Vale a pena ir dar um vista de olhos à exposição agora inaugurada no Mude. Vespas, muitas vespas, de todas as formas e feitios estão lá presentes. Pelo meio, vestidos... (?!) É caso para dizer que é pró menino e prá menina.
domingo, 25 de julho de 2010
sexta-feira, 23 de julho de 2010
Quando a esmola é grande…
Se foi efectivamente o governo português que travou a entrada da Guiné Equatorial na CPLP, uma salva de palmas, sff. E a solução do referido país entrar numa espécie de estágio, à semelhança do que acontece com as adesões à UE, em que se avalia o cumprimento de uma série de exigências, parece à partida uma solução razoável.Resta agora perceber as entrelinhas. É necessário p/ex que este estatuto de candidato não signifique efectivamente o melhor de dois mundos para o regime de Malabo, permitindo que o business se desenvolva a todo o vapor a coberto do referido estatuto e que essas coisas chatas da democracia e dos direitos humanos sejam algo “para se ir fazendo”. Surpreendam-nos, vá lá...
(Imagem: Piri Piri 40 graus)
O oportuno tiro no pé
Olhando para o percurso de Passos Coelho desde a sua ascensão à liderança do PSD, parece que assistimos ao súbito aparecimento de uma espécie de Aquiles. Fruto do desgaste do seu principal adversário, Passos começou a afirmar-se como um concorrente quase impossível de bater dado o rumo dos acontecimentos. Uma boa gestão da componente de comunicação e a união conseguida no partido, aliadas a um estado de graça junto de opinion makerse a uma clara vontade de alternância na opinião pública, tornaram rapidamente o novo líder do PSD no primeiro-ministro que se segue. Conseguiu, portanto, o invejável estatuto de inevitabilidade.Apenas um calcanhar é apontado a este Aquiles. É que a sua ideologia liberal diverge do posicionamento ideológico típico da maioria do eleitorado português. A importância dada a matérias como o livre funcionamento dos mercados e o inequívoco apoio ao recuo estatal em sectores como a educação ou a saúde serão sempre matérias sensíveis de transmitir à opinião pública e mesmo ao seu partido. O primeiro sinal de fragilidade neste sentido foi a reacção da actual direcção "social-democrata" ao veto do Governo à compra da Vivo pela Telefónica. Usando o fraco argumento de que o Estado não deve intervir nos mercados, Passos deu por si encostado ao posicionamento dos espanhóis, sendo incompreendido pela opinião pública, mas também pelo seu próprio partido. O novo líder esteve mal, mas o assunto foi ultrapassado com alguma celeridade pelo surgimento de outros temas na agenda.
Mas eis que surge então uma monumental escorregadela desta nova direcção do PSD. A proposta de revisão constitucional apresentada revelou-se um tremendo tiro no pé. Conseguiu reunir a esquerda - partidos, sindicatos, movimentos sociais - na crítica aos recuos do Estado Social, mas obteve também a oposição em quase uníssono dos constitucionalistas quanto às mudanças na duração de mandatos e nos poderes do Presidente da República. E Passos bem pode vir explicar que se trata apenas de uma proposta sujeita ainda a discussão. Bem pode emendar à pressa alguns aspectos. As ideias centrais sobre a mesma estão criadas. Se calhar pela primeira vez, esta nova direcção do PSD demonstra um tremendo amadorismo na gestão mediática de um dossier.
É sabido que em política não se ganha, perde-se. Por outras palavras, é sabido que ganham aqueles que menos erros cometem. Nesta perspectiva, o tremendo tiro no pé de Passos Coelho pode e deve ser utilizado massivamente para demonstrar o que o moderno, jovem e dinâmicolíder do PSD tem a propor ao país, detalhando preto no branco a mudança por ele preconizada. E apesar deste deslize de Passos estar a ser aproveitado pela actual direcção do PS com uma boa dose de hipocrisia, importa que este dossier ajude a clarificar o que separa a esquerda da direita nas presidenciais que se seguem. Importa que se sublinhe esta divisão ideológica, estas diferenças de projectos para o país, demonstrando bem aos portugueses o que está em jogo. O combate que ai se aproxima entre Alegre e Cavaco é perfeito neste sentido.
Artigo hoje publicado no Esquerda.net
quinta-feira, 22 de julho de 2010
A Realpetrolik no seu melhor
Luis Amado vê a aproximação da Guiné Equatorial à CPLP com "naturalidade", acrescentando que “não é difícil perceber as razões porque um país com as especificidades históricas e geopolíticas da Guiné Equatorial procura aproximar-se de uma organização como a CPLP”.O pragmatismo costuma ser o nome do meio dos Ministros dos Negócios Estrangeitos. De qualquer modo, das declarações de Amado subentende-se que questões como o respeito pela democracia e pelos direitos humanos na Guiné Equatorial são perfeitamente laterais quando está em causa a integração de uma nova potência africana do petróleo.
Isto para já não falar que a ligação do referido país à lusofonia é anedótica. Basta dizer que deixou de ser uma colónia portuguesa no longínquo ano de 1778. O português terá agora de ser declarado à pressa uma das linguas oficiais.
(Imagem:Extreme Centre)
quarta-feira, 21 de julho de 2010
Me very Moderno
"O presidente da câmara de Gaia elogiou a proposta «moderna e ousada» de revisão constitucional do PSD". (TSF, 21/07/2010) Gosto do adjectivo "moderno" aplicado a esta situação. Nos tempos em que toda a gente procura ser "moderno", soa a argumento de peso. Por momentos até fico com pena de não concordar com a proposta, porque eu até gosto de ser moderno, pá... Que chatice...(Imagem: The best of Lagos)
A 1ª grande escorregadela de Passos Coelho
É oficial: a apresentação da proposta de revisão constitucional do PSD está a revelar-se um tremendo tiro no pé. Conseguiu reunir a esquerda na crítica aos recuos do Estado Social e conseguiu reunir a oposição de institucionalistas e constitucionalistas quanto às mudanças na duração de mandatos e nos poderes do Presidente da República. E até no seio do partido as críticas já se fazem sentir (aqui, aqui e aqui).Passos bem pode vir explicar que se trata apenas de uma proposta, sujeita ainda a discussão. As ideias centrais sobre a mesma estão criadas. Se calhar pela primeira vez, esta nova direcção do PSD revelou um tremendo amadorismo na gestão mediática de um dossier.
(Imagem: Arrastão)
terça-feira, 20 de julho de 2010
Esticar a corda
É conhecida a tendência do PSD para levantar o tema da revisão constitucional simplesmente "porque sim". Mas fazê-lo no momento presente, mostrando ao país todos os cánones liberais da nova direcção (ver aqui e aqui, p.ex) é uma jogada arriscada. É possível que alguma coisa nos esteja a escapar, mas actuar assim equivale a colocar neons no seu próprio calcanhar de Aquiles.(Imagem: Pequenas Decisões)
A Cultura em Coimbra
Vale a pena ler este artigo do Y sobre as actuais dificuldades de afirmação de Coimbra no plano cultural. Aposto que o artigo fornece-nos um panomara excessivamente decadente deste sector na cidade. De qualquer modo, é elucidativo das dificuldades de afirmação cultural de referência fora de Lisboa e do Porto.(Imagem: DEEC UC)
segunda-feira, 19 de julho de 2010
A síndrome Peter Pan?
Pelo que pudemos ler, Pedro Alves, o novo secretário-geral da JS, parece querer continuar a linha política dos seus antecessores Pedro Nuno Santos e de Duarte Cordeiro. O que é positivo. Mas o que me deixa sempre alguma perplexidade é ver “jovens à beira dos 30”, com um já significativo percurso profissional, assumirem a liderança de uma juventude partidária. Estarão assim tão próximos dos problemas (e do registo) da juventude que se encontra ainda no secundário, na casa dos 16 anos? E dos jovens do ensino superior, com cerca de 20 anos?As juventudes partidárias é que sabem o que é melhor para si. E, como é evidente, mais do que um dado do BI, a juventude de alguém afere-se sobretudo pela condição que tem e que procura ter perante a vida. Mas o facto de vermos jovens cada vez menos jovens à frente de juventudes partidárias desperta sempre alguma desconfiança. Soa sempre a síndrome Peter Pan, do quero ser eternamente jovem, parecendo que lá estão não tanto por empenho no mundo da juventude, mas sobretudo por ser um caminho mais fácil de afirmação no seio da estrutura nacional de um partido. É uma tendência antiga das juventudes partidárias e que teima em não ser ultrapassada.
(Imagem: Mi Isla Interior)
sexta-feira, 16 de julho de 2010
E porque hoje é sexta-feira
Pixies - Hey
Há sons que são como o Vinho do Porto (quando mais velhos, melhor)… Ou como o Peter Pan (nunca envelhecem). Como se o som não fosse suficiente, o vídeoclip acima é um clássico do You Tube.
Made by Paulo Portas
A afirmação de Paulo Portas parece totalmente despropositada e descontextualizada. Uma espécie de devaneio do líder dos populares. O problema é que, como toda a gente sabe, Portas preocupa-se sobretudo em marcar a agenda. E, com maior ou menor grau, conseguiu-o. Portas sempre foi e continuará a ser um mestre da golpada mediática.(Imagem: Condomínio Privado)
quinta-feira, 15 de julho de 2010
Dá que pensar...
Ao mesmo tempo que Sócrates dá uma entrevista ao Finantial Times dizendo acreditar no efeito das reformas que está a implementar a contragosto, Pedro Adão e Silva, politólogo, um dos socialistas que elaborou a moção de Sócrates ao Congresso de 2009, afirma o seguinte: "Acho que existe uma espécie de esquizofrenia entre o PS defender uma coisa e ser obrigado a fazer outra. Sem capacidade para impor aquilo em que acredita, não vejo vantagem em estar a fazer aquilo em que não acredita. Não sei se não seria preferível o PS não estar no governo." (Imagem: Jane Constant)
quarta-feira, 14 de julho de 2010
O calcanhar de Aquiles
Passos Coelho é actualmente uma espécie de Aquiles. O estado de graça em que se encontra, por oposição a evidentes sinais de decadência de quem permanece no poder, parece torná-lo invencível. As sondagens dão-lhe vantagem, os opinion makers quase garantem que será o próximo primeiro-ministro e seu partido encontra-se unido como há muito não se via (a entrevista de Paulo Rangel no Domingo ao Púbico é exemplo disso mesmo). Tudo parece correr bem ao novo líder do PSD. E apesar das arriscadas aproximações ao Governo em medidas de austeridade - aumento de impostos, congelamento de salários, cortes nas prestações sociais, SCUTs - o argumento da responsabilidade colou relativamente bem e as sondagens aí tem estado para demonstrar isso mesmo.No grave momento de crise económica que o país atravessa, o liberalismo económico de Pedro Passos Coelho tem sido aplaudido numa série de matérias: da defesa de cortes nas despesas do Estado à crítica aos boys nas empresas públicas, da crítica ao endividamento público à redução dos salários dos políticos. Passos tem conseguido marcar a agenda em inúmeros domínios, demonstrando que apontar o dedo aos esbanjadores irresponsáveis recorrendo ao discurso do “temos vivido acima das nossas possibilidades” funciona particularmente bem em tempos de crise. O liberalismo do líder do PSD tem permitido que se posicione bem neste tipo de questões.
No entanto, como é sabido, o liberalismo possui também algumas dimensões menos populares, sobretudo no contexto português. A questão do veto do Governo à compra da Vivo pela Telefónica foi paradigmática a este respeito. Passos, de forma coerente em termos ideológicos, criticou o bloqueio de Sócrates à compra pela empresa espanhola. Fê-lo aliás em coerência com a sua postura crítica relativamente às golden shares do Estado, nomeadamente na Portugal Telecom. O problema é que este rasgo de coerência correu-lhe mal. Por mais que o eleitorado não tenha particular afecto por empresas públicas, não gosta da ideia das mesmas cairem nas mãos de capital estrangeiro. E não está preocupado com as regras de livre funcionamento do mercado. Apreciou portanto a acção do Governo Português e, se calhar pela primeira vez, não compreendeu de todo o posicionamento do líder do PSD. Possivelmente nem sequer o eleitorado mais fiél dos sociais-democratas o conseguiu fazer.
E este episódio é apenas uma amostra sobre o quanto algumas ideias liberais de Passos Coelho não terão acolhimento fácil no eleitorado português. “O principal partido da oposição pode ter encontrado um líder que o uniu e que tem boa imagem na televisão. Mas as questões políticas fulcrais neste país, nomeadamente qual deve ser o papel do Estado na economia parecem continuar a separá-lo da maioria dos portugueses.” A frase de Marina Costa Lobo, polítóloga do Instituto de Ciências Sociais, publicada em artigo do Jornal de Negócios na passada semana, sintetiza bem o calcanhar do Aquiles do PSD.
Como vai Passos Coelho dar a volta a esta questão? Como contornará esta dificuldade ideológica de fundo? Simples: por mais que goste de ser visto como um líder da nova direita liberal, Passos será pragmático. Terá de ser contido nas palavras numa série de matérias. Não quer dizer que não as tente colocar em prática, mas arranjará formas de as apresentar de outra maneira. E será também obrigado a ser flexível numa série de domínios, até porque o liberalismo a sério nunca foi um cânone do seu partido. O novo líder do PSD terá assim de começar a esconder muito bem este seu calcanhar. Caso contrário, o seu estado de graça corre o risco de acabar abruptamente.
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O Mundo é dos Espertos
A redução da pena de Isaltino Morais é apenas mais um exemplo de como só os pobres diabos são presos neste país. Quem consegue pagar um bom advogado pode ir tranquilamente, de recurso em recurso, vendo ser revista a sua pena. O mundo é dos espertos, como alguns tanto gostam de sublinhar... O mundo não sei, mas este país tenho a certeza que sim.(Imagem: RTP)
terça-feira, 13 de julho de 2010
Um "bocadinho" desorientada...
Não coloco em causa a competência da ministra por estar muito pouco informado sobre o seu trabalho. Manifesto-me apenas sobre o que tem transpirado cá para fora, para a opinião pública que se encontra menos por dentro do que se passa no sector da cultura.Em tempos de PEC, Gabriela Canavilhas causou espanto por, lado a lado com os cortes que anunciou na cultura, assumir que tal prejudicaria fortemente os artistas independentes (se prejudica, então porque corta? Porque não assume outra opção?). Depois ficámos a saber que afinal os cortes não seriam tão grandes quanto isso. A seguir indignou-se de forma pouco feliz, acusando o Bloco de estar por detrás dos protestos dos artistas. Este fim-de-semana presenteou o país com um insólito comunicado ministerial que certamente ficará para a história: congratulava-se com a demissão do seu Director-Geral das Artes. Ontem, por seu turno, ficámos a saber que os cortes anunciados afinal não existirão, pelo menos neste ano.
Canavilhas até pode recolher algumas simpatias por estar a conseguir menorizar os cortes inicialmente anunciados. Mas a sequência de acontecimentos atribui-lhe uma imagem de desorientação política não menosprezável.
(Imagem: Passageiro em trânsito)
segunda-feira, 12 de julho de 2010
Sobre as Presidenciais Brasileiras

Porque as presidenciais no gigante latino-americano são já em Outubro, vale a pena ler o artigo do Público para se ficar com panorama razoável da situação. Depois de Lula, o poder ficará no PT ou regressará ao PSDB?
Mau sinal
Segundo a OCDE, os portugueses estão entre os europeus que avaliam de forma mais negativa o impacto da imigração nas economias nacionais. Quase 40% fazem um balanço negativo, colocando Portugal no 6º lugar europeu dos menos agradados com a imigração. É um dado a não menosprezar e que infelizmente acaba também por não ser surpreendente. É que quando a crise aperta, a culpa normalmente é do imigrante.(Imagem: Chuck's Fun Page)
domingo, 11 de julho de 2010
Dica Domingueira

Para quem ainda não passou por lá, vale mesmo a pena visitar a exposição de Nadir Afonso no Museu do Chiado. Estará lá até 3 de Outubro. Conseguir aproveitar os Domingos de manhã, altura em que os museus são gratuitos e que o MNAC em particular se encontra às moscas, torna o programa perfeito. Para mais informações sobre a obra do pintor/arquitecto, ver aqui.
sábado, 10 de julho de 2010
Realpetrolik
A anunciada admissão da Guiné Equatorial na CPLP é uma anedota de mau gosto. De péssimo gosto aliás tendo em conta a triste realpolitik do petróleo que está por detrás da admissão deste recordista de atropelos aos direitos humanos. Ver a este propósito os artigos do Público de hoje (aqui, aqui, aqui e aqui). Ver também o artigo de Marina Costa Lobo publicado há duas semanas no Jornal de Negócios.(Imagem: Wikipedia)
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