Terça-feira, 27 de Maio de 2008

Soares tem razão

No artigo hoje escrito por Mário Soares para o DN, um sério aviso é feito ao Governo. Perante o cenário macro-economico internacional, e perante os últimos dados sobre pobreza e desigualdades em Portugal, é preciso apostar em políticas à esquerda.

“Em Portugal, permito-me sugerir ao PS - e aos seus responsáveis - que têm de fazer uma reflexão profunda sobre as questões que hoje nos afligem mais: a pobreza; as desigualdades sociais; o descontentamento das classes médias; e as questões prioritárias, com elas relacionadas, como: a saúde, a educação, o desemprego, a previdência social, o trabalho. Essas são questões verdadeiramente prioritárias, sobre as quais importa actuar com políticas eficazes”

Soares sublinha ainda que “Se o não fizerem, o PCP e o Bloco de Esquerda - e os seus lideres - continuarão a subir nas sondagens. Inevitavelmente. É o voto de protesto, que tanta falta fará ao PS em tempo de eleições.”

O aviso de Soares pode ser interpretado de várias maneiras. Mas é sobretudo o aviso de um amigo do PS, como ele próprio o assume. Se há altura para o governo mostrar a sua face social, este é o momento.

Segunda-feira, 26 de Maio de 2008

Economia de Casino e Fatalidades

A subida vertiginosa do barril de petróleo, assim como o aumento do preço dos alimentos, deveriam impulsionar a discussão sobre alternativas ao modelo neoliberal em vigor no sistema económico mundial. Em vez disso, assiste-se sim a um crescente fatalismo perante as dinâmicas do mercado.

André Freire disserta hoje sobre eventuais alternativas ao modelo hegemónico vigente, assente nas grandes potências e nas orientações das principais organizações internacionais (FMI, Banco Mundial, OMC, entre outras). Aponta, a título de exemplo, algumas correntes do movimento de alter-globalização. Mais do que defenderem o fim da globalização (como se tal fosse possível…), defendem abordagens reformistas que contrariam a total desregulação dos mercados de capitais. Como é sabido, a ATTAC é um exemplo neste domínio.

De qualquer modo, no artigo do professor do ISCTE defende-se a busca de alternativas que limitem os efeitos negativos do modelo actualmente vigente. E apela-se indirectamente ao fim do conformismo nestes domínios. E com razão. Porque com o fatalismo que por aí anda nestes dias, qualquer dia teremos a Cátia Guerreiro a cantar um fado sobre as fatalidades do mercado…

Mundo continuará “quentinho” até 2050

Os Ministros do Ambiente do G8 comprometeram-se a reduzir para metade as suas emissões de gases com efeito de estufa até… 2050?!? Uff… Ficámos todos mais aliviados, não?

A problemática do aquecimento global ganhou uma mediatização significativa durante os últimos anos. As catástrofes naturais verificadas e as alterações climáticas perceptíveis à vista desarmada fizeram com que o mais comum dos mortais já saiba do que se trata. A Verdade Inconveniente de All Gore deu também um contributo importante neste sentido.

Por tudo isto, o compromisso dos ministros do G8 só pode ser encarado como uma anedota. Sobretudo tendo em conta que não foram estabelecidas metas intermédias. O mundo continuará quentinho até 2050. Como é natural, tendo em conta este nível de prioridade, em 2049 haverá uma qualquer reprogramação que alargará a meta…

A propósito, recomendo este vídeo, bastante sugestivo sobre a temática em questão.

PSD – Voando sobre um ninho de Cucos IV

Na passada sexta-feira, Neto da Silva confirmou que não conseguiu recolher as assinaturas necessárias para avançar com a sua candidatura. Culpou sobretudo a comunicação social pela falta de exposição. Mas não se ficou por aqui…

A maior parte dos militantes nem sequer teve conhecimento de que eu era candidato, pelo que era impossível recolher assinaturas....”, afirmou o ex-candidato. Ficamos então a saber que, segundo Neto da Silva, os militantes do PSD nem sequer sabiam quem eram os candidatos a líder do seu partido.

Adiantamos três hipóteses explicativas para tal facto: 1) Desenganem-se todos os politólogos ao pensar que os militantes dos partidos são sectores da população politicamente informados; 2) Os militantes do PSD estão, de facto, pouco interessados com o que se passa no seu partido. 3) Como justificação para não subscreverem a candidatura de Neto da Silva, a maioria dos militantes desculpou-se afirmando não saber que ele era candidato. Neto da Silva preferiu acreditar nesta última hipótese…

Domingo, 25 de Maio de 2008

PSD - Voando sobre um Ninho de Cucos III

Ângelo Correia confessou ao Público o seu apoio a Passos Coelho. Adiantou, no entanto, que ainda não tornou público o referido apoio devido às funções que exerce no PSD. Humm… Ângelo Correia confessou a um jornal (que por acaso se chama Público) um apoio que ainda não tornou público…

Ângelo Correia confessou ainda que tem procurado ser “discreto”. Acrescentou, no entanto, que o seu silêncio está a terminar e que surgirá na campanha "num momento em que não faça mossa". Só podemos aplaudir a discrição de Ângelo Correia, presidente da Mesa do Congresso do PSD, ao confessar ao diário de referência nacional o seu apoio a um dos candidatos. Uma discrição de louvar…

Nota: "Voando sobre um ninho de Cucos" é uma nova crónica do Activismo de Sofá que procurará cobrir alguns insólitos das eleições do PSD. A primeira crónica foi esta aqui. A segunda foi esta. Veremos quantos capítulos terá esta saga…

Santana Começa a Enervar-se…

A corrida à liderança não está a correr bem a Santana Lopes. Partiu como principal opositor de Ferreira Leite, mas tem vindo a ser relegado para um terceiro lugar nada honroso. Os ataques a Passos Coelho demonstram isso mesmo.

Em resposta à proposta de descida do Imposto sobre os Combustíveis de Passos Coelho, Santana considerou que este “não sabe do que fala”. "Tenho que ter muita paciência para ouvir as coisas que as pessoas dizem sem saber do que falam", acrescentou Santana. Acusou ainda Passos Coelho de defender um Estado liberal e "passar a vida a dizer que o Estado deve intervir na taxação dos preços". Como se fosse estranho vermos um liberal a defender uma descida de impostos…

A uma semana das directas, Santana começa a cair em si. A cobertura da comunicação social não lhe tem sido nada favorável, relegando-o para segundo plano. O menino guerreiro começa a perceber que se precipitou ao entrar nesta corrida. Corre o risco de ser ultrapassado por um “miúdo”…

Sexta-feira, 23 de Maio de 2008

Voos da CIA: Afinal Ana Gomes tinha razão

Parece que afinal foram 56 os voos que passaram por Portugal vindos ou com destino a Guantánamo. Depois de ter sido por diversas vezes desacreditada, Ana Gomes obtêm um reconhecido formal do assunto pelo qual tanto se tem batido.

Persiste ainda a dúvida sobre se os mesmos transportavam ou não prisioneiros de forma ilegal. No entanto, a passagem dos referidos voos por Portugal sempre foi algo mais do que incómodo. Durão Barroso afirmou repetidamente não ter conhecimento dos referidos voos. O actual governo também não se empenhou seriamente em esclarecimentos sobre tal facto.

È natural que assim o seja. O incómodo sobre estes voos reflecte precisamente o incómodo do apoio português relativamente à Guerra Iraquiana. Ana Gomes mostra, mais uma vez, que quando se empenha numa causa, leva-a até ao fim. E atenção que ainda não chegamos ao fim…

Quinta-feira, 22 de Maio de 2008

Eleições do PSD e a Política na Web

O P2 publicou ontem uma interessante peça sobre a presença dos candidatos do PSD na Internet. Utilizando como referência as directas americanas, chega-se facilmente à conclusão que os candidatos do PSD preparam-se mal nestes domínios. Mas o artigo vale sobretudo pela reflexão em torno da importância crescente da Web 2.0 na luta política.

O artigo constata, por exemplo, que a generalidade das candidaturas à liderança do PSD preparou-se mal em domínios como os rankings Google ou a presença na Wikipedia. As presenças no You Tube, no Hi5, no My Space, no Facebook ou no LinkedIn são quase inexistentes. A falta de redes de links na blogosfera que lhes permitam subir nas pesquisas dos motores de busca é também uma das conclusões apontadas.

Embora constate que a Web social ou Web 2.0 não assumem ainda uma importância decisiva no contexto português, o artigo estranha que as presentes directas ignorem os ecos vindos das directas americanas ou das eleições espanholas.

A peça é da autoria de Paulo Querido, jornalista que há muito se dedica às temáticas da Sociedade da Informação e aos impactos das novas tecnologias. Paulo Querido, que é responsável da plataforma Tubarão Esquilo e autor do blogue Mas Certamente que Sim, disponibilizou recentemente uma ferramenta que permite acompanhar a par e passo o que se escreve online sobre as directas do PSD. Pode ser visitada aqui e demonstra bem a quantidade de massa crítica sobre política produzida pela web portuguesa.

Tristes Conveniências

Com a catástrofe verificada em Sichuan, aquele que começava a ser o principal tópico da agenda internacional sobre a China perdeu poder. O Governo Chinês sublinhou agora que as conversações em torno da autonomia do Tibete não são prioritárias.

Tendo em conta a calamidade verificada na China, o Governo de Pequim aproveita agora para passar para segundo plano a temática da autonomia do Tibete. Outra reacção é que seria de estranhar por parte de Pequim. E será mais do que natural que a catástrofe de Sichuan ocupe a agenda até aos Jogos Olímpicos.

A comunidade internacional terá agora uma dificuldade ultra-acrescida em fazer vingar a referida temática. E mesmo a vaga activista que se verificou em todo o mundo em torno da causa tibetana e dos direitos humanos na China ganhou obstáculos de peso para manter-se mobilizada. Tristes conveniências…

Quarta-feira, 21 de Maio de 2008

Sobre os 10 000 € que Sócrates terá de Pagar

O actual primeiro ministro terá de pagar uma forte indemnização a um jornalista do Público devido a atentados ao bom-nome. O caso remonta ao mandato de Sócrates como Ministro do Ambiente. Eis mais um exemplo de como o passado é algo sempre presente quando se trata de alguém que ocupa elevadas funções políticas.

Em causa parecem estar algumas acusações proferidas pelo então Ministro do Ambiente sobre o jornalista. Na sequência de algumas peças sobre a atribuição de um elevado subsidio à DECO, Sócrates acusou José António Cerejo de ser “leviano e incompetente”, de padecer de “delírio” e de servir “propósitos estranhos à actividade de jornalista”. O artigo que desencadeou o processo pode ser consultado aqui.

Depois da questão dos cigarros na semana passada, eis mais uma pedrada na imagem de Sócrates… E mais um motivo para os socialistas considerarem o Público persona non grata.
PS: Como seria de esperar, Sócrates vai recorrer da sentença.

Terça-feira, 20 de Maio de 2008

PSD - Voando sobre um Ninho de Cucos II

A honestidade intelectual é uma característica invejável em política. Mas se calhar existem alguns limites. Pequenos, mas existem. Alguém devia informar o candidato Patinha Antão sobre esses limites.

No debate entre candidatos na distrital do Porto, Patinha Antão afirmou, “com toda a sinceridade”, que não se preparou para ser líder do partido. “O Pedro sim”, acrescentou Patinha Antão, que aproveitou para sublinhar que o seu adversário é “um líder do século XXI”. O candidato a líder do PSD salientou ainda que “não importa que ganhe o candidato A, B ou C. Não importa a cor do gato, o que importa é que cace o rato”.

Se Patinha Antão não se preparou para ser líder do partido, se acha que Passos Coelho é o líder do século XXI, e se considera ainda que não importa quem ganhará, alguém faz o favor de perguntar a Patinha Antão porque é que ele é candidato?

Passos Coelho soma e segue

Para quem avançou para a campanha como apenas uma jovem promessa, Pedro Passos Coelho está, aos poucos, a somar pontos importantes. A imagem que tem conseguido passar e alguns apoios que tem recebido fazem com que se esteja a transformar no principal adversário de Ferreira Leite.

Pedro Passos Coelho não é novo na política, antes pelo contrário. Mas a imagem que tem conseguido passar e a aura liberal que tem cultivado, são mais-valias indiscutíveis na luta pela liderança. Por outro lado, e de forma quase silenciosa, o candidato da “terceira via” tem conseguido apoios inesperados. O líder da distrital de Lisboa apoia-o e tem também a preferência dos militantes da distrital do Porto.

É certo que falta a Passos Coelho o apoio de alguns barões mediáticos que consigam de facto influenciar as bases sociais-democratas. De qualquer modo, não está nada mau para uma candidatura que, numa fase inicial, foi encarada como querendo apenas posicionar-se para o futuro. Ficar-se-á apenas por uma boa prestação nestas directas? A ver vamos…

Segunda-feira, 19 de Maio de 2008

O Estudo que vem Tarde e que Teima em não Surgir

Manuel Pinho manifestou-se preocupado com a subida dos preços dos combustíveis. Como seria de esperar, fugiu da questão dos benefícios que o referido aumento tem originado para o Estado em termos de impostos. Refugiou-se no estudo que foi pedido à Autoridade da Concorrência e que teima em não surgir.

Desde que se decretou a liberalização dos preços dos combustíveis, estes não pararam de subir. Rapidamente se desvaneceram as promessas de que a liberalização baixaria os preços. E importa sublinhar que tal sucedeu numa altura em que o preço do barril se apresentava relativamente estável.

Mas mais do que os efeitos objectivos da subida dos preços, o mais comum dos mortais verificou que estes subiam de forma coordenada nas diversas gasolineiras. Foi preciso chegar-se a uma situação em que os preços sobem mais do que uma vez por semana para que um estudo tenha sido encomendado à Autoridade da Concorrência. Os comuns dos mortais aguardam agora pacientemente as conclusões dos especialistas sobre tão complexa matéria.

Teremos o PS no Governo até 2013?

A maioria absoluta obtida pelo PS em 2005 e a suposta tradição de rotativismo após dois mandatos, tem levado muitos a acreditarem que o actual cenário se manterá até 2013. Mas a não-obtenção de uma maioria absoluta pelo PS em 2009 poderá mudar muita coisa. Inclusive a sua manutenção no Governo até 2013.

O Diário de Notícias publica hoje um artigo sobre a subida do PCP e do Bloco nas sondagens. Tal acontece num momento em que o PSD se encontra de rastos e o Governo Socialista tem deixado fugir muito do seu eleitorado para a esquerda. Veremos como evoluirá o cenário até Outubro de 2009 mas, para já, uma nova maioria absoluta do PS não é um dado adquirido, antes pelo contrário.

Caso Sócrates não consiga a maioria absoluta, como governará até 2013? Ficará refém de alianças pontuais com a oposição (tal como aconteceu com Guterres)? Tendo em conta o perfil do actual primeiro-ministro, o referido cenário poderá provocar um desgaste tão acentuado que colocará em causa a manutenção do governo minoritário até 2013.

Trata-se de um cenário de futurologia, bem sei… Mas esta “sessão” de futurologia serve precisamente para demonstrar que, em termos de dinâmicas políticas, não existem dados adquiridos. Sócrates sabe disso, daí o esforço que tem vindo a fazer no sentido de precaver o que 2009 lhe reservará.

Domingo, 18 de Maio de 2008

Ferreira Leite evita o debate a todo o custo

Tem sido uma constante ao longo da campanha. Manuela Ferreira Leite evita repetidamente o debate directo com os seus adversários. Até quando o conseguirá fazer?

A iniciativa agora organizada no Porto não é excepção. A ex-ministra será a única a não participar no debate de amanhã promovido pela distrital do Porto. Já durante esta semana, Ferreira Leite foi a única a não responder a um conjunto de cinco questões colocadas aos candidatos pela agência Lusa.

A preservação da imagem parece ser uma estratégia seguida à risca por Ferreira Leite. Tenta, deste modo, gerir a vantagem que lhe tem sido atribuída pelas sondagens. Evita, por outro lado, o debate directo com os restantes candidatos, domínio que não é claramente o seu forte. Até agora, a estratégia tem-lhe permitido manter-se como favorita mas, seguramente, vai-lhe retirando aos poucos a larga vantagem com que partiu para esta corrida.

Só eu sei…

Ganhar uma taça sabe sempre bem. Ganhar contra o FCP sabe melhor. Ganhar contra o FCP, campeão nacional, por 2-0 é uma delícia! Grande Sporting!

Apesar de atribulada, a época consegue terminar bem. A equipa merece. Uma nota especial para Paulo Bento pela forma como tem conseguido merecer a confiança que nele tem sido depositada. Eis um exemplo de como uma equipa também se faz mantendo um treinador. Força Sporting!

PSD - Voando sobre um Ninho de Cucos I

A campanha no PSD oferece-nos episódios deveras interessantes. Ficámos a saber que a mandatária para a juventude de Pedro Passos Coelho não confirma em quem votará em 2009. (via Zero de Conduta)

Na sua apresentação, a mandatária surpreendeu pelo teor intrigante das suas respostas. Quando questionada se votaria em Passos Coelho contra o actual primeiro-ministro, respondeu: "O meu compromisso com esta candidatura é até ao dia 31 de Maio". "Não faço ideia o que acontecerá depois disso", acrescentou.

Acrescentou ainda que, antes de aceitar ser mandatária, fez questão de "conhecer o candidato pessoalmente" e conversar longamente com ele. Sobre a sua mandatária, Pedro Passos Coelho afirmou tratar-se de “uma escolha muito simbólica"…

Sábado, 17 de Maio de 2008

Ana Jorge: A Ministra Vermelha?

Com o plano apresentado para a oftalmologia, Ana Jorge espera acabar com as vergonhosas listas de esperas. Mas algo salta à vista nesta sua política: o recurso exclusivo aos meios do SNS. Sem complexos, a nova ministra volta a mostrar pouca empatia com o sector privado na saúde.

Estas manifestações por parte da ministra têm-se multiplicado, originando uma importante viragem na política até então seguida por Correia de Campos. Pouco depois de ser nomeada, o Governo anunciou a não renovação da gestão clínica privada do Hospital de Cascais, ao mesmo tempo que surpreendia ao excluír o recurso ao referido modelo numa série de novos hospitais previstos.

Mais recentemente, a critica explicita a Teixeira dos Santos, devido ao acordo com o Hospital da Luz no âmbito da ADSE, deixou tudo e todos boquiabertos. Certamente devido a esta viragem à esquerda, o tumulto que se vivia em redor da Saúde parece ter acalmado com a chegada de Ana Jorge. Para já, Sócrates parece ter acertado no antídoto aplicado.

Tragédias que nos deixam sem palavras

Nem sei bem o que há a dizer sobre os terríveis números de vítimas do ciclone na Birmânia e do terramoto em Sichuan. De qualquer modo, e apesar de pouco útil, é impossível não deixar aqui uma manifestação de sincero lamento perante a dimensão destas calamidades.

As palavras acima até podem soar estranhas. Sobretudo a sua inscrição neste blogue, pouco dado a sentimentalismos e por vezes envolto em tricas menores ou politiquices de pormenor. Contudo, aqui fica uma manifestação de profunda tristeza pela desgraça que está a assolar os dois países.

É impressionante o número de vítimas. Número esse que vale como tal: um mero número. Algo impossível de imaginar. Ainda por cima, algo que ocorre do outro lado do mundo. Duas catástrofes cuja dimensão começa a ombrear com o tsunami que varreu o sudeste asiático há alguns anos atrás. Verdadeiras tragédias.

Sexta-feira, 16 de Maio de 2008

“Homofóbicos, assumam-se!” – O Artigo de Fernanda Câncio

A propósito do posicionamento dos candidatos do PSD, Fernanda Câncio escreve hoje sobre a importância da palavra “casamento” e a possibilidade da sua aplicação à união de duas pessoas do mesmo sexo. Convida os mais renitentes a posicionarem-se claramente sobre esta questão.

A jornalista do DN relembra o artigo 13º da Constituição que proíbe a discriminação em função da orientação sexual, sublinhando o incómodo que grande parte da comunidade política possui no reconhecimento de direitos à população homossexual. Neste contexto, convida a “maioria silenciosa” a posicionar-se claramente sobre esta questão, propondo para tal uma revisão constitucional que consagre o seguinte artigo:

“É permitida a discriminação em função da orientação sexual. É permitido à maioria decidir por quem se devem apaixonar as pessoas, e como têm o direito de consagrar as suas paixões; é permitido à maioria banir os homossexuais para a clandestinidade.”

Perante esta brilhante linha de argumentação, só posso aplaudir. Excelente artigo de Fernanda Câncio.

Quinta-feira, 15 de Maio de 2008

Passos Coelho e o Casamento Homossexual

Em resposta a um inquérito da Lusa, Pedro Passos Coelho declarou-se favorável à possibilidade de um contrato civil de duas pessoas do mesmo sexo. Esteve bem ao assumir esta posição, reforçando assim a aura liberal em torno da sua candidatura.

Em resposta à Lusa, considerou que “Ninguém deve ser discriminado ou limitado nos seus direitos em função da sua opção sexual.” Sobre a denominação de contrato civil em vez de casamento, respondeu que “Não é importante a designação que damos ao instituto desde que possamos garantir esses direitos”. Humm…

Se a denominação não fosse importante, podíamos desde já abolir a palavra casamento e passar a chamar contratos civis inclusive às uniões heterossexuais, correcto? Ah pois é… Passos Coelho tenta ser liberal, mas foi-lhe conveniente deixar um toque de conservadorismo nas suas afirmações. Mesmo que tal tenha implicado uma profunda contradição…

Os Cigarros de Sócrates: O Pedido de Desculpas

A polémica instalou-se e o número de comentários e de blogues referenciados nas notícias do Público demonstram isso mesmo. Sócrates reagiu à polémica com um pedido de desculpas. Esteve bem?

O primeiro-ministro esteve bem ao reconhecer que errou, pedindo rapidamente desculpa por tal erro. Esteve bem ao sublinhar que o governo deve dar o exemplo. Esteve bem igualmente ao assumir que ia deixar de fumar.

Sócrates não esteve bem ao reiterar um desconhecimento da lei. Em última análise, não a conhecia ou não a quis conhecer. Estaria melhor caso se disponibilizasse desde logo a pagar a multa por tal infracção, transformando assim um fait diver num bom exemplo.

Por último, e como era previsível, os meandros da visita à Venezuela perderam relevo. Foi melhor assim... Os acordos com Chávez em torno do petróleo não ficam bem em nenhuma fotografia.

Quarta-feira, 14 de Maio de 2008

Bastonário contra a Violência Doméstica como Crime Público

Marinho Pinto voltou a surpreender ao afirmar na Assembleia da República que a violência doméstica deveria deixar de ser um crime público. Segundo o bastonário da Ordem dos Advogados, o modelo de crime público inviabiliza a desistência do processo caso a vítima assim o pretenda.

Marinho Pinto tem-se caracterizado por este tipo de intervenções que deixam tudo e todos perplexos. Questiona-se a opinião pública: “Caso a vítima possa desistir do processo, não existirão mil e uma maneiras de a coagir para que assim o faça?” Estará a escapar-nos alguma coisa? A APAV já condenou as afirmações do bastonário.

É bom que Marinho Pinto justifique bem as suas afirmações. Caso contrário, esta ficará como mais uma das suas intervenções despropositadas que têm caracterizado este seu ainda curto mandato. Sr. Bastonário, faça o favor de se explicar.

Os Cigarros de Sócrates: Algumas Estatísticas

Apesar de algumas dúvidas terem surgido, Jorge Miranda e Vital Moreira já confirmaram não existirem excepções à proibição de fumar em transportes aéreos. De qualquer modo, a polémica dos cigarros de Sócrates está ao rubro. Vejamos apenas alguns números:

Menos de 24h depois do Público ter noticiado a questão, mais de 70 blogs são referenciados pela edição online do jornal a comentar a polémica. Importa sublinhar que estes são apenas os referenciados. Por outro lado, a referida notícia recebeu já 500 comentários dos leitores do jornal.

Não tenho ideia de ter assistido alguma vez a tantas reacções no referido jornal. De qualquer modo, comprova-se que a polémica poderá durar, sobretudo por ser algo simples e evidente, estilo soft politics. Com o devido respeito, é algo que o Sr. Carlos do café, a Dona Emília da mercearia ou o Sr. José do táxi não terão qualquer dificuldade em comentar, em espalhar a notícia, em condenar. Erro crasso o de Sócrates…

Terça-feira, 13 de Maio de 2008

Sócrates fumou no Avião: um fait diver que poderá sair caro

O Público noticiou que Sócrates, Manuel Pinho e a comitiva governamental que seguia para a Venezuela fumaram a bordo do avião fretado à TAP. O que, à partida, pode parecer um fait diver, deixará certamente marcas na imagem de implacabilidade de Sócrates.

Como é natural, esta “pequena” transgressão à lei poderia não ser grave no currículo do comum dos mortais. De qualquer modo, tendo em conta a imagem distante e pouco humana que Sócrates tenta passar, tornar-se-á certamente numa transgressão que muita tinta fará correr nos próximos dias.

Como é possível que Sócrates tenha cometido um erro tão crasso? No artigo do Público vale a pena atentar ao desconforto e embaraço manifestado pela tripulação do avião. É proibido fumar, mas… Quer dizer, no fundo… É o primeiro-ministro e sua comitiva. O que é que podíamos fazer?

Bob Geldof e as suas Afirmações sobre Angola: a Polémica Continua

O Director do Jornal de Angola dedicou um inflamado editorial à polémica. Acusa Lisboa de ser o “centro das conspirações contra Angola” e acusou também a comunicação social portuguesa (nomeadamente o director do Expresso) de difundir mentiras sobre a realidade angolana e de injuriar e difamar os governantes do país.

As trocas de acusações entre países resvalam rapidamente para nacionalismos infundados. Embora tal não se aplique ao director do Jornal de Angola (que é propriedade do Estado), é compreensível que os angolanos não apreciem que o seu Governo seja mal-tratado. O mesmo raciocínio poderia aliás aplicar-se ao contrário: os portugueses criticam naturalmente o seu governo, mas provocar-lhes-ia comichão se alguém externo afirmasse que Portugal é governado por incompetentes ou corruptos.

Posto isto, não vale a pena comentar as acusações do director do Jornal de Angola. Comentá-las implicaria desviar o debate das questões que originaram a polémica: a corrupção e o desrespeito pelos direitos humanos. Dada a resposta previsível de alguns sectores angolanos, seria muito mais profícuo que os directores e colunistas da nossa imprensa se interrogassem também sobre o que Portugal tem feito (e o que não tem feito!) para que o cenário angolano mude. Neste tipo de questões, não chega atirar pedras ou apenas constatar o que é evidente.

Segunda-feira, 12 de Maio de 2008

Movimento Mérito e Sociedade e a Proliferação de Novos Partidos

No final de Abril foi formado um novo partido: MMS - Movimento Mérito em Sociedade. Em Março passado, Rui Marques também anunciou a recolha de assinaturas para o MEP – Movimento Esperança Portugal. Será a moda do “eu quero um partido só para mim”?

Ambos os movimentos justificam a sua constituição como partido político dado o desgaste do actual sistema partidário português. Distanciam-se de enquadramentos esquerda vs direita, apresentando um perfil ideológico tipicamente situado ao centro. Será positiva a proliferação deste tipo de partidos?

Como é natural, é positivo que surja gente com vontade de participar, de mudar, de querer fazer melhor. E a constituição como partido pode ser um dos caminhos a seguir. No entanto, destacam-se duas questões menos salutares do caminho seguido pelo MMS e pelo MEP:

1) O distanciamento ou recusa do paradigma esquerda/direita não é positivo à partida. Apesar de tudo, trata-se do principal referencial global de identidade política até à actualidade. E é também responsável por alguma coerência no confronto político. A negação deste referencial poderá implicar um posicionamento político à deriva, com falta de identidade, excessivamente centrado no consensual. Negar as dicotomias equivale a negar a política.

2) A proliferação destes novos movimentos poderá contribuir, em caso de sucesso dos mesmos, para a fragmentação/balcanização do sistema de partidos. Tal poderá ser crítico. Veja-se, a título de exemplo, o caso italiano.

O aparecimento destes novos partidos indicia a tão badalada necessidade de renovação dos principais partidos políticos portugueses. De qualquer modo, em nome da estabilidade do sistema de partidos, era sim importante que novos quadros ingressassem e renovassem por dentro os actuais partidos. A multiplicação de partidos pouco consistentes ideologicamente poderá não ser a melhor solução.

Domingo, 11 de Maio de 2008

O Enterro d’O Independente

Com vista a saldar uma divida de cerca de 4 milhões de euros, os bens d’O Independente foram sexta-feira a leilão. Os baixíssimos valores obtidos ditaram um final nada dignificante.

O título do jornal (com um valor base de licitação de 25 mil euros), obteve uma oferta máxima de 1100 euros. Como escreveu Vasco Pulido Valente: “O Portugal de 2008 enterrou O Independente como quem enterra um primo de má vida e pior fama, que se deve esquecer.”

Dificilmente se poderia ficar indiferente à linha editorial d’O Independente. As suas manchetes, mais ou menos objectivas, faziam tremer os governos. Ocupava um lugar importante de fiscalização do poder político. Será que o referido lugar está a ser devidamente ocupado na actual comunicação social? Tenho algumas dúvidas.

Fenómeno Ronaldo

Com o campeonato inglês hoje conquistado, Cristiano Ronaldo tem agora o caminho ainda mais livre para se sagrar o melhor do mundo. Será mais do que merecido.

Não tenho por hábito escrever sobre futebol, mas é difícil passar ao lado do fenómeno Ronaldo. E não, não vou destacar as suas capacidades, a sua técnica, a sua vontade impressionante de marcar e fazer a diferença. Enumerar as suas qualidades revela-se supérfluo perante a dimensão do fenómeno.

Destaco sim a forte capacidade de lidar com as expectativas e, de forma impressionante, conseguir geri-las e ultrapassá-las com grande facilidade. Ronaldo é, neste momento, um fenómeno. Não sou possuidor de um saber enciclopédico sobre futebol, mas arriscaria dizer que há muito não se via algo assim.

Sarkozi: a Queda do Petit Terrible?

Um ano depois da sua eleição, Sarkozi consegue ser o presidente francês da V República com menor popularidade. De promessa a profunda desilusão?

O Público dedica hoje um artigo ao desgaste de Sarkozy um ano após a sua eleição. A derrota nas eleições municipais de Março e os índices de popularidade agora publicados parecem confirmar que “quando maior a expectativa, maior a desilusão”.

Os franceses parecem fazer um balanço nada positivo deste primeiro ano de mandato. Aquele que parecia disposto a ser uma nova referência para a direita europeia aparece agora altamente fragilizado. No entanto, importa não esquecer que ainda faltam 4 anos de mandato.