quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Operação Duas Faces

Pedro Lomba no Público

Ora aqui está uma contratação de peso. A partir de hoje, Pedro Lomba integrará o leque de cronistas da última página do Público. Mesmo estando longe do posicionamento político de Pedro Lomba, tal não impede naturalmente de apreciar os seus textos. Este seu primeiro no Público não parece, à primeira vista, muito feliz. Teorias um pouco pacheco pereiristas a mais, julgo eu. Mas enfim, já diz o povo que "a primeira vez nunca é nada de especial".
(Imagem: Público)

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

O regresso dos aleijados

E eis que, de um momento para o outro, vemos Ferreira Leite a ressurgir no Parlamento, cheia de força, pedindo explicações sobre o processo Face Oculta. Cavaco, por seu turno, também aparece hoje revigorado a não comentar, mas a dizer-se preocupado com o caso. Quem os viu há apenas duas semanas atrás e quem os vê agora... Estão como novos. Há casos revigorantes para alguns, lá isso há.
(Imagem: My piece of tail)

Diz que é uma Aventura

Como seria de esperar, a postura da nova Ministra da Educação afigura-se a milhas do que a classe docente se habituou com a sua antecessora. A abertura e o diálogo com os sindicatos parece ter sido a mensagem que Isabel Alçada ontem tentou transmitir.

Como é evidente, no actual cenário, outra atitude da titular da pasta da educação seria neste momento algo totalmente suicida. Ou seja, Isabel Alçada recuou porque teve de recuar. Mas, embora seja certo que os sindicatos se manterão muito atentos, e ainda bem que assim é, o clima que ontem consta ter existido parece indiciar uma lufada de ar fresco.

Conclusões a tirar de toda esta situação: 1) a união e a indignação de toda uma classe profissional valeu a pena; 2) as maiorias relativas proporcionam algo que devia ser obrigatório em democracia – a abertura, o diálogo, a concertação.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Os Casos e seus Efeitos

Na semana seguinte à tomada de posse do “novo” governo, dois casos de corrupção que estão na agenda (Freeport e Face Oculta) são perigosamente próximos do primeiro-ministro.

Não admira que, quando questionados sobre a confiança que detêm no primeiro-ministro ou a seriedade que lhe atribuem, os eleitores concedam pontuações modestas a José Sócrates.
(Imagem: PS Montalegre)

Ah e tal, um referendo e não sei quê… (II)

Como sublinhou o Daniel Oliveira no último Eixo do Mal, é sempre interessante constatar que os grupos que afirmam que há assuntos mais prioritários que o casamento entre pessoas do mesmo sexo, que o país não pode perder agora tempo com essas coisas e que tem de se concentrar em assuntos mais urgentes, são os mesmos grupos agora defendem um referendo.
(Imagem: O Chamado Blog)

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

A música do dia

O PCP e a Queda do Muro

Como seria de esperar, a questão da queda do Muro é um assunto muito indigesto para o PCP. E é normal que os holofotes se voltem para os comunistas em busca de reacções. A meu ver, pode-se dar de barato a notícia no Avante sobre os eventuais retrocessos económicos e sociais verificados desde a queda do Muro.

Mas tal só é possível se existisse sequer uma referência à falta de democracia vivida do lá de lá do muro, sobre a falta de liberdade, sobre as polícias políticas, sobre a repressão, and so on. Sem tal referência, o que o PCP tem a dizer sobre esta matéria transforma-se inevitavelmente em algo distorcido.

O PCP vê na queda do muro o triunfo do capitalismo. É uma visão limitadíssima e tenho a certeza que tal é evidente para muitos e muitos comunistas. A queda do muro representa sobretudo o triunfo da democracia. Digo-o com a maior das sinceridades: é lamentável ver os comunistas embrenhados nestas jurássicas contradições.

Cair em tentação

Permitam-me o desabafo. Durante muitos anos resisti á tentação de comprar qualquer consola de jogos. Dada a minha fase juvenil viciada em jogos de carros, de futebol, de estratégia, sabia que não convinha voltar a despertar tal vício. Nunca comprei nem quis que me oferecessem Playstations nem nada do género.

No entanto, há umas semanas atrás, resolvemos comprar lá para casa uma Nintendo Wii devido à funcionalidade Wii fitness. É engraçado e a Nintendo tem a “vantagem” da vasta maioria dos jogos serem demasiado infantis para despertarem o meu vício terrível.

Mas eis que descobri na sexta-feira que existe o FIFA 2010 para a Wii. Como é possível?!? Era suposto só terem jogos infantis e nintendescos! E pronto, a desgraça aconteceu… Tenho o FIFA lá em casa… Um horror… Maldito vicio. Não é por acaso que este blog não é actualizado desde sexta-feira. ;)

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Farpa Kultural

LinkExistem blogs que, apesar de não passarmos por lá todos os dias, nunca nos desiludem. Antes pelo contrário, nunca param de nos surpreender. O Farpa Kultural é um deles. Acompanho há muito e nunca me desiludo com a forma simples e inteligente com que os seus autores expressam uma ideia, uma convicção. É um blog que vale sempre a pena.

Mau Olhado

Se dúvidas existissem quanto à proximidade actual entre Sócrates e Armando Vara, estas parecem dissipar-se com esta notícia aqui. Sem que isto signifique qualquer tipo de insinuação (ou ainda levo um processo em cima e eu sou um homem simples, com família e casa para pagar), o primeiro-ministro parece ter uma espécie de mau olhado ou encosto.
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É que estes casos de alta trafulhice persistem em aparecer à sua volta com uma proximidade assustadora. José Sócrates deveria consultar rapidamente o Professor Bambo ou algo do género.
(Imagem: Why so Serious)

Sentido de oportunidade (ou falta dele)

Num momento em que se está longe de saber até onde alastrará o caso Face Oculta, parecendo existir muitos nervosismos nas hostes socialistas, o PSD mantém-se entretido nas suas lutas internas. É um partido porreiraço, sem dúvida.
(Imagem: Reprobatório)

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

O espectáculo já começou

Hoje o Parlamento teve direito à primeira troca dura de palavras entre Pacheco Pereira e Sócrates. E parece que nenhum deles desiludiu. Pacheco Pereira foi igual a si mesmo, montando conspirações de forma fervilhante. Sócrates respondeu no seu estilo normal de ataque pessoal, considerando que o seu interlocutor lança suspeições de "forma doentia". Nada de novo, portanto.

Escolas sim, guerra não!

O custo anual de um soldado americano no Afeganistão daria para construir aproximadamente 25 escolas nos Estados Unidos. E se, em vez de reforçarem o contingente em 40 000 soldados, os EUA apostassem em construir escolas em terras afegãs, hein? Não será a educação um maior factor de estabilização do que a força das armas? Vale a pena ler o curto e incisivo artigo de Nicholas Kristof no i de hoje.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Bolsa de Valores Sociais

Foi anteontem lançada em Portugal uma Bolsa de Valores Sociais (http://www.bvs.org.pt/). Um conceito que teve origem no Brasil e que serve como mecanismo de recolha de donativos por parte de todas as instituições sociais inscritas. O cidadão comum pode inscrever-se e comprar “acções” por 1€, num mínimo de 10 acções.

Após a compra, o “accionista” passará a receber informação sobre o impacto que o seu donativo teve no apoio à respectiva ou respectivas associações. A bolsa foi lançada com o apoio da Euronext, da Gulbenkian e da Fundação EDP. Certamente não promoverá milagres ou substitui outro tipo de apoios. Mas o conceito é muito bom e promete. Apesar de ainda ter poucas associações inscritas, vale a pena experimentar.

Ah e tal, referendo e não sei quê...

Quantas vezes será necessário repetir que, da mesma maneira que as questões penais não devem ser objecto de referendo, o mesmo acontece com os direitos, liberdade e garantias. Lamento o desabafo, mas qual é a parte que é difícil de entender a este respeito?
(Imagem: Global Debate)

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Ele há com cada coincidência

Segundo o Público, foi identificada uma forte correlação entre a anulação acelerada de inscrições nas listas do desemprego e a proximidade de eleições legislativas. Ou seja, sempre que se aproximam eleições, a subida do desemprego parece ser contida estatisticamente. Como o sublinha o Público, o IEFP recusa-se há meses a explicar tal correlação. É naturalmente possível que exista alguma coisa que esteja a escapar e explique tal fenómeno. Mas que é muitíssimo estranho, lá isso é.
(Imagem: Bruno Cochito)

Foi há um ano...

Há um ano assistimos a uma nacionalização na banca. Mas a uma nacionalização dos prejuízos, é bom não esquecer. Passado um ano, quem fez a referida nacionalização continua fugindo para a frente, mostrando-se convicto do que fez. Passado um ano, apenas o Vale e Azevedo de serviço - Oliveira e Costa - está a ser responsabilizado. Os restantes responsáveis, que certamente existirão pois não se faz um buraco financeiro desta dimensão por obra e graça de apenas um homem, continuam por apurar.
(Imagem: Cão Azul)

domingo, 1 de novembro de 2009

Um virar de página no Público

Hoje uma nova directora – Bárbara Reis - assume os destinos do Público, passados 11 anos de direcção de José Manuel Fernandes (JMF). Antes de mais, deixem-me dizer que leio o Publico há precisamente 11 anos (desde 1998). Ou seja, o Público que conheci sempre foi o de JMF e tal não impediu que fosse o meu jornal por excelência.

Infelizmente, JMF cometeu erros crassos enquanto director. Assumiu, por exemplo, uma parcialidade excessiva em alguns episódios cujo corrolário foi o recente Caso da Encomenda vinda de Belém (ou Caso das Escutas, se preferirem). Tal abalou muito fortemente toda a credibilidade do jornal. Esperemos, portanto, que esta nova direcção consiga lavar a cara de uma casa que se quer de referência.

É de lamentar que a saida de JMF fique marcada pelas piores razões. Mas seria também errado considerar que tal apaga toda a obra que realizou nos 11 anos que esteve à frente do jornal. Sai com uma nódoa difícil de tirar, mas que o tempo certamente se encarregará de atenuar. Para quem ainda não leu, aqui fica o último editorial de JMF.
(Imagem: Absorto)