Normalmente é associado a este fenómeno a questão da ausência de alternativas na governação, da indiferenciação de políticas que permita ao cidadão escolher racionalmente entre a alternativa A e a alternativa B. Importa sublinhar que, em bom rigor, tal relação de causalidade não é linear, devendo até ter-se uma abordagem distinta quanto aos dois fenómenos. No fundo, uma coisa é o rotativismo e outra coisa diferente é a ausência de diferenciação ideológica. O rotativismo não tem de estar necessariamente associado a uma falta de diferenciação ideológica entre os dois principais partidos que se revezam no poder.
E é precisamente nesta última questão que o caso português se distingue. A falta de diferenciação ideológica entre PS e PSD não é algo apenas de senso comum. Também não se resume a uma peça do argumentário dos restantes partidos quando criticam o “centrão”. Tal falta de diferenciação já foi estudada e comprovada academicamente (André Freire, Esquerda e Direita na Política Europeia, 2006), encontrando-se assim uma especificidade portuguesa tendo como referência o panorama das mais antigas democracias europeias. As razões para tal especificidade nacional podem ser encontradas, entre outras dimensões, no período de transição para a democracia e nas correntes políticas que integraram desde logo cada uma das forças políticas.
Posto isto, chegamos a uma das questões que mais são colocadas no momento actual: podemos assumir que é indiferente para o país uma maioria PS ou uma maioria PSD. Bem, o rotativismo é uma coisa, a falta de diferenciação ideológica é outra e a não distinção ideológica é ainda outra. Apesar de não serem tantas quanto seria desejável, diria que existem diferenças nas governações PS e PSD (a identificação das mesmas posso guardar para um próximo artigo). Como é evidente, as diversas forças políticas encontram as formas que consideram mais convenientes para se posicionar sobre esta questão. Fazem o seu papel, portanto. O eleitorado também faz o seu ao comprar ou não tais posicionamentos. É o mercado da oferta e procura política e eleitoral no seu melhor.
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Artigo hoje publicado no Esquerda.net
2 comentários:
Muito bem!
Fico entäo (im)pacientemente à espera do artigo sobre as diferenças nas governações PS e PSD. Ceira-me que será pequeno.
Ah, e faz favor näo me venham comparar legalizaçäo de uniöes homo com aprovaçöes de PECs.
O rotativismo seria bom se os alternantes fossem realmente diferentes!
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