, em termos de adopção da língua portuguesa, traduziu-se no seu ensino intensivo, durante três meses, a sete funcionários públicos daquele país."
sábado, 18 de julho de 2015
sexta-feira, 17 de julho de 2015
A Maravilhosa Coleção de Barretes
De uma coisa os funcionários públicos não se podem queixar: ao longo dos últimos anos, foram presenteados com belíssimos barretes pelo Governo. As conclusões sobre o aumento excessivo da contribuição da ADSE fornecem mais um bonito exemplar para uma colecção que já vai longa e que contém de facto barretes inesquecíveis.
Quem não se recorda do barrete relativo ao subsídio de férias e ao 13º mês? Assumiu-se então que Estado Português era dos poucos que pagava os seus trabalhadores 14 salários por ano. Em vez de se passar a distribuir o referido rendimento por 12 meses por ano (se fosse esse de facto o problema), optou-se por suspender os referidos subsídios. De uma só vez, os funcionários públicos perderam 15% do seu rendimento anual.
Seguiu-se o barrete das 40 horas semanais. Porque importava que os funcionários públicos tivessem a mesma carga horária que os trabalhadores do regime geral. Passou-se uma esponja por cima do facto de existir um contrato com os trabalhadores do Estado que prevê de facto 35 horas semanais e um rendimento correspondente. O aumento súbito da carga horária em 15% representou uma nova desvalorização remuneratória destes trabalhadores.
Mais tarde, optou-se por devolver um dos subsídios retirados, sendo o segundo distribuído pelos 12 salários mensais que compõem o vencimento anual dos funcionários públicos. Escusado será dizer que tal implicou que o IRS dos visados disparasse. Mais um bonito barrete.
O barrete ADSE agora descoberto foi suportado por uma suposta necessidade de sustentabilidade que, afinal, estaria assegurada com um esforço muito menor. Implicou, com a sua desproporcionalidade, que os funcionários públicos perdessem rendimento adicional numa altura particularmente crítica. E, não menos importante, deu um importante contributo para a debandada dos contribuintes dos escalões mais elevados da ADSE, colocando-se assim crescentemente em causa a sua sustentabilidade.
O barrete ADSE adquiriu um lugar de destaque no palmarés dos barretes enfiados pelo Governo aos funcionários públicos nos últimos anos. Obrigado, Pedro, por mais este magnífico barrete.
Artigo publicado no tempodeavancar.net
Quem não se recorda do barrete relativo ao subsídio de férias e ao 13º mês? Assumiu-se então que Estado Português era dos poucos que pagava os seus trabalhadores 14 salários por ano. Em vez de se passar a distribuir o referido rendimento por 12 meses por ano (se fosse esse de facto o problema), optou-se por suspender os referidos subsídios. De uma só vez, os funcionários públicos perderam 15% do seu rendimento anual.
Seguiu-se o barrete das 40 horas semanais. Porque importava que os funcionários públicos tivessem a mesma carga horária que os trabalhadores do regime geral. Passou-se uma esponja por cima do facto de existir um contrato com os trabalhadores do Estado que prevê de facto 35 horas semanais e um rendimento correspondente. O aumento súbito da carga horária em 15% representou uma nova desvalorização remuneratória destes trabalhadores.
Mais tarde, optou-se por devolver um dos subsídios retirados, sendo o segundo distribuído pelos 12 salários mensais que compõem o vencimento anual dos funcionários públicos. Escusado será dizer que tal implicou que o IRS dos visados disparasse. Mais um bonito barrete.
O barrete ADSE agora descoberto foi suportado por uma suposta necessidade de sustentabilidade que, afinal, estaria assegurada com um esforço muito menor. Implicou, com a sua desproporcionalidade, que os funcionários públicos perdessem rendimento adicional numa altura particularmente crítica. E, não menos importante, deu um importante contributo para a debandada dos contribuintes dos escalões mais elevados da ADSE, colocando-se assim crescentemente em causa a sua sustentabilidade.
O barrete ADSE adquiriu um lugar de destaque no palmarés dos barretes enfiados pelo Governo aos funcionários públicos nos últimos anos. Obrigado, Pedro, por mais este magnífico barrete.
Artigo publicado no tempodeavancar.net
terça-feira, 7 de julho de 2015
6 Lições sobre a Semana que Passou
1 – Sobre os Gregos: Respect!
Quando tinham tudo e todos contra si, quando tudo foi feito para que não resistissem, para que aceitassem uma suposta inevitabilidade, os Gregos souberam dizer “não”. E disseram-no apesar de uma pressão inarrável dos líderes europeus, apesar de todo o aparelho mediático anunciar a catástrofe caso o "não" vencesse. Fizeram-no quando o dinheiro nos multibancos começou a falhar, quando começaram a ter problemas a abastecer o seu carro, quando até os medicamentos nas farmácias começaram a faltar. Os gregos mostraram à Europa que não se deixam vencer pelo medo e pelas ameaças de caos. Disseram expressivamente “não”, dando uma lição de coragem e democracia a toda a Europa.
2 - Uma União Europeia que nos envergonhou a todos
Nos últimos anos, a União Europeia revelou a muitos o seu verdadeiro dark side, mostrando que a solidariedade entre países é pouco mais do que uma bonita proclamação. Mas nesta última semana, a UE conseguiu superar-se. A intransigência europeia bateu no fundo, opondo-se de forma veemente a uma consulta popular que as vozes mais insuspeitas consideraram mais do que legítima. Bateu novamente no fundo quando não permitiu o prolongamento da ajuda sequer por alguns dias, incentivou assim um verdadeiro clima de apreensão e terror até entre os gregos. Mais do que uma organização internacional, mostrou ser um clube, altamente empenhado na passagem de uma mensagem de força política. O sonho europeu não sai manchado deste processo. Pior do que isso: o sonho europeu saiu em cacos de todo este processo.
3 - A Democracia é boa, mas pelos vistos apenas às terças e quintas
Todos somos apologistas da democracia e todos somos defensores que um Governo cumpra o seu programa eleitoral. Mas quando um Governo, encostado à parede, devolve ao seu povo a aceitação ou não de um acordo que vai contra tudo o que prometeu, o verniz começa logo a estalar. Acusações de populismo e de carrasco do povo grego, valeu tudo esta semana para caracterizar o Governo Grego. Como é evidente, a democracia não é o melhor remédio para tudo (p.ex: não se devem referendar direitos). Mas referendar algo como o prolongamento de um programa de austeridade, alguns meses após a eleição de um Governo que prometeu precisamente o contrário, é uma decisão de profunda honestidade e maturidade democrática.
4 – Desde quando a recusa da austeridade deve ser confundida com a recusa da Europa?
Apesar dos partidários do “não” terem repetido até à exaustão que a recusa do acordo proposto não significava uma recusa da Europa, a referida narrativa muito conveniente para os defensores do “sim” permanece ainda hoje no ar. Como se a defesa do ideal Europeu pudesse ser confundida com a defesa da austeridade.
5 - Portugal não é a Grécia
Nos últimos anos, ouvimos repetidamente o discurso de que “Portugal não é a Grécia”. Hoje, a referida assunção merece o meu total acordo. Na Grécia encontramos uma maioria que não se resigna, disposta para dizer “basta”, disponível para encontrar caminhos alternativos. Não tem sido de facto esta a posição maioritária que encontramos em Portugal. O discurso do “vivemos acima das nossas possibilidades”, continua a vingar, apesar de já ter sido desmontado vezes sem conta. É triste.
6 - Em cima do muro não chega
As últimas eleições gregas obrigaram as forças políticas a posicionar-se: ou se é a favor da austeridade, ou se é contra; ou se é a favor do acordo proposto pelo Eurogrupo, ou se é contra. Em Portugal, as forças políticas posicionaram-se, mas coube ao maior partido da oposição uma prestação lamentável em todo este processo. O PS simplesmente não se conseguiu posicionar, respondendo com redundantes “respeitaremos a decisão do povo grego”. Em determinados momentos, a história já demonstrou que compensa estar em cima do muro, não tomando posição. No momento actual, as sondagens parecem demonstrar que a sucessão de indefinições pode sair cara.
Artigo hoje publicado no Açoriano Oriental
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