domingo, 31 de janeiro de 2010

Menos proclamações, sff

É bonito falar-se num "novo espírito de cidadania", liberdade, igualdade, democracia e participação neste centenário da República. Mas seria ainda mais interessante que as comemorações que agora se iniciam servissem menos para proclamações e mais para acções de facto. E se é importante, por exemplo, falar-se em novo espírito de cidadania, seria também interessante perceber o que está o Estado a fazer para possibilitar o referido espírito.

O que está o Estado a fazer em termos de transparência, em termos de prestação de contas aos cidadãos, em termos de mecanismos que fomentem o interesse e a participação regular dos cidadãos nas suas decisões? Era importante que estas comemorações se centrassem em temas concretos, reflectindo mas sobretudo procurando agir sobre os mesmos. Porque de proclamações estamos já um bocadinho cansados.
(Imagem: Sachena)

sábado, 30 de janeiro de 2010

O Orgulho do seu Líder

Sem surpresa, a entrevista de Pedro Silva Pereira hoje ao Expresso é mais uma demonstração do desempenho político (sublinho o político) impecável do n.º 2 de Sócrates. Em 5 anos de governação, não me recordo de Silva Pereira ter um deslize, uma gaffe, uma situação comprometedora para o Executivo.

Pelo contrário, defendeu sempre que foi preciso, acudiu sempre que necessário, atacou sempre que tal se revelou conveniente para o Governo e para os socialistas. Em termos políticos, tem sido um braço direito irrepreensível para o seu líder.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Arrest Blair

Um grupo de cidadãos britânicos, liderados pelo colunista do The Guardian George Monbiot, criaram o movimento Arrest Blair (http://www.arrestblair.org/), devido ao papel do ex-primeiro-ministro na invasão do Iraque. Garantem oferecer 10 000 libras (cerca de 12 000 €) a quem conseguir prender Blair. É uma acção inovadora, arriscada até. Pode ser mal-interpretada ou legitimar actos excessivos. Mas não deixa de ser interessante ver até onde pode ir a mobilização dos cidadãos. Vale a pena espreitar o site.

Não era mau

É bem possível que me venha a arrepender de afirmar o seguinte, mas parece-me que o PSD ficará relativamente bem servido em matéria de seriedade quer com Passos Coelho, quer com Aguiar Branco. A confirmar-se o duelo entre ambos, são rostos relativamente afastados dos perfis populistas de má memória que assombraram as últimas eleições do partido.

Um olhar de esquerda e um olhar de direita

Para quem ainda não reparou, Daniel Oliveira e Henrique Raposo possuem agora curtas crónicas diárias no Expresso Online. A leitura de ambas é uma boa forma de se começar o dia.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Mundo Cão

O título do artigo do DN até consegue, à primeira vista, fazer-nos esboçar um sorriso - "Portugal tem mais prostitutas nacionais que a UE" (WTF?!). Mas ao ler o desfile de dados que o mesmo apresenta sobre a estreitissima relação entre prostituição e imigração, a expressão com que ficamos na cara altera-se significativamente.

Saber que milhões imigram em busca de uma vida melhor e não são bem-vindos nos países de destino já é revoltante. Saber que muitas mulheres (e certamente homens também) ainda por cima acabam nas ruas da sua "terra prometida", nas ruas do país que elegeram, a prostituir-se, sem condições, sem segurança, sem dignidade, devia tirar-nos o sono para todo o sempre. Mundo cão este...

A Comissão do Desgaste

Inicia hoje os seus trabalhos a comissão parlamentar de inquérito à Fundação para as Comunicações Móveis, o organismo criado para gerir os programas e-escolinha (Magalhães) e o e-escola . Marcará com certeza a agenda pela confluência de dois factores: 1) vai investigar dois projectos-bandeira do Governo, estando toda a oposição interessada em esmiuçá-los até à medula; 2) é bem conhecida uma das doenças crónicas que atormenta os projectos-bandeira governamentais – são fabulásticos mas apenas até começarem a ser esmiuçados.
(Imagem: Lupa Mágica - Animação de Festas)

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Dá-lhe Belmâncio! Ti-ti-ri-ti-ti-ti-ti-ti-ri

"Cavaco é um ditador. Mandou quatro amigos meus, dos melhores ministros, para a rua, assim de mão directa"; "(Manuela Ferreira Leite) Teve muitos anos de trabalho, mas no Estado. Nunca dormiu mal por ter a responsabilidade de saber como pagar salários"; "O Alegre devia ter juízo (...) No final do mandato já terá 80 anos, não é muito sensato".
Belmiro de Azevedo, Visão 28/01/2010
(Imagem: Bloco Aveiro)

O que nasce torto...

"João Nuno Almeida e Sousa sustentou a necessidade do PSD aproveitar o presente momento de escolha de um novo líder para melhor se posicionar no eixo ideológico. Ou seja, assumir-se sem pruridos como um partido do centro-direita, defensor da dinâmica da “burguesia” e da “ambição dos empresários”, deixando de ser tão refém da sua costela social-democrata. Como é sabido, o imbróglio ideológico do PSD é uma questão tão antiga como a democracia portuguesa. E assim acontece precisamente porque nasceu com ela."

É facil, é barato, dá milhões

Sem dúvida que a função pública beneficiou no ano passado de um aumento do poder de compra, contrariando o que vinha a acontecer em anos anteriores. E seria espectável politicamente um aperto de cinto neste momento. Mas o congelamento puro e simples dos salários previsto neste Orçamento, do mesmo modo que é estupidamente simples (uma simples linha no Orçamento), é também estupidamente injusto.

Porque não começar por congelar ou mesmo reduzir os salários mais elevados? Porque não começar por congelar regalias das quadros dirigentes? Dá mais trabalho, não é? O congelamento total dos salários da função pública está para a redução da despesa como o aumento do IVA está para o aumento da receita. É fácil, é barato, dá milhões.... E pagam sempre os mesmos.
(Imagem: Eric D. Snider)

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Sintomático

Através do Blasfémias chegamos à seguinte notícia: “Mais de 97% dos contratos de obras públicas celebrados desde o final de Junho do ano passado foram feitos por ajuste directo”. É preciso ter em conta que tal inclui pequenas obras de baixo montante, que são certamente a vastíssima maioria.

Mas 97% por ajuste directo é sintomático da dimensão das “excepções” que vieram a ser introduzidas por este novo código de contratação pública. Fica-se assim com uma ideia da facilidade com que se podem distribuir benesses.
(Imagem: Um Mundo Mágico)

Lamentável

O ambiente volta a aquecer na Venezuela e um jovem morreu nos protestos contra o encerramento de diversos canais de TV. A RCTV, a principal emissora cujo sinal foi interrompido por “razões administrativas”, é assumidamente contra Chávez. É certo o seu apoio à tentativa de golpe em 2002 e também parece certo que está longe de jogar dentro de regras sérias de informação.

Mas Chávez decretar o seu encerramento é um erro crasso. Na pior das hipóteses, demonstra mais uma vez que o seu conceito de democracia está longe do que vem nos manuais. O presidente venezuelano parece não perceber que está consecutivamente a marcar golos, mas na sua baliza.
(Imagem: Saggio2)

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Só pode estar a brincar...

João Galamba, a quem seria injusto não reconhecer seriedade na vasta maioria das suas posições, assume hoje a grandiosa tarefa de desconstruir a oposição do PCP e do Bloco (esqueceu-se da vasta maioria dos sindicatos) relativamente ao Código de Trabalho aprovado na última legislatura. Segundo o João, ambos os partidos esquecem-se que, apesar de serem previstos bancos de horas, semanas de 50 horas, está-se sim a valorizar a negociação colectiva. Ou seja, o código nada impõe, apenas abre tal possibilidade em sede de negociação colectiva, sem sede de negociação entre patrões e trabalhadores.

Ora, só por um estranha ingenuidade, por falta de experiência profissional no mundo real ou então por um pensamento profundamente liberal (estranho no caso do João), se pode considerar que as possibilidades abertas em sede de Código de Trabalho serão depois livremente negociadas, em posição de igualdade, entre patrões e trabalhadores. O João só pode estar a brincar. Ou então exprimiu-se muito mal... Ou então fui eu que não captei a sua ideia, é bem possível...

É que seguindo esta sua linha de pensamento, são os trabalhadores que, através de uma negociação livre e de acordo com regras claras, optam por regimes a recibo verde. Ou que, em negociação livre e descomplexada, optam por períodos experimentais mais longos. Ou que optam por não receber horas extraordinárias. Ou que abdicam livremente de regalias nos trabalhos por turnos.

Sim, porque quando todas estas alíneas foram incluídas no Código de Trabalho, também não eram obrigatórias, também eram em casos excepcionais, também eram sujeitas a acordo livre entre patrões e trabalhadores. E assim lá continuam. Os resultados estão à vista mas, pelos vistos, parecem muito pouco muito evidentes para o João.
(Imagem: Nesd)

Bravo! É fadista!

Certamente o PS não foi tão surpreendido quanto isso com a “abstenção construtiva” do CDS para o Orçamento de Estado. Mas uma coisa parece certa: Portas sai das negociações como um verdadeiro mestre. Fez o papel de querer negociar, certamente conseguiu algumas coisas e acabou por terminar o processo dando uma bofetada de luva branca e, ainda por cima, não se comprometendo com nada. Bravo!
(Imagem: The Best of Lagos)

Pois pois…

Uma simples palavra: Cavaco

«Mas se ao encararmos de forma isolada esta balança de prós e contras até conseguimos ficar indecisos, uma simples palavra consegue mudar substancialmente o panorama: CAVACO. É que nesta eleição joga-se sobretudo o cumprimento ou não da regra de continuidade do Presidente em exercício. É quase um plesbicíto onde o "não" só pode vencer se apoiado numa figura, num candidato. E Cavaco não pode ser relativizado.»

domingo, 24 de janeiro de 2010

A Política e a Web 2.0 em Portugal II

Quem aqui anda há uns anos e acaba por investir horas semanais neste meio, tende naturalmente a sobrevalorizar o peso da blogosfera política, do twitter e do facebook na política real. É natural que assim aconteça. Acaba-se, neste contexto, por achar o artigo do Público de hoje como muito pouco profundo. Mas também é certo que existem outro motivos, bem mais objectivos, para achar algo superficiais as conclusões do referido artigo que aponto no post anterior.

Efectivamente, o peso da web 2.0 na política portuguesa parece à vista desarmada ser limitado uma vez que, por exemplo, ainda continuam a ser poucos os assuntos aqui gerados que saltam para a agenda política ou mediática. De qualquer modo, existirão certamente outros indicadores que poderão dar rapidamente uma ideia diferente a este respeito. A título de exemplo, aponto dois abaixo.

A nível dos actores políticos, seria interessante perceber se conseguem ou não estas redes ser um instrumento de forte aumento do capital político dos que nela participam? Diria que sim, servindo como importante meio de afirmação perante os seus pares, perante os seus adversários políticos, de exposição acrescida à opinião pública e, sobretudo, de exposição acrescida à comunicação social (importa não esquecer a quantidade de jornalistas que por aqui anda).

Pegando também no papel destas redes na comunicação social dos nossos dias, seria também interessante, por exemplo, perceber o grau de exposição de jornalistas a estas e o quanto poderão basear-se na informação/opinião que nelas obtêm para a produção de notícia. Ou seja, serão ou não estes meios espaços privilegiados de reflexão, de discussão, de obtenção de perspectivas de investigação e de formulação de opinião para muitos profissionais da informação? Diria que sim.

Como se pode ver pelos exemplos acima, e um infinidade de outros ângulos de investigação poderiam ser agarrados, a importância da web 2.0 na política portuguesa dos nossos dias dificilmente é tão limitada quanto o artigo do Público dá a entender.

A Política e a Web 2.0 em Portugal

Artigo interessante no Público, embora muito pouco profundo, sobre o papel da blogosfera, do twitter e do Facebook na política em Portugal. Segundo o texto, apesar de algumas excepções e da forte evolução do últimos anos, a nossa classe política ainda usa pouco e mal a web 2.0 e o mundo da blogosfera política ainda tem um papel muitíssimo lateral no combate e na agenda política.
(Imagem: Blog do Mairao)

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

A síndrome do jovem sem vícios

Alguns estranhamente vêem em Passos Coelho uma personagem nova nestas lides que poderá trazer uma lufada de ar fresco ao partido. Alguém que poderá mudar, alguém sem maus vícios, como ontem se referia no 31 da Armada (não estou a conseguir encontrar a referência agora).

Outros, como seria de esperar, temem precisamente essa imagem clean do jovem sem vícios, que diz tudo certo na altura certa, que não joga baixo, que aparece sempre penteado e a sorrir, que lança livros e não tem nada de polémico. Passos surge então com o problema de não ter problema nenhum. No fundo, alguém que ou é muito dissimulado ou que tem efectivamente pouco sal.
(Imagem: Dark Messiahs)

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Sobre a derrota democrata em Massachusetts


André Freire publica no Ladrões de Bicicletas uma entrevista de Michael Baum, professor da Ciência Política na Universidade de Massachusetts, sobre a desagradável prenda que os democratas receberam no 1º aniversário de Obama. Vale a pena ler.
(Imagem: AARP Bulletin)