quinta-feira, 9 de outubro de 2008

A Crise – Uma História Simples

Recebi há pouco por e-mail uma adaptação tuga da crise actual. O terrível desta história é que, com mais ou menos figurações, demonstra bem o quão tascosos são os mecanismos em que assentam o actual modelo económico.
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"O senhor Silva tem uma tasca, na Vila Carrapato, e decide vender a fiado aos seus leais fregueses, quase todos bêbados e desempregados. Porque vende a crédito, aumenta um pouco o preço de cada copo. O gerente do banco local, ousado administrador formado em gestão e com MBA, decide que as dívidas da tasca constituem, afinal, um activo rentável, e começa a adiantar dinheiro ao estabelecimento, tendo o registo dos fiados como garantia.
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Uns seis executivos de bancos, mais adiante, transformam esses créditos em OVNI, SOS e outros acrónimos financeiros que ninguém sabe exactamente o que querem dizer. Esses adicionais instrumentos alavancam o mercado de capitais e conduzem a operações estruturadas de títulos na Bolsa, cujo lastro inicial todo o mundo desconhece (o tal livro de fiados do senhor Silva). Esses títulos passam a ser negociados com garantias reais em mais de 73 países.
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Até que alguém descobre que os bebedolas de Vila Carrapato não têm dinheiro para pagar as contas e a tasca do senhor Silva vai à falência. E toda a cadeia se desmorona."

Cordialidades e Cumplicidades

Esta semana ficamos a saber que um relatório do Governo Espanhol indica que pelo menos um dos voos da CIA passou por Portugal. Hoje o Público e o DN noticiam que a Amnistia Internacional fala, num dos seus relatórios, em 13 ou 16 voos que fizeram escala em território nacional.
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Ana Gomes, empenhada nesta matéria há muito tempo, desafia novamente o Governo a falar verdade sobre este assunto: “Quanto mais encobrirmos a verdade mais expomos o nosso país às consequências de ser visto como um país que está a obstruir a descoberta da verdade, num caso que envolve tortura, sequestro e violação dos direitos humanos.

Apesar de ter toda a razão, parece que estamos condenados a obter estas informações através de terceiros. No cerne desta falta de vontade do Governo Português parece estar uma curiosa cordialidade para com Durão Barroso. Não admira, portanto, que Durão esteja a ser tão simpático para com este Executivo socialista… Ontem paguei eu, hoje pagas tu, amanhã pago eu novamente...

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Os voos da CIA e os consensos dos Partidos do Arco do Poder

Depois do El Pais ter citado um relatório do Governo Espanhol que refere que pelo menos um voo da CIA passou em Portugal, Luís Amado desvalorizou totalmente a questão.

Enquanto acusava os que o questionavam na Comissão Parlamentar de dizer disparates, o ministro recusou que tenha existido falta vontade do Governo em investigar a conivência portuguesa com os referidos voos.
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Ou seja, ao mesmo tempo que defende o empenho do Governo Português em esclarecer o caso, fala numa suposta “irresponsabilidade” em avançar-se com uma investigação a fundo e argumenta com os “consensos entre os partidos do arco do poder”… Brutal, não é?

terça-feira, 7 de outubro de 2008

E esta, hein?

Apesar de ser um bom projecto, o Magalhães está a revelar-se uma caixinha de surpresas. Primeiro, afinal não é bem português, mas sim produzido em Portugal. Depois, começou-se a questionar a clareza do procedimento de adjudicação à referida empresa. Agora, pelos vistos, a empresa tem uns problemazitos com as Finanças...

Isto está bonito, está…

Com a crise a bater à porta (ou tendo já entrado pela porta dentro), as notícias sobre os mercados bolsistas são para cardíacos… Eis uma cronologia de notícias apenas tendo por base a edição online do Público nas últimas 24 horas:

- 6/10/2008, 16:46h - "Maior queda de sempre para o PSI-20: quase dez por cento";
- 6/10/2008, 21:29h - "Bolsa de Nova Iorque resvala mas limita perdas no final da sessão";
- 7/10/2008, 08:51h - "Bolsas europeias regressam aos ganhos após colapso da véspera";
- 7/10/2008, 10:52h - "Bolsas invertem tendência positiva de abertura";
- 7/10/2008, 12:00h - "Forte volatilidade das bolsas europeias que regressaram aos ganhos".

Com tão grande nervosismo instalado, os ministros da UE lançam apelos assegurando as poupanças dos cidadãos. É que não era nada desejável ter algo como em 1929, com filas nas portas dos bancos para levantamento das poupanças. Isto está bonito, está…

Grandes Obras começam a ficar em Xeque

Com os mercados financeiros aos pulos, e com uma crise que começará a fazer-se sentir junto de todos os portugueses, o tema de avançar ou não com as grandes obras (e.g. Aeroporto, TGV) vai entrar em força na agenda.

O PSD não o largará e o Governo terá cada vez mais dificuldade em explicar a sua importância. Mário Lino e seus comparsas lá vão dizendo que as grandes obras serão investimentos estratégicos que ajudarão o país a superar a crise.

Trocado por miúdos, tentam convencer o eleitorado que este é um tempo de investir em “elefantes brancos”. Esquecem-se (ou tentam esquecer-se) que o argumento do investimento estratégico só será engolido pelos mais distraídos. Os que vivem noutro planeta, portanto.

E devolver o Tejo a Lisboa, esqueceram-se foi?

Segundo denunciou o PSD, o Governo autorizou o Porto de Lisboa a adjudicar directamente a exploração do terminal à empresa Liscont (Grupo Mota-Engil) por mais 27 anos (até 2042), ao mesmo tempo que autorizou a triplicação do espaço disponível para o armazenamento de contentores.

Segundo é noticiado, tudo parece ter acontecido de forma quase silenciosa num diploma publicado a 23 de Setembro. Como é natural, o PSD já veio dar a entender que se trata de uma forma de beneficiação ilegal do Grupo Mota-Engil de Jorge Coelho. Mas mesmo que não exista qualquer ilegalidade, a questão não deixa de ser polémica.
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Numa altura em que se lançaram foguetes pelo acordo alcançado para a reabilitação da zona ribeirinha (“devolver o Tejo a Lisboa”, lembram-se?), e numa altura em estão na ordem do dia os prejuízos causados pelos contratos de exploração de longo prazo (caso da Lusoponte e a terceira travessia do Tejo), esta medida, caso se confirme, é no mínimo controversa e totalmente desadequada. Aguardam-se esclarecimentos…

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Mas porque é que estes fulanos conseguem sempre o que querem?

No seguimento da colocação de um novo outdoor em Entrecampos, o partido cujo nome não me ocorre está a conseguir novamente o que quer: ser falado, ganhar destaque na imprensa e, vejam lá, até na blogosfera.

Pouco depois de ser afixado o referido cartaz, a Procuradoria Geral da República veio dizer que não existia qualquer ilegalidade. A CML, por seu turno, resolveu hoje dar um prazo até às 18h para a remoção do cartaz. Uma iniciativa de Sá Fernandes que invocou a Constituição. E agora?
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O partido cujo nome não me recordo conseguirá o destaque pretendido. Consta até que convocou uma manifestação para impedir a remoção do cartaz. Não quero com isto dizer que se deva ignorar este tipo de mensagens, antes pelo contrário. Apenas lamento que cada disparate que este partido com meia dúzia de adeptos faça, implique que consiga precisamente o que quer: mediatização.
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PS: Eis uma boa maneira de responder a tudo isto: ver o cartaz alternativo do Lusitânia Insólita.

O Descrédito Total da Autoridade da Concorrência

Em resposta à falta de actuação da Autoridade da Concorrência, o Automóvel Clube de Portugal (ACP) divulgou hoje um estudo onde apontam-se diversas medidas para fomentar a concorrência no mercado dos combustíveis.

O referido estudo sugere “a separação das actividades da produção e importação, da armazenagem, do transporte e da distribuição, para aumentar a concorrência.” A Associação das Empresas Petrolíferas (APETRO) já veio criticar as medidas propostas pelo ACP, sublinhando não fazem sentido uma vez que não existe concertação, tal como o demonstrou a Autoridade da Concorrência.
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Independentemente do estudo do ACP merecer ou não grande credibilidade, tal vem revelar o total descrédito em que caiu a Autoridade da Concorrência. Num assunto que tanto afecta os bolsos dos portugueses, a Autoridade não conseguiu encontrar quaisquer respostas. E, sobretudo, não convenceu. Se calhar era tempo do poder político começar a reflectir seriamente sobre o que fazer com uma Autoridade cada vez mais fragilizada e quase sem legitimidade aos olhos da opinião pública.

É tudo uma questão de Ética…

Na sua crónica de hoje no Público (apenas disponível online para assinantes), Sarsfield Cabral disserta sobre as criticas que têm sido dirigidas nos tempos que correm ao modelo neo-liberal. Não concorda, como seria de esperar. Qual a sua solução para os problemas actuais? Ética, meus amigos, um bom banho de ética…

Daí o decisivo papel da ética de quem actua no mercado.” (…) “A melhor prevenção dessas bolhas especulativas e da desgraça que elas trazem está numa ética de negócios com sentido das responsabilidades e que ponha um travão às tentações de absolutizar o lucro.” E termina afirmando que “Se a ética predominasse em certos meios, a presente crise seria bem menos grave.

Brutal… A actual crise não é algo que reflecte problemas estruturantes de um modelo económico. É sim um problema de falta de ensino de ética nas escolas de gestão. Porque é que os responsáveis de sistemas falhados, como o comunismo soviético (pegando num exemplo extremo), não se lembraram de uma justificação semelhante? Do tipo: “O modelo soviético era um bom modelo, apenas falhou a ética na sua gestão.

domingo, 5 de outubro de 2008

Mas afinal o que é o MEP - Movimento Esperança Portugal?

Realizou-se este fim de semana o congresso fundador do partido que se quer situar “no centro do centro” do panorama político português. Reclama-se como um partido de matriz humanista. Mas isso significa o quê?

A “coesão social, a solidariedade, a educação e a família” parecem ser as suas principais bandeiras. Rui Marques, presidente do partido, afirmou ao Expresso desta semana que o MEP se distinguirá do PS por querer menos Estado, e do PSD por defender menos mercado. A sociedade e suas organizações serão a prioridade.

Quando questionado sobre temas como a nova lei do divórcio ou o casamento homossexual, Rui Marques, manifesta algum incómodo e discordância, o que afasta a nova força política de qualquer concepção mais progressista ou esquerdizante, se quiserem. Ao mesmo tempo, não é afastada a simpatia com as organizações sociais da Igreja.

Estaremos certamente perante um partido com uma matriz política entre a democracia cristã e o socialismo humanista/católico. Uma matriz perfeita para estabelecer pontes quer com o PS, quer com o PSD. Rui Marques é aliás bastante claro a este respeito. Ambicionam obter representação parlamentar em 2009, duvidam que surja então uma maioria absoluta de qualquer partido, e estão abertos a entendimentos.

Será muito dificil conseguirem eleger alguém, é certo. Mas com uma boa exposição mediática, com um apelo centrado nos desiludidos do centro e com um pouco de sorte no desenvolvimento do panorama político nacional neste próximo ano, quem sabe? Uma coisa parece certa: caso obtenha representação parlamentar, o MEP será uma óptima ajuda a qualquer governo minoritário.

Uma boa notícia e uma má notícia

Qual preferem que conte primeiro? Ok, tenho mesmo de começar pela boa notícia: a Pública (revista que acompanha ao Domingo o Público) passou a estar disponível online com um formato semelhante ao do jornal.

Acabou-se, portanto, o formato simples, sem imagens e bastante cinzento,, que em nada não convidava à sua leitura. O formato agora disponível (confesso que só hoje reparei), e que parece exclusivo para assinantes, permite saborear melhor uma revista cuja leitura figura bem como ritual de Domingo.

A má notícia é que, tal como sucedia anteriormente, os seus conteúdos raramente estão disponíveis no próprio dia, nomeadamente para os assinantes. Na hora que escrevo estas linhas (pelas 21:30h), continua lá a figurar a edição da semana passada. Uma chatice, uma vergonha... Não havia necessidade...

A culpa (afinal não) é dos imigrantes!

Numa entrevista que apenas merece um pequeno destaque na capa do Expresso, o Director do SEF esclarece que não existe qualquer relação entre a suposta onda de insegurança e a imigração em Portugal. Atreve-se, deste modo, a contrariar totalmente a mensagem passada pelo Gabinete Coordenador de Segurança.

“Não há nenhum dado objectivo que comprove tal relação”. (...) “Sempre que há a identificação de estrangeiros em crimes, a PSP, a GNR, a PJ pedem ao SEF os antecedentes criminais desses indivíduos e posso garantir-lhe que essas consultas não dispararam.”

Para além de contrariar um mito urbano, a entrevista de Manuel Jarmela Parlos consegue, deste modo, colocar totalmente em causa a mensagem anteriomente passada pelo Gabinete Coordenador de Segurança. “É assim que se alimentam sentimentos perigosos”, afirmou o Director do SEF quando questionado a este respeito. Estranho será se esta entrevista não agitar algumas águas nos próximos dias.

Tony Blair, o cara de pau

Como é sabido, as crónicas de Miguel Sousa Tavares são sempre mordazes. Como é também sabido, umas vezes acertam, outras vezes são completamente ao lado. Na crónica desta semana no Expresso, MST reflecte, entre outras coisas, sobre a recente conferência dada por Tony Blair em Portugal. Acerta em cheio. Eis alguns excertos:

«Blair é hoje um dos homens mais bem pagos da Europa, cobrando entre 125 000 e 250 000 euros por cada uma destas conferências, além do salário de luxo que recebe como consultor de um desses bancos americanos que agora estão no olho do fruracão da crise financeira mundial.” (...) “Como herança interna, Blair deixou um défice monumental, arruinou o mítico Serviço Nacional de Saúde (ao ponto de ser o líder dos Tories, David Cameron, quem faz hoje o papel de defensor do SNS), deixou umas centenas de mortos no Iraque e o país ligado ao desfecho da aventura de Bush (para o qual Blair foi o primeiro dos apoiantes), e, para rematar em beleza, deixou toda a economia inglesa refém da estratégia de Wall Street.»

«Seria de esperar da sua parte talvez alguma humildade, algum embaraço, quem sabe mesmo, alguma vergonha: afinal de contas, foi ele um dos principais responsáveis pelo pelo estado do mundo e ainda anda a facturar fortunas a falar dos “problemas” que ajudou decisivamente a criar! Mas se alguém esperava tal coisa, esperou em vão.»

«Descontraído e sorridente, Tony Blair puxou de umas notas avulsas e deu conta das suas recentes andanças pelo mundo: esteve em Pequim, nos Jogos Olímpicos, esteve no deserto, numa tenda com Kadhafi, esteve aqui e ali, derramando a sua vasta experiência sobre os “problemas”, para poder concluir em Lisboa que “os problemas são globais e precisam de soluções globais”. Mais uns quantos lugares-comuns de profundidade semelhante e a repetição de que o trabalho tem de ser flexível e a Segurança Social tem de ser reestruturada. E pronto. Suponho que lhe terão batido palmas e agradecido muito a lição e incómodo. E lá se foi Tony Blair , sorridente, para o seu próximo compromisso global.»

sábado, 4 de outubro de 2008

Sobre uma possível convergência entre o PCP e o BE

Jerónimo de Sousa surpreendeu ao mostrar abertura para eventuais convergências à esquerda que possam incluir o BE. Como é sabido, a postura do PCP para com o BE nunca foi de grande empatia. E vice-versa. O que significa, portanto, este súbito piscar de olho?

Com o surgimento do BE em 1999, o PCP viu ser-lhe retirado o quase exclusivo da representação política à esquerda do PS. Por seu turno, o crescimento do BE assentou muito na afirmação das suas diferenças face ao PCP. Concorrendo por parcelas do eleitorado bastante próximas, é natural que o relacionamento entre as duas forças políticas raramente tenha sido pacífico.

Posto isto, o que pode ter mudado para que Jerónimo de Sousa abra agora portas a uma possível convergência? Será esta apenas uma forma de Jerónimo mostrar abertura, concluindo-se depois não existirem condições por culpa do BE? É possível que não, mas prognósticos só no fim do jogo.

Quase dez anos depois do surgimento do BE, é natural que ambas as forças políticas se tenham melhor habituado uma à outra. Certamente perceberam que concorrem por eleitorados semelhantes e não idênticos. Assim sendo, faz todo o sentido que a convergência aconteça, mas deve ser cautelosa.

O eleitorado do PCP está demasiado habituado a definir-se por oposição ao BE. E vice-versa. Uma súbita aproximação poderia significar algumas perdas eleitorais para ambos os partidos, nomeadamente para o BE uma vez que possui um eleitorado menos fidelizado.

Eis uma "Não-Notícia"

Como se Santana alguma vez tivesse recusado candidatar-se a o que quer que seja...

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Descubra as diferenças...

Miss Teen South Carolina (2007)

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Sarah Palin (entrevista à CBS há uma semana atrás)

Perigosos Déjà Vus

No debate dos candidatos a vice-presidentes americanos, Palin mostrou-se esforçada. Assente num discurso básico, repleto de clichês republicanos e com alguns tropeções, a sua figura teima em não nos deixar esquecer o que se passou há 8 anos atrás.

Palin é uma paródia que delicia qualquer comediante. A “hockey mom” conseguiu, em pouco tempo, um extenso repertório de gaffes que têm animado a campanha americana. Depois dos bushisms, eis os palinisms em todo o seu explendor.

Precisamente por isso, a figura de Palin não pode deixar de relembrar o que aconteceu há 8 anos atrás. Bush era um auto-assumido parolo, mas que conseguiu ser eleito presidente. E conseguiu ser reeleito. A sua simplicidade e a sua figura de americano genuino colheram fortes simpatias no eleitorado.

É certo que o contexto político era totalmente diferente. De qualquer modo, o “only in America” sempre gerou grandes surpresas. Esperemos que não seja este o caso.

Opiniões sobre as Praxes parecem estar a mudar

Há uns anos atrás, quando andava na faculdade, assumir-se contra a praxe era algo quase exótico. “Contra a praxe?!? Porquê? É giro, faz parte da integração. Para quê criticar uma tradição tão divertida?” Felizmente, passados alguns anos, parece que as opiniões começam a mudar.

Não digo que estejam a mudar abruptamente na opinião pública em geral. Mas noto alguma diferença quando algumas elites ou opinion makers se pronunciam a este respeito. Parece que finalmente se começa a fazer alguma distinção entre rituais de boas-vindas (desejáveis em qualquer sitío) e rituais baseados em anedóticas hierarquias que tendem a promover a humilhação a título gratuito, paradoxalmente envoltos numa pseudo-tradição académica.

O debate de hoje na SIC pareceu-me um exemplo neste sentido. No limite, as praxes começam a ser encaradas como rituais algo absurdos onde acontecem frequentemente alguns exageros. Contrariamente ao que antes acontecia, hoje começa a ser exótico ou grotesco defender-se afincadamente as praxes. Ainda bem que assim é. Sinais dos tempos.

A blogosfera segundo Pacheco Pereira

Na edição desta semana da Quadratura do Círculo, discutiu-se a blogosfera a propósito dos equivocos e calúnias que muitas vezes são gerados por este “sub-mundo”, como lhe apelidou positivamente António Costa. Pacheco Pereira disse de sua justiça, traçando um panorama no mínimo curioso.

Afirmou que 99% da blogosfera é má, não tem valor, sendo constituida por “pequenos e médios intelectuais em busca da fama fácil” (cito de cor). Acrescentou que nela proliferam posturas baseadas no “Eu não vi, mas acho que...”, reflectindo genuinamente o pauperismo intelectual do país. Confessou ainda que tinha escrito no seu Abrupto com letras invisíveis a conhecida máxima de Bernard Shaw: “Nunca se deve lutar com um porco, você fica sujo e o porco na mesma."

Trocado por miúdos, Pacheco Pereira quis esclarecer o seguinte ao país: 1) ele e o seu Abrupto integram o 1% “bom” da blogosfera; 2) não se considera um pequeno ou médio intelectual em busca de fama fácil; 3) considera-se portanto uma luz no meio do pauperismo intelectual que reina em Portugal; 4) não gosta de se sujar em lutas com os porcos que proliferam na blogosfera.