quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Partidos e Financiamentos

O caso PSD/Somague explodiu há pouco, mas durará pouco. Seria grave demais um caso destes que, em última instância, envolve o presidente da Comissão Europeia. Não tardará muito em cair no esquecimento…
O financiamento partidário tem destas coisas. Apresenta-se sempre como algo pouco claro, onde toda a gente sabe existirem irregularidades, mas onde nunca se apuram reais responsabilidades. Até porque qualquer força política acaba por ter, no mínimo, alguns telhados de vidros neste tipo de questões. Vejamos o caso recente das irregularidades detectadas na campanha para as legislativas de 2005…

Assim sendo, a regularização e transparência dos financiamentos partidários levará ainda o seu tempo. As forças políticas portuguesas teimam em não amadurecer a este respeito.

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Aborto e Objecções de Consciência: Solução à Vista?

Depois da gigantesca vaga de médicos objectores de consciência para a prática da IVG, o recurso a fármacos e o devido acompanhamento pelos Centros de Saúde pode ser a solução.

O Público noticiou ontem (quarta-feira) que o Centro de Saúde de Viana do Castelo e outro centro na região norte do país passarão a realizar abortos com recurso a químicos. O projecto-piloto iniciar-se-á em 15 de Setembro. A escolha do centro de saúde de Viana justificou-se por o hospital da cidade apresentar uma taxa de 100% de objectores de consciência para a prática da IVG.

Dada a onda de objectores de consciência que varreu o país após a vitória do sim no referendo, esta poderá ser uma solução. Veremos como evoluirão os projectos-piloto.

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Yahoo e o Colaboracionismo com a Ditadura Chinesa

O gigante americano recusa-se a assumir responsabilidades na condenação de chineses com ideias contrárias ao regime. A polémica instalou-se no seguimento do fornecimento de dados de contas de e-mail ao governo chinês de cidadãos que apelaram à revolta no país. Ver notícia no Público aqui.

Pode, sem dúvida, argumentar-se que a empresa limitou-se a cumprir as leis do país em que opera. Mas tal não deixa de nos fazer questionar sobre que tipo de compromisso deverão os gigantes da comunicação ter com alguns dos mais básicos direitos democráticos – a liberdade de expressão e organização.

O compromisso destas empresas para com os referidos direitos básicos deve ser claro. Caso assim não seja, teremos um dia destes (ou se calhar já temos até) um Google a desenvolver o mais sofisticado motor de buscas de insubmissos, ao serviço de uma qualquer ditadura no mundo…

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Sobre o Eco-Terrorrismo Malcheiroso

Bem sei que, em período de silly season, uma ninhada de caracóis em Freixo de Espada pode dar direito a abertura dos telejornais. De qualquer modo, fico sobretudo espantado com o tom de muitas das reacções condenatórias da acção levada a cabo em Silves.

Embora me tenha mantido afastado das notícias nas últimas semanas, não pude deixar de acompanhar (dentro dos possíveis) a tremenda polémica instaurada pela acção do Verde Eufémia. A destruição de um hectare de milho transgénico deu direito a muitas linhas nos jornais.

Muitos chamaram os activistas de terroristas, proclamaram o carácter sagrado da propriedade privada, pediram a cabeça dos responsáveis da GNR, associaram os ditos vândalos ao Bloco de Esquerda, qualificando-os de mal cheirosos e, como não podia deixar de ser, Pacheco Pereira veio sublinhar o desigual tratamento entre a extrema-esquerda e a extrema-direita em Portugal… Enfim… Entretanto, muita da esquerda sentiu-se na obrigação de condenar veementemente os miúdos por tão terrível acto.

Bem sei que terá sido uma acção pouco feliz. De qualquer modo, todos sabemos que as formas de activismo não se reduzem apenas a petições ou protestos com uns cartazes e uns flyers. A História e mesmo a actualidade estão repletas de movimentações sociais que ultrapassam os trâmites da lei. Basta ver como muitos eco-activistas actuam já aqui nos países europeus. Por outro lado, trata-se de ecologia, e não dos totalitarismos que muitos apressaram-se a apontar.

Pela forma como o assunto tem vindo a ser tratado, não faltará muito para que a acção seja associada à Al Qaeda… Podemos ser mais ou menos tolerantes com este tipo de acções. Mas, por favor, sejamos sérios! Tratou-se apenas simbólico. Não havia necessidade de cair o Carmo e a Trindade.

Nota: Imagem roubada em www.spectrum.blogspot.com

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Terminal 2

De passagem pelo tão falado terminal 2 do aeroporto da Portela, em Lisboa só tenho a dizer: Vá para fora cá dentro... se conseguir.

Venha cá agora Sr. Ministro! Seria uma visita bem mais animada, digo-lhe já!

PS: Esperam-me mais um 50-60 minutos na fila...

Activismo de Espreguiçadeira

As férias chegaram finalmente ao Activismo de Sofá. Prevêem-se três saborosas semanas de Activismo de Espreguiçadeira, uma espécie de irmão ainda mais sedentário do Activismo de Sofá.

No Verão, as análises, criticas, bitates e clichés desenvolvem-se com igual velocidade. Mas são sempre dotadas de uma escrita mais preguiçosa, um sentido de intervenção mais pachorrento e uma menor capacidade de análise do espaço público que vá para além da praia e da esplanada.

Aos leitores do presente blog, informo que o mesmo adoptará, nas próximas três semanas, uma postura muito menos assídua, ou mesmo muito próxima do absentismo total da blogoesfera. Tudo isto para que, no seu regresso no final de Agosto, o Activismo de Sofá consiga reaparecer com a mente iluminada pelo sol e refrescada pelo mar. Estaremos então prontos para um novo ano. Até lá!

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

O Jogo de Helena Roseta

Helena Roseta recusou integrar a coligação com o PS e BE em Lisboa. Argumentou que não trocava princípios por pelouros. Mas importa analisar um pouco melhor o que esta recusa indignada lhe permite no futuro da CML.

Em primeiro lugar, e apesar de algumas gincanas, não era muito apropriado que Roseta se aliasse a António Costa. Estaria assim a unir-se ao partido que há dois meses entregou o cartão. Deixaria assim os seus eleitores confusos. È assim preferível manter-se à margem, livre para actuar “de acordo com a sua consciência”.

Em segundo lugar, importa não esquecer que a actual coligação PS e BE não dispõe de maioria. Possui apenas 7 dos 17 vereadores do executivo municipal. Ficam assim a faltar dois votos para obter a desejada maioria absoluta. Quantos votos possui o movimento de Roseta? Ahh, curiosamente tem dois! Pois é…

È normal que Helena Roseta se mostre indignada. Mais de 30 anos de carreira política ensinam como actuar nos momentos certos. O que é facto é que o actual cenário lhe será muito favorável. O seu movimento poderá ser a charneira do novo executivo. Ou, em linguagem mais corrente, poderá ser permanentemente o limiano da CML. Por detrás da indignação, saiu-lhe sim a sorte grande.

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

A Prova dos 9 do Bloco de Esquerda

Parece estar confirmado. Sá Fernandes integrará o executivo de António Costa. O Bloco de Esquerda será avaliado pela primeira vez como força de poder num órgão executivo de dimensão nacional.

Depois dos rumores que se faziam sentir nos últimos dias, o Público noticia hoje o acordo chegado entre Sá Fernandes e António Costa para a constituição do novo executivo municipal. Quanto a Helena Roseta, apenas os rumores subsistem. Logo à tarde, com a tomada de posse, teremos o devido esclarecimento.

A coligação pós-eleitoral agora anunciada constitui uma importante prova dos 9 a Sá Fernandes. Compete-lhe integrar um executivo municipal precisamente com o partido que o BE tanto tem criticado no Governo do país. Compete-lhe, no âmbito do novo executivo, continuar a ter a honestidade inviolável que o tem caracterizado. Compete-lhe não se deixar embrenhar pelo pântano do poder, não desiludindo o eleitorado que nele apostou.

Como Sá Fernandes e o BE certamente saberão, o poder corrompe. Uma coisa é ser totalmente honesto e integro na oposição. Ser honesto e integro no poder é algo completamente diferente. Veremos como se sairá o Zé nesta importante prova dos 9. Veremos como se comportará o BE nesta primeira grande experiência no poder.

Paradoxo: Jardim Indemnizado por Difamação

Jardim consegue ser indemnizado por novo presidente do PS Madeira. Motivo: difamação dirigida ao grande líder da região.
O novo líder do PS Madeira terá de indemnizar Jardim por difamação. A Relação de Lisboa condenou João Carlos Gouveia por este ter responsabilizado Jardim pelo “paraíso criminal” que é a Madeira. Foi assim condenado a pagar 35 000 € por “perturbação, vergonha, depressão sofridos" por Jardim em consequência do artigo.

É paradoxal que o mais difamador dos políticos portugueses consiga agora que lhe seja paga uma indemnização por difamação. Mais paradoxal ainda é que a indemnização é paga por aquele a quem Jardim já chamou de “louco incapaz”… Há coisas fantásticas, não há?

Sigilo Bancário: Interessa a Quem?

Cavaco remeteu para o Tribunal Constitucional o diploma que prevê o levantamento do sigilo bancário em algumas situações. Perante o problema declarado que é a evasão fiscal neste país, pergunto sem demagogias: a quem interessa afinal a manutenção do sigilo?

A evasão fiscal é um problema crasso em Portugal. Julgo que é perfeitamente consensual. O que não é consensual é a forma de a combater. Num quadrante, defende-se a não sacralização do sigilo bancário. No quadrante oposto, defende-se que a violação do sigilo é uma invasão perigosa na vida dos cidadãos…

Embora seja apelidado de clichê demagógico por alguns, não devemos considerar “que quem não deve não teme”? O Estado vive das contribuições dos cidadãos. Alimenta-se disso, é um facto. Rege-se, no entanto, pela repartição proporcional do esforço por todos. Existe melhor alternativa a este respeito? Julgo que não.

Tendo em conta o flagelo que é a desonestidade fiscal em Portugal, porque é que alguns continuam a defender a o carácter sagrado do sigilo? E quem são estes defensores? Serão aqueles que cumprem com as suas obrigações? Ou serão aqueles que arranjam sempre um “esquemazinho” para contribuir um pouco menos para o bolo comum? Ou serão aqueles que todos os anos omitem milhares ou milhões nos seus rendimentos?

Parafraseando o Spectrum, uma coisa é cerca. Cavaco é “o Presidente de todos os portugueses que zelam muito pelo seu sigilo bancário”. Ou, em alternativa, “Cavaco é o Presidente de todos os portugueses que não gostam que o seu direito de enganar o Estado (e os seus concidadãos) seja violado.”

terça-feira, 31 de julho de 2007

Fretilin: O Desafio da Oposição

A afirmação da Fretilin como grande partido passa também pela sua capacidade de adaptação a este período de oposição determinado pelo povo timorense. Esperemos que tal aconteça de forma pacífica. Timor precisa e Timor merece.

Depois de uma prolongada transição de ciclo, envolvendo eleições presidenciais e legislativas, o novo quadro político de Timor nos próximos anos começa agora a compor-se finalmente. Depois de Ramos Horta, Xanana e a sua ampla coligação deverão agora assegurar os destinos do executivo timorense nos próximos anos.

No meio de tudo isto, há a destacar o papel da Fretilin. Apesar de ter sido a força política mais votada neste último acto eleitoral, a coligação dos seus oponentes acaba por remeter o principal partido timorense para a oposição. Tal representa um tremendo desafio para a democracia do país. Da capacidade de reconhecimento das regras democráticas por parte da Fretilin dependerá a saúde futura do sistema democrático timorense.

A este respeito, destaque para o facto de Francisco Guterres, "LuOlo", candidato Fretilin vencido por Ramos Horta nas presidenciais, ter já felicitado os deputados que "irão participar na formação do novo Governo". É um bom sinal. Importa agora que se consigam acalmar os ânimos dos apoiantes da Fretilin nas ruas, evitando-se os distúrbios que, apesar de residuais, causam sempre mossa.

Enquanto seja uma muito jovem democracia, Timor tem dado importantes provas de maturidade. Esperemos que tal continue a acontecer perante este tremendo desafio que agora se coloca.

António José Seguro: Alinhado q.b.

O já várias vezes apontado como delfim, não vacila minimamente perante a tentação de criticar a actual liderança socialista. Enquanto a maré Socrática continuar, manter-se-á alinhado. Quando a maré mudar, será naturalmente dos primeiros a demarcar-se do actual ciclo.

Li já com algum atraso a entrevista de António José Seguro ao “Diga lá Excelência”, publicada ontem (segunda-feira), no Público. Não desiludiu minimamente.

Questionado sobre as posições de Manuel Alegre, afirma que há duas maneiras de interpretar o seu artigo: 1) frase por frase ou 2) no seu conjunto. Sendo adepto da segunda alternativa, encara as críticas de Manuel Alegre como alertas normais num partido onde há plena liberdade de expressão. Sobre o referendo ao tratado europeu, defende que “Um dia, terá que haver um referendo sobre questões da UE.” Cauteloso, muito cauteloso mesmo.

António José Seguro enquadra-se perfeitamente no grupo de destacados militantes socialistas que permanecem como eternas alternativas, mas que sabiamente não se incompatibilizam com qualquer direcção do partido. A política é uma profissão. Como tal, não convém nunca estar muito longe do poder. Importa aguardar pacientemente pelo momento certo para avançar. Até lá, mantém-se astuciosamente a postura de “alinhado q.b.” Demonstra assim ser exímio no “jogo de cintura”, algo só ao alcance de quem é um verdadeiro ginasta da política desde tenra idade.

quinta-feira, 26 de julho de 2007

O Aborto da Madeira

Finalmente começaram a ver-se algumas reacções ao que se está a passar na Madeira. Depois de Cavaco, Sócrates já reagiu. Marques Mendes e Portas também. É impressionante como algo aparentemente tão óbvio mereceu análises tão diversas. É impressionante como o fenómeno Jardim consegue continuar a fazer estragos, sem que por isso seja minimamente responsabilizado.

Sócrates considerou ontem inadmissível que a lei não esteja a ser cumprida na Madeira. Foi importante o seu depoimento, mas não terá quaisquer consequências políticas para além da resposta que já lhe foi dada por Alberto João: “Quem tem obsessão pela Madeira, deve tratar-se”. Previsível...

Cavaco Silva foi, no entanto, o primeiro a reagir. Ficamos a saber que um órgão de soberania cujos governos das regiões autónomas dependem politicamente considera que o problema deverá ser resolvido nos tribunais… Marques Mendes e Portas apanharam hoje a boleia do Presidente da República. Podem não gostar de Alberto João, podem até ter dúvidas quanto aos seus argumentos mas, tendo em conta o exemplo dado por Cavaco Silva, o melhor mesmo é não falar muito sobre esta questão.

Apesar da sua forma básica e populista de fazer política, o fenómeno Jardim consegue mesmo assim ter estes efeitos tão diversos. E ninguém pretende enfrentá-lo até às últimas consequências. Prefere-se assim esperar comodamente, e à distância, que o fenómeno acabe por desaparecer um dia…

O problema é que até lá ele parece continuar a querer fazer estragos. Tornou-se há muito o ícone negro da democracia portuguesa. A este propósito, hoje um conhecido meu saiu-se com esta: “O único abordo que devia ser proibido era o próprio Alberto João Jardim! Na Madeira e em todo o lado!”

quarta-feira, 25 de julho de 2007

O Papel de Manuel Alegre

Manuel Alegre disse de sua justiça. Ninguém o cala! Deixou recados ao partido, ao governo, ao primeiro-ministro. Mas será que pretende ir além disso? E, por outro lado, o que ganha o PS com um Manuel Alegre?

Antes que Agosto chegasse, Manuel Alegre resolveu reaparecer. Buscando fundamentação na história do partido, chamou a atenção para as derivas governamentalistas. Criticou o seguidismo, tentou repelir o medo instalado, ergueu a bandeira da liberdade e apelou ao seu partido socialista de centro-esquerda.

No entanto, o PS a quem Alegre apela não é o mesmo partido que actualmente governa o país. Como é sabido, o PS de hoje é um partido de poder, o seu objectivo é o poder e só sobrevive graças ao poder. O pragmatismo, a tecnocracia e a cartelismo dificilmente cederão o seu lugar ao romantismo e idealismo tão bem personificados em militantes como Manuel Alegre.

Alegre conseguiu grandes vitórias nos últimos tempos. Mas, no momento de dar o passo corajoso, optou sempre por recuar. Prefere manter-se no partido, fazendo uns biscates por fora, do que assumir-se seriamente como força alternativa. Prefere ser apenas uma voz no partido que, de quando em quando, diz de sua justiça, puxa umas orelhas e consegue umas manchetes irreverentes nos jornais…

Como é natural, o PS acaba precisamente por ganhar com esta postura de Alegre. Um partido de poder precisa sempre de uns sectores mais idealistas que moderem ligeiramente os insaciáveis pragmatismos e aparelhismos. Precisa de umas figuras que, de quando em quando, levantem alguma polémica, invoquem o glorioso passado e mostrem que há pluralismo no seio da organização. Resta saber se é essa a postura que Alegre procura conscientemente para si próprio, mas isso já seria uma outra conversa…

terça-feira, 24 de julho de 2007

O Processo Jocoso Chegou ao Fim?

A Ministra da Educação arquivou o processo disciplinar contra Fernando Charrua. Resta saber se lesado pretende agora “arquivar” o seu desentendimento com a DREN e como o ministério. Duvido que assim aconteça. Apesar do Verão estar à porta, este caso não cairá facilmente no esquecimento.

Passados alguns meses, e depois da poeira ter baixado ligeiramente, a Ministra da Educação arquivou na segunda-feira o processo contra Fernando Charrua. Tenta-se assim, de forma quase despercebida, colocar um fim ao processo que mais mossas provocou ao executivo nos últimos meses. Conseguiu até fazer com que a licenciatura do primeiro-ministro caísse no esquecimento.

Resta saber se o autor do comentário jocoso deixará que as coisas fiquem por aqui. Certamente não o fará, como aliás começam hoje a noticiar os jornais. Charrua quer agora uma indemnização pelos danos causados. Ou seja, fará com que este assunto não caia facilmente no esquecimento. A oposição encarregar-se-á de tal facto também.

No meio de tudo isto, só me questiono como é que o executivo de Sócrates não procurou desde logo cortar o mal pela raiz, demitindo rapidamente a responsável da DREN. Devia-o ter feito desde logo. Aliás, tendo em conta as mossas que este caso ainda poderá causar, ainda hoje seria uma boa altura para a demitir.

No entanto, e pensando melhor, se calhar não o fez porque abriria um perigoso precedente… Por uma questão de coerência, teria então de demitir também Mário Lino, Correia de Campos, entre muitos e muitos outros… Seria uma grande chatice…

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Qualificar, Qualificar e Qualificar

Depois da distribuição de computadores portáteis no sábado, foi hoje lançado o Plano Tecnológico para a Educação. Duas fortíssimas cartadas lançadas pelo executivo antes da silly season. Nunca é demais a aposta na educação e na formação.

No sábado passado, assistimos à entrega, pelo primeiro-ministro e seus ministros por todo o país, de computadores portáteis no âmbito do programa Novas Oportunidades. Sócrates demonstrou ser este um dos programas que mais acarinha. Hoje, também com a presença do primeiro-ministro, foi lançado o Plano Tecnológico da Educação. Num investimento previsto de 400 milhões de euros para os próximos anos, prevê-se, entre outras coisas, que uma em cada três salas de aula do país sejam dotadas com um quadro interactivo, um computador, um projector multimédia e uma impressora.

Em apenas três dias, o Governo conseguiu colocar na agenda duas iniciativas direccionadas para a promoção da educação e qualificação no país através das novas tecnologias. Veremos naturalmente como evoluirá a execução das medidas anunciadas. Até lá, fica a nota de um renovado empenho do executivo na concretização destas importantes prioridades.

Como já referi em posts anteriores, todos os esforços nestes domínios são sempre muitíssimo bem-vindos. Se há domínio em que se deve abusar nos recursos financeiros a mobilizar e inclusive na comunicação política a efectuar, esse é sem dúvida a promoção da educação e da formação. O país sai reforçado com este tipo de iniciativas. O Governo merece apoio na sua implementação.

domingo, 22 de julho de 2007

Reflexões sobre uma Direita em Reflexão

Marques Mendes parece não ter adversários à altura. Por seu turno, Portas reflectiu e chegou à conclusão que foi um erro seu… Enquanto se mantiver a onda rosa, os partidos da direita têm apenas um caminho a seguir: sobreviver e esperar que socialistas tropecem a sério.

Marques Mendes ainda não tem adversários para a presidência do PSD. Luis Filipe Menezes reflectiu, reflectiu bastante mesmo, e chegou à conclusão que não havia condições para se candidatar. A sua poderosa proposta de deixar os militantes sem quotas pagas votar acabou por não colher grandes simpatias… Por outras palavras, o autarca de Gaia chegou à conclusão que esta ainda não é a melhor altura para avançar. O mesmo aplica-se a todos os outros opositores internos de Marques Mendes. Entre barrosistas e santanistas, parece que ninguém está disposto a tomar as rédeas do partido nesta altura. Esperam-se melhores tempos…

No CDS, Paulo Portas reflectiu também. Reflectiu bastante mesmo. Concluiu que a estratégia para as intercalares de Lisboa foi um erro da recém-eleita direcção (os congressistas devem ter ficado impressionados com tão brilhante conclusão do seu líder). Como já era de esperar, não surgiram oposições internas de relevo. O CDS continuará com o seu grande líder nos próximos tempos.

Como é natural neste tipo de situações, a hegemonia socialista está a deixar os seus adversários à direita em maus lençóis. Dado que não se adivinham boas perspectivas de alcançarem o poder nos próximos tempos, PSD e CDS encontram-se perdidos internamente. Aguardam ansiosamente que os tempos melhorem, que o governo de Sócrates comece a tropeçar a sério em breve. Até lá, há muito pouco a fazer. Importa apenas sobreviver…

sábado, 21 de julho de 2007

A Culpa é dos Partidos vs A Culpa é do Sistema

Na ressaca das eleições de Lisboa, proliferam as análises sobre um tema mais do que recorrente: a falência do sistema partidário ou a falta de capacidade dos partidos em dar resposta às aspirações populares. (ver artigos de Pacheco Pereira e São José Almeida, hoje no Público). Se calhar o problema não é assim tão simples…

Concordo naturalmente que o sistema partidário sofre de grandes males, que é fundamental que se encontrem mecanismos de democracia participativa para balancear a ditadura da representatividade. Mas considero também que os males dos partidos são os males das organizações. As organizações são o resultado de quem nelas participa e de quem nelas não participa. São também o resultado da sua durabilidade, da sua necessidade de organização e das suas exigências de democracia interna vs governabilidade interna.

Por outro lado, não é nada certo que os movimentos de independentes sejam mais democráticos do que os partidos. São mais ágeis devido à sua menor durabilidade, ao facto de terem menos estruturas representativas, de beneficiarem de menos reflexão ou rigidez ideológica. Beneficiam da falta de burocracia, mas pecam também por falta de democracia interna. Sublinho ainda que os movimentos independentes em Portugal têm surgido em torno de um líder. Ou seja, o mal da personalização da política também atinge os movimentos independentes.

Neste contexto, e usando a linguagem de café: A culpa não é dos partidos! A culpa é do sistema, pá! A democracia é um sistema, com um conjunto alargado de regras, pressupondo inúmeros desafios. A melhor forma de contornar os seus limites não passa por colocar todo o ónus da culpa numa das suas organizações. Bem sei que melhorar um sistema é mais complicado, dá mais trabalho, mas não existe outra solução.

sexta-feira, 20 de julho de 2007

Família Real Angolana reforça Investimentos em Portugal

Isabel dos Santos, filha do presidente angolano, continua a investir em Portugal. São já vários os grandes grupos económicos portugueses seus associados. Estar associado a uma família real dá sempre jeito.

O Público noticiou hoje um novo investimento de Isabel dos Santos em Portugal. Em conjunto com Pedro Sampaio Nunes, uma biorefinaria em Sines parece ser o negócio. Mas os investimentos da filha de José Eduardo dos Santos em Portugal não são recentes. Possui parcerias com a PT, com o Grupo Espirito Santo e com o grupo Américo Amorim.

Com apenas 34 anos, a jovem e dinâmica princesa angolana possui já um currículo impressionante. Entre parceiros russos, israelitas, belgas, congoleses e, claro, a alta nomenklatura angolana, detém participações em negócios muito diversos. Desde a recolha de lixo em Luanda, a agro-pecuária, as telecomunicações e, como não podia deixar de ser, a exploração de diamantes, o seu “dinamismo” é impressionante.

Deve ser aliás um dinamismo com raízes genéticas, uma vez que toda a família Santos parece vingar no mundo dos negócios. Há coisas fantásticas, não há?

Bem sei que dá muito jeito, mas causa-me fortes arrepios que tantos empresários portugueses encontrem tantas “sinergias” com a família real angolana. Será que se justificam com o suposto apoio ao desenvolvimento dos irmãos angolanos?

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Portugal: “Um País Pequeno e Relativamente Fraco”

Em entrevista a um jornal alemão, Soares afirma recear que Portugal não esteja à altura para fazer aprovar o novo tratado europeu. Sócrates deve ter estremecido com as declarações do histórico socialista…

alguns posts atrás, tentei ensaiar sobre o precioso direito à irreverência que os dinossauros da política portuguesa possuem. Soares hoje demonstrou isso mesmo. Em entrevista ao jornal alemão Tageszeitung, o histórico socialista considerou que Portugal poderá não estar à altura da missão que lhe foi passada por Angela Merkel. Pelos vistos, somos “um país pequeno e relativamente fraco” para conseguirmos encontrar o necessário consenso em torno do novo tratado europeu.

Como é natural, a expressão de Soares não deve ser descontextualizada do fio condutor da entrevista. O antigo Presidente da República pretendeu sim transmitir que a Alemanha, enquanto maior país da UE, poderia ter desde logo conseguido o objectivo que agora passou para Portugal.

De qualquer modo, não havia necessidade de caracterizar de forma tão dura e cruel este rectângulo à beira mar plantado. No meio da pose e forte esforço pró-europeu levado a cabo pelo Governo no último mês, as declarações de Soares deverão ter feito Sócrates estremecer. Arrisco que terá pensado: “Bem, com camaradas destes, quem precisa de oposição…”